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SOMOS REALMENTE LIVRES?

Somos realmente livres?

 

Liberdade de... liberdade para...

Liberdade: palavra mágica, ideal e fascinação, destruição e força.
Meta a atingir e fardo para se levar.
Desafio cotidiano e tormento contínuo.
É difícil ser livre, saber autodeterminar-se,
conseguir projetar um estilo de vida
com responsabilidade e consciência.
É fácil, afinal, saber em que consiste
a tão decantada liberdade?
A resposta requer de nós uma busca febril,
feita de tentativas, de quedas, de ilusões e desfalecimentos.
Às vezes temos algum sucesso, mas muito passageiro para ser degustado em profundidade.

Somos realmente livres?

Temos um nome escolhido por outros, falamos uma língua que não escolhemos, não escolhemos também nossa família.
Temos um corpo que nos condiciona notavelmente: é imperfeito, fica doente e, às vezes, não responde do modo que queremos.
E nossa personalidade?
Alguns traços de nosso caráter são herdados de nossos pais. Sabemos, além disso, que influência têm os impulsos inconscientes, os instintos, os acontecimentos ocorridos na infância.
A sociedade, com seus inumeráveis condicionamentos econômicos e culturais, acaba de completar o quadro.
Mas, então, até que ponto é livre o nosso agir? Em que consiste, no fundo, a liberdade?
Trata-se apenas de uma liberdade negativa, isto é, não dependemos de estruturas, de imposições, de alienações; não estamos sujeitos a perseguições?
Ou, então, trata-se de uma liberdade no sentido positivo, isto é, somos livres para tomar uma atitude, uma decisão, para fazer um projeto que diz respeito a nós mesmos?

Saiba que:

A liberdade tem sua origem na essência do ser, no mais profundo do ser, onde se situa a dimensão espiritual.
Você está imerso nessa dimensão superior que, sem renegar, compreende e engloba a dimensão biológica, a psicológica e a sociológica, valorizando-as e atribuindo-lhes certa hierarquia.
É aí que se aprofundam as raízes inalienáveis de sua dignidade como ser humano.

Por isso, lembre-se:

Você pode sempre, e livremente, tomar uma atitude diante de qualquer situação com a qual tenha de se defrontar.
É justamente nessa tomada de posição que você exerce sua liberdade.
A liberdade está na escolha da atitude a ser tomada cada vez que nos defrontamos com uma situação que não pode ser mudada.
Viver a liberdade implica um dúplice movimento:
por um lado você é livre por não depender exclusivamente de seus instintos nem de suas determinações; por outro lado, você é livre enquanto ser responsável, possuidor de dimensão dinâmicas, significativas, prospectivas; enquanto ser fundamentalmente orientado para a realização e o cumprimento do real sentido da existência.

Um conselho

Não procure a liberdade. Somente em nível de estruturas, de condicionamentos sociais, de imposições vindas de cima.
Busque, antes, a liberdade de poder elaborar um projeto de si mesmo, que envolva os outros, a natureza, a sociedade, num crescendo harmônico e profundamente humano.

Saber usar a liberdade

Você é chamado, hoje, a decidir sobre seu ser moral, a dar uma resposta às interrogações que lhe são colocadas, com tragicidade e realismo, pela vida cotidiana.
Que uso você pode fazer de sua liberdade se o seu trabalho é automatizado, padronizado?
Você trabalha oito ou mais horas por dia, desempenhando sempre os mesmos papéis, digitando sempre no mesmo computador, manuseando sempre as mesmas máquinas, apertando sempre os mesmos parafusos.
Talvez você pense: “O trabalho é uma necessidade, um meio para ganhar dinheiro; uma iniciação à verdadeira vida.
Vou poder manifestar plenamente minha personalidade, minhas aspirações íntimas somente nas horas livres: essa é a ‘verdadeira vida’ ”.
Que uso você pode fazer, então, de sua liberdade, se o seu tempo “livre” lhe reserva aborrecimento, angústia, solidão?
Você sentia-se reduzido a frangalhos porque estava às voltas com um trabalho que não lhe permitia realizar o significado real de sua existência e lhe provocava uma pobreza interior que você queria e devia vencer a todo o custo.
Agora tem à disposição um “tempo livre forçado” e sente-se “condenado” ao divertimento.
Enfrenta, então, os engarrafamentos das estradas, às vezes sob um sol escaldante; ou entoca-se num cinema, numa danceteria ensurdecedora, num bar cheio de fumaça.

Lembre-se:

Como no trabalho automatizado e despersonalizante, também nos momentos de ócio absoluto jamais você poderá sentir-se u ser responsável, único, insubstituível.
Que uso você pode fazer de sua liberdade se, em circunstâncias contrárias, procura inutilmente um trabalho, por dias a fio, pois é uma das vítimas da recessão, da crise econômica?
Paradoxalmente, você tem muito tempo à disposição, mas a liberdade parece perdida na névoa da indefinição.
O vazio de seu tempo é o vazio de sua consciência.
Permanecer desocupado provoca um sentimento de inutilidade; talvez você até chegue a pensar que sua vida não tem mais sentido.
Enfim, que uso você pode fazer de sua liberdade se, tendo atingido um limite de idade, consideram-no um aposentado e, como tal, o dispensam do emprego, mandando-o para casa?
Os hábitos que, por anos, Sustentaram o seu dia desmoronam...
Você perde o ritmo de vida que modelou múltiplas e ricas atividades.
De repente privam-no de uma função que você desempenhou bem por tanto tempo.
Você já viveu bastante e, agora, com a aproximação da velhice, experimenta certo vazio interior e certo medo do amanhecer, quando tudo tem de recomeçar.
Medo de continuar a sorrir, de recomeçar a lutar.
Acaba até sentindo certa culpa de ainda estar vivo.
Corre o risco de sentir-se inútil, Abandonado, triste.
O que fazer, então?
Fugir de si mesmo?
Para onde?
Para a neurose, para a depressão?

Preste atenção!

Afugente as divagações que o afastam de si mesmo.
Estabeleça um espaço, um deserto onde você possa se reencontrar.
Mais do que a ausência de homens e de mulheres, o deserto é a presença de Deus.
A concentração e a meditação irão ajudá-lo a descobrir as tarefas que você foi chamado a realizar .
Essas ocasiões, essas possibilidades nunca mais voltarão, porque são específicos, individuais, concretas.
Compete a você decidir que influência terão. Somente atendendo aos apelos que chegam de pontos diversos, você poderá descobrir o sentido mais verdadeiro de sua existência.

A consciência como guia

Ser homem, ser mulher
significa ir além de si mesmo.
A essência da existência humana encontra-se na própria auto-superação.
Ser homem, ser mulher quer dizer
estar sempre voltado para alguma coisa ou para alguém, oferecer-se e dedicar-se plenamente a um trabalho, a uma pessoa amada, a um amigo a quem se quer bem, a Deus, com quem se deseja viver em comunhão.
A transcendência torna sua vida não-dividida, não-seccionada.
Você está em relação com o outro.
Sua existência é o testemunho mais autêntico de que a vida é relação. Eis as autênticas dimensões da liberdade.

Me deixa em paz
Enviado por Me deixa em paz em 20/01/2006
Código do texto: T101638

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Sobre a autora
Me deixa em paz
Fortaleza - Ceará - Brasil
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