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SENTIDO DA PÁSCOA HOJE

A Quaresma é um tempo propício pelo qual nos preparamos para a Páscoa, grande acontecimento para a fé cristã. O mundo, depois de dois mil anos se transformou e estas transformações sociais, políticas, econômicas, religiosas deram novo sentido  à muitas coisas e há muitos acontecimentos.
Poderíamos dizer que a Quaresma é uma espécie de escola, onde somos convidados a buscarmos o essencial da nossa fé e da nossa vida. O jejum, a oração e a caridade vem nos mostrar que o mais importante não é o ter, o poder, o supérfluo. Tudo o que é material passa, ficando apenas as coisas essenciais e estas nos vem do alto, mas precisamos almejá-las.
Pelo jejum somos convidados a nos alimentarmos o suficiente, deixando de lado os exageros que muitas vezes acabam prejudicando nossa vida e nossa saúde. Faz-nos pensar naqueles que realmente passam fome, não porque querem, mas porque são vítimas dos que acumulam tudo para si, vítimas da ganância que nos fecha e nos torna insensíveis diante das pessoas. Com o convite à oração somos convidados a nos darmos contas que Deus vêm ao nosso encontro porque nos ama e Ele quer se comunicar conosco. Somos seres imanentes, porém voltados ao transcendente. A oração nos ajuda a contemplarmos desde já a transcendência  de Deus. A caridade nos torna mais fraternos, mais irmãos, mais abertos. Quem diz ter fé a não pratica a caridade, sua fé é morta. (cf. Tg 2). A caridade nos ajuda a entender que não somos ricos o suficiente ao ponte de nada necessitarmos e tão pobres que nada podemos dar. O próprio Jesus disse: "Recebestes de graça, dai de graça" (Mt 10, 8).
Estes três aspectos, virtudes cristãs, nos ajudam a mergulharmos no espírito da Quaresma que conduzem à alegria da Ressurreição. Só poderemos sentir a alegria de ressuscitar com Cristo  se tomarmos nossa cruz e o seguirmos; se formos capazes de morrer para o pecado. Sem morte para o pecado, para o superficial, não poderemos ressuscitar, sermos pessoas novas para a graça, para a vida nova, para o essencial de nossa vida.
A Páscoa para muitas pessoas não passa de uma cervejada, de muito chocolate, de muita festa, mesmo sem saber o que esteja festejando. Infelizmente se perdeu muito do verdadeiro sentido da Páscoa. Não são muitos os cristãos que se confessam, para morrer para o pecado, e comungam a fim de poderem com Cristo dizer que venceu o pecado e se alegrar por ressuscitarem para a vida nova, transformada e transformadora.
No Evangelho do III Domingo da Quaresma deste ano (Jo 2, 13-25), contemplamos Jesus expulsando os cambistas e vendedores do Templo que tinham transformado este santo lugar num ambiente de comércio, enquanto este era o lugar de oração e encontro com Deus. Em vez de ser um lugar de caridade, tinham transformado num lugar de exploração. Em vez de ser um lugar de oração, tinham o transformado num lugar de comércio. Esta cena mexeu profundamente com Jesus: “O zelo pela casa do pai...” (Jo 2, 17) o consumia e fez com que Jesus praticasse uma cena não muito comum com o que se estava acostumado a ver a seu respeito. Jesus quis chamar a atenção das pessoas para o verdadeiro sentido daquele lugar.
Trazendo esta cena para o mundo de hoje, Jesus faria um chicote e passaria em muitos cristãs que fazem da Páscoa uma festa apenas comercial, comendo, bebendo, vendendo. Jesus chamaria a atenção de todos nós cristãos dizendo que isso não é o mais importante e sim a celebração da vida que Ele mesmo veio nos anunciar. Porém só chega a alegria da Páscoa, como já fora dita acima, quem, junto com Jesus carrega a cruz dos seus pecados e morre para eles.
Todo o sofrimento de Jesus não tem fim com a morte, mas com a ressurreição. O sofrimento de nossa vida nos purifica, nos santifica e nos conduz a uma vida nova, para uma alegria renovada junto de Deus.
A Páscoa acima de tudo é vida. Vida que brota da dor, do sofrimento, da cruz. Vida que renova a tudo e a todos que passam pela cruz. A morte não é uma barreira para a vida nem o fim último, mas uma passagem para a vida que não tem fim.

Hermes José Novakoski
Farroupilha, 18/03/2006
Hermes José Novakoski
Enviado por Hermes José Novakoski em 18/03/2006
Código do texto: T125066
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Sobre o autor
Hermes José Novakoski
Marituba - Pará - Brasil, 35 anos
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