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Dia do Trabalhador

1º de Maio
No lazer de comemorar o Dia do Trabalhador, dou continuidade à veia nada crónica de ser cronista, acabo escrevendo "Mensagem>Religiosa". Se ontem pugnei pela identidade de ler e escrever com a mesma real_idade, hoje faço da religião identidade: idêntica idade da nossa realidade. Quem não tem religião não se (re)liga..., sente-se perdido.
Fui criado na Fé católica, feito cristão por baptismo e ateu construindo desde criança o meu próprio catecismo. O qual é devedor da fé pela vida, Fé pela Verdade que nunca é dada pois tem de ser descoberta: como o doce ou amargo, quente ou frio, amizade ou rancor. Alimentamo-nos de sensações, criamo-nos de razões.
Seria uma história longa...
Assim como ontem fui motivado por "causas próximas", também ontem pensei escrever esta crónica baseado em idênticos motivos. Vou pois limitar-me a transcrever o que escrevi já anteontem, fruto destas amizades, proximidades, complementaridades, melhor dizendo para dizer tudo: correspondências com quem me escreve, porque eu lhes escrevo...

O "chato" de imaginar conversas com Deus é Deus ser impossível, falar com a imaginação é só imaginação! Ler diálogos com Deus que não sejam só orações dum ser dum rebanho balindo ao pastor, não dão nada de credível. Nas orações de Fé é sempre possível acreditar!
Ser ateu não é mau em si mesmo, mas reconheço que é péssimo para os crentes carentes. Daí as fogueiras da Inquisição terem sido purgas, para além de diversão numa época ainda mais obscurantista que a actual. Embora a actual não seja muito melhor, mas já há menos Igreja e mais Fé? Não, há só menos Igreja, o que já é um progresso.
Poderá haver Fé sem Igreja? Pode mas é difícil, essa é a Fé que acredito, apenas fé (Fé contudo...)! Só se pode ter Fé em valores transcendentes: Liberdade, Verdade, Fraternidade, Democracia..., a Fé é sempre difícil.
Com respeito pela V. Fé, resolvi comentar.
Abraços,
F
[Acabei por continuar, num "post scriptum"...]
No tocante à Religião, campo do conhecimento humano onde se pode desenvolver um diálogo sobre a Fé: o melhor que se pode encontrar é ver_ter dito/escrito «sem Fé não há Religião», está tudo dito!?...
Gostava de encontrar um religioso capaz de analisar a sua Fé, o resultado é confrangedor. Gosto de ler os "Pensamentos" de Pascal, as "Confissões" de Santo Agostinho, procuram debater as suas perplexidades  e expor as suas dúvidas, quando afirmam a certeza da Fé dizem saber o mesmo que os ignorantes e irmanamo-nos na necessidade d'um Deus que nos governe'!...
Não lamento os homens inteligentes que tentam demonstrar o indemonstrável, lamento é vê-los satisfeitos sem demonstrarem coisa nenhuma, dizendo que o que não se demonstra demonstrado está! Não é isto? Há verdades que nos apetece julgar estar enganados, mas... esta é a minha fé. Enquanto não me provarem estar errado, continuarei a pensar estar certo? Que remédio!...
Creio ser este o "remédio" dos homens com Fé, enquanto não lhes provarem que a sua Fé é errada, eles é que estão certos! E como isto é verdade... é esperar que as igrejas venham a ser proibidas como instituições públicas, aceites como privadas, controladas por instituições públicas: fisco e polícia. Entretanto o Homem só pode dar cabo do mundo, pois têm meios para isso! Como não consegue viver sem Fé e Deus[(es), não é o que queriam/querem ser reis e imperadores, poetas e cantores?], a melhor solução e a mais fácil, é cada vez mais difícil... O mundo está a prazo!
Isto é ser céptico? Será... Qual a diferença entre o realismo e a realidade? É só o tempo de verificar que a ideia estava certa. Portanto?... Ninguém que tenha Fé está errado! E o mundo? Não morremos todos? Não sabemos que até as estrelas morrem? Porque havemos de deixar que sejam os nossos filhos a ter essa certeza?...
É por aqui que a porca torce o rabo... nunca a certeza será Fé, mesmo se esta certeza nunca esteve em causa! Leva-nos longe a Fé... ao desejo de acreditar em alguma coisa e, de preferência, que não seja o Fim do Mundo. Quase lá cheguei...:)

{Todas as pessoas que têm uma Fé me deixam feliz, se conseguem transmitir a Verdade em que acreditam sem sentirem que ela está posta em causa pelo facto de não ter de ser minha. Infelizmente a maioria dos crentes são uns infelizes... A minha fé, já escrevi sobre isso, é a poesia: na Poesia e em toda a forma de arte, é a alma da Arte! Faz corpo com o corpo, é cada tropo.
O que é que o Dia do Trabalhador tem a ver com religião? É pensar, não há nada que não tenha a ver com a religião.
Reli, religião é a região viva da vida: é onde nos podemos e devemos preparar para morrer, preparar para outra vida? Não devemos fazer isso sempre, de preferência antes de deitar para dormir? A vida, sempre outra e a mesma, é tudo. Quem quer ir viver para o Céu? Só um arrogante ignorante e estúpido diria: eu! Isto se estivesse numa situação onde fosse obrigado a pensar: o que é o Céu? Agora... qualquer um quer ir para o Céu!}

Ontem, antes de dormir, a última coisa do dia, foi ler uma amiga e deixar-lhe como comentário «Bom ver-te a olhares-te no espelho da tua escrita», o texto dela "Auto-retrato". O seu nome? Helena Sut.
http://www.recantodasletras.com.br/cronicas/148142
Do seu texto, passo a um outro «Carta à minha mãe». O seu autor? Nel de Moraes.
http://www.recantodasletras.com.br/cartas/146858
O comentário, depois do publicar tendo por público o autor, escrevo-o tendo por público a minha consciência feita de todos os deuses e pessoas que conheço e reconheço. O que é que acontece primeiro? O que é que acontece?
A escrita é para mim uma experiência religiosa, o meu comentário à carta do Nel:
«Exercício difícil este, a emoção a ferir o afecto procurando equilíbrio e sentimento. O ferir não é por acaso empregue, é o verbo a enterrar-se na carne. A experiência do dizer que não pede o som da voz - di-la habitando o Silêncio - "música das esferas", abre a noz partindo-a. É fruto seco, não sumarento suco duma polpa macia. Quem lê partilha a insegurança de procurar o equilíbrio em equilíbrio alheio, como se também aí procura-se dizer o que sente. Depois da travessia feita, rendemo-nos à dificuldade do que não é simples. Mas sem euforia, com respeito. Parabéns! Desculpa a liberdade de publicitar teu texto...»

Sogueira,
Se é a partir da ignorância que chega a Deus, Deus é a resposta a todas as suas dúvidas! Certo? Então para quê querer saber como é criada uma célula? É que a ciência já dá respostas à sua pergunta! A descrição duma célula, ela mesmo já contém o inicio da resposta. As coisas são o que são, agora voltemos à sua questão (?): o que é Deus?
Claro que dá muito trabalho ter Fé, para não se perder não se quer mesmo pensar em nada que a ponha em causa. O melhor é não pensar no assunto!...
Infelizmente a Fé não passa disso, é um gosto: não se deve discutir. Mas, no caso de querer analisar o seu crer... tem-o porque quer. Eu não "quero" a minha crença, mas tal como todo e qualquer interlocutor, tenho o que creio.
Saber o que se tem (se não for nada de mal) é um sossego - tão bom, 'o maior cego é o que não quer ver'!... Vou confessar, para ficarmos conversados e ficar dito que estou grato pelo comentário e estaria sempre fosse qual fosse, é uma atenção e consideração antes ou depois de qualquer outra... (des)consideração: nunca a religião me separará de ninguém (posso evitar a pessoa, nunca a sua religião)! Agora... acreditar em Deus porque não sei como se cria uma célula? Eu estudei a célula, é um mundo fabuloso! Desde logo porque pode ser estudado sem nada de fábula, é uma pesquisa apaixonante.
É uma tentação dizer-lhe como se forma uma célula, mas a questão não é mesmo essa: a questão é saber como se forma uma certeza; é tê-la por resposta, ignorando o resto?
Abç
F

O n_osso a_ss_unto... é daqueles que não tem conclusão, algum tem? Só os teoremas e veja o que são, demonstrações. Não pretendo demonstrar nada, adoro pensar que a vida é um milagre! Desculpe acrescentar a minha resposta ao seu comentário ao texto por si comentado, todo ele um comentário sobre o que entendo na região do conhecimento que damos por Religião. Gostaria de lhe dar a conhecer um comentário magnifico que recebi, pois vem ao encontro no ponto... e aqui prometo acabar:
«religião tem na raíz o "religare" o trabalho é nossa ligação com o mundo além de nós», é um espectáculo festejar o Dia do Trabalhador entregue ao descanso. Comentário
Enviado por Juli em 01/05/2006 10:47
para o texto "Dia do Trabalhador"
Por aqui: 01-05-2006 15:28:38
Francisco Coimbra
Enviado por Francisco Coimbra em 01/05/2006
Reeditado em 01/05/2006
Código do texto: T148318

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Sobre o autor
Francisco Coimbra
Portugal
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