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TERROR

Talvez seja esta uma das palavras mais actuais, aquela que mais anda «na boca do mundo»: terror. Terror é um grande medo que se provoca ou se sente, e está relacionado sobretudo com actos de violência.

Ao mencionarmos a palavra «terror», logo nos lembramos do dia 11 de Setembro deste primeiro ano do terceiro milénio da era cristã. Um atentado terrorista provoca o pânico, a destruição e a morte, além de pôr em causa um regime e uma superpotência até então considerada inexpugnável.

EUA: o país mais desenvolvido, mais rico, mais poderoso, mais autoconfiante, mas ao mesmo tempo tão dado à corrupção, ao desenfreado capitalismo mercantilista, à exploração e à avareza. Quando uma desgraça daquelas lhe acontece, com um tão grande número de vítimas inocentes, onde está a autocrítica? Onde está o reconhecimento dos atentados e morticínios cometidos, por esse mundo fora, com a destruição de cidades e populações indefesas e igualmente inocentes? Ao fazer luto por aquelas, é preciso não esquecer estas e chorar também por elas.

Nenhuma guerra, nenhum terrorismo tem justificação possível.
Mas onde está a humilhação e o reconhecimento de que «quem semeia ventos colhe tempestades»?

Contra os terroristas também eu fui enviado, como tantos outros jovens militares, enviado para África, a fim de defender, como então se dizia,
«a integridade da Pátria multirracial e pluricontinental, una e indivisível». Com a revolução de 25 de Abril de 1974, os terroristas saíram vitoriosos, com o nobre estatuto de «movimentos de libertação». No entanto a guerra, o terrorismo, a violência, continuam em Angola, entre dois desses «movimentos». Movimentos apoiados por quem? Julga-se que, precisamente, por algumas daquelas potências ocidentais que se proclamam defensoras da liberdade, da paz e dos direitos humanos, contra o terrorismo... sobretudo quando ele lhes cai em casa. É que em Angola há riqueza: ouro, diamantes, petróleo, cobiçados por países ricos e poderosos.  Entretanto,  o povo angolano  vive, cada vez mais, numa profunda miséria, ao contrário dos países do «primeiro mundo», desenvolvidos, democráticos e cristãos, alguns dos quais o vão explorando(directa ou indirectamente), cavando assim, mais ainda, o enorme fosso entre ricos e pobres. E não será esse escândalo, generalizável a muitos outros povos extremamente pobres, não será ele uma das causas da eclosão e do alastramento do terrorismo?

Há quem pense que se trata  dum problema de raça (negra) ou de religião(muçulmana). E o terrorismo em Espanha? E na Irlanda?
E os «skinheads»? O terrorismo não tem cor nem religião.
 
Pode denunciar-se o fundamentalismo. Mas haverá só um? Todo o fanatismo enferma do mesmo mal, seja ele islâmico, judaico, cristão ou ateu. Seja de cariz religioso, político, cultural ou étnico.

E quando se agita uma bandeira religiosa, e se faz uma «guerra santa», isso é apenas um pretexto. Recorre-se a uma ideologia para legitimar o vandalismo. É assim que, «em nome de deus», já em épocas remotas, de acordo com certos registos exarados no Antigo Testamento, Israel, liderado por Josué, foi à conquista duma terra para si e apoderou-se dela. Invadiu e assaltou Canaã, destruindo as cidades e chacinando os seus habitantes, incluindo mulheres e crianças indefesas.

E não foi também «em nome de deus» (com o aval do Papa) que Portugal foi feito? Fez-se um país, conquistando aos mouros o território onde estes viviam. Uma guerra de terror e muitas vítimas!

«Em nome de deus» as cruzadas contra os mesmos ditos «infiéis»;
«em nome de deus» o Santo Ofício, ou Inquisição, braço da contra-reforma, que não só perseguiu e chacinou os protestantes, mas também os judeus e todos os «não gratos» ao catolicismo romano e ao poder político que  deu suporte a esse tribunal de tortura e de terror.

Mais recentemente, também «em nome de deus», a guerra da Irlanda. A invasão do Afeganistão e do Iraque com o apoio de “cristãos” americanos e não só.
Toda a guerra é monstruosa. Não há guerras santas. Toda a guerra gera terror, e todo o terrorismo é uma expressão de guerra.

Ainda no século passado, com Adolfo Hitler, aconteceu o terror nacionalista nazi que deixou um rasto de atrocidades arrepiantes cuja lembrança é e sempre será tão perturbadora quão revoltante.

E que dizer do terror de Hiroxima e Nagasaqui? E do que aconteceu no Sudão, no Kosovo,  na Somália, no Golfo? E do que continua a acontecer no Médio Oriente, aquele interminável conflito entre israelitas e palestinianos? Para não falar do mais recente conflito nessa área geopolítica em que tantos e tantos inocentes (judeus e árabes) têm perdido a vida.

A civilização ocidental assume-se como cristã ou, no mínimo, inspirada no Cristianismo? No entanto, Cristo ensinou a Paz e deu a vida pela Paz! Ele ensinou: «Bem-aventurados os pacificadores...» (Mateus 5.9)
Ser pacificador, ou seja, construir a paz e investir na reconciliação, será compatível com esta sede de vingança, a que chamam retaliação?
«Não vos vingueis a vós mesmos» – escrevia o Apóstolo Paulo aos romanos» (Romanos 12, 19)

Assiste-se a uma escalada de ódio. Ódio que gera mais ódio. Arrogância e ódio de morte, de parte a parte. Aonde irá parar o nosso mundo? Qual o futuro deste mundo tecnologicamente tão avançado mas humanamente tão vazio, tão degradado?

Nós, ocidentais que, repito, nos dizemos cristãos, precisamos de escutar e praticar o que o  Mestre ensinou: «Ouvistes que foi dito: Olho por olho, dente por dente. Eu, porém, vos digo que não resistais ao mal, mas se qualquer te bater na face direita, oferece-lhe também o outra...Ouvistes o que foi dito: Amarás o teu próximo, e aborrecerás o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: Amai os vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem.» (Mateus 5, 38/39, 43/44)
Não se pode esperar dos cristãos, menos do que orarem pela paz e  promoverem a paz!
A mensagem do Cristo em Belém, quando se fez Homem, foi: «... paz na terra, boa vontade...»! (Lucas 2, 14)
Para quando, meu Deus?


Orlando Caetano
Enviado por Orlando Caetano em 22/08/2006
Reeditado em 05/09/2006
Código do texto: T222330
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Sobre o autor
Orlando Caetano
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