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FELIZES OS MISERICORDIOSOS

Conta-se que em Roma, nos dias de Caio César, quando no grande circo se exibia ao povo combates com feras, um escravo foi lançado à arena. Chamava-se Androdes.
O leão, ao vê-lo à distância, estacou como que admirado e depois aproximou-se lentamente e começou a lamber-lhe os pés e as mãos.
Androdes ganhou coragem e olhou para o leão. Então, homem e leão como que se saudaram, aparentando reconhecerem-se. O povo, pasmado, rompeu em gritos de aclamação.
Caio César chamou o escravo e perguntou-lhe a razão daquela cena.
Foi então que Androdes relatou uma estória surprendente:
Um dia, tendo fugido do seu cruel Senhor, escondera-se numa caverna. Pouco tempo depois, entrou nessa mesma caverna um leão com uma pata ferida, a sangrar. Ele gemia de dor.
A princípio, Androdes ficou aterrorizado. Mas o leão ergueu a pata para ele e o escravo viu uma enorme lasca de madeira enterrada na sola do seu pé. Removeu-a com cuidado e tratou da ferida o melhor que pôde. O leão, aliviado, deitou-se a repousar.
Anos depois é que ambos se encontraram nesse famoso circo.

O que aconteceu ilustra bem o que Jesus disse nas bem-aventuranças: “Felizes os misericordiosos pois alcançarão misericórdia”! (Mateus 5, 7)

Então o que caracteriza uma pessoa misericordiosa? O que é ser misericordioso? - É manifestar misericórdia!
E o que é misericórdia? – É amor para com os que se encontram na miséria, isto é, em situação crítica, de sofrimento, abandono, pobreza, dificuldade.
O publicano no templo implorou misericórdia! (não se justificou mas foi justificado)
O bom samaritano exercitou misericórdia para com um homem desconhecido mas necessitado de ajuda.
O cego de Jericó clamou: “Jesus, filho de David, tem misericórdia de mim!” E foi curado.

Deus é misericordioso. Ele é riquíssimo em misericórdia.
O apóstolo Paulo, escrevendo aos romanos, confessa: “Miserável homem que eu sou! Quem me livrará?... Mas logo acrescenta: “Graças a Deus por Jesus Cristo!” (Romanos 7:24-25a)

E quanto vale a misericórdia?
Para alguns vale pouco. Para muitos o que vale mais são as práticas rituais, o cerimonialismo religioso, ou a burocracia, ou as convenções sociais, ou até mesmo as aparências.

Quanto Mateus se converteu (Mateus 9), Jesus entrou em sua casa e comeu com ele e com muitos outros publicanos, os quais eram muito mal vistos pela sociedade em geral e pelos líderes religiosos em particular.
Alguns deles, os fariseus, ficaram escandalizados e reagiram, censurando Jesus por se sentar à mesa com tão grandes pecadores, aquela escória social, aqueles desprezados, aqueles miseráveis!
Mas Jesus lhes disse:  “Ide e aprendei o que significa misericórdia quero e não sacrifício...”
Os fariseus sabiam muito das Escrituras e dos códigos da tradição judaica. Mas eles não sabiam o mais importante: o significado e o valor da misericórdia!
Usavam “óculos” legalistas, “coavam mosquitos e engoliam camelos”, julgavam-se mais santos do que ninguém...
Jesus usou de misericórdia não desprezando os miseráveis marginais, convivendo com eles e escolhendo até um deles para seu apóstolo. Porque “os sãos não precisam de médico mas sim os enfermos...”

Mais tarde, os discípulos de Jesus colheram espigas para comer no dia de sábado. E logo os fariseus (esses mesmos que davam mais valor à letra da lei do que ao espírito...) censuraram Jesus por permitir aquilo que consideravam uma transgressão do Sábado. Jesus falou e, aos legalistas do seu tempo, Ele disse uma vez mais: “Se vós soubésseis o que significa misericórdia quero e não sacrifício, não condenaríeis os inocentes!”
Que quis dizer Jesus com isto?
Que o cumprimento da lei de Deus não consiste em meras formalidades exteriores mas sim em realidades interiores, espirituais e práticas, na expressão de amor ao próximo!

“Felizes os misericordiosos porque eles alcançarão misericórdia!”
O que quer isto dizer?
Que quem foi bafejado pela misericórdia divina e por ela continua grato, é natural que seja também misericordioso. E quem é misericordioso será tratado com misericórdia.
Para ilustrar este ponto, Jesus contou uma estória: a parábola
do credor incompassivo.
- Um servo devia ao seu rei 10.000 talentos (moeda antiga, uma soma avultada)
Então suplicou ao rei:
“Senhor sê generoso para comigo...”
E o rei, movido de compaixão, perdoou-lhe a dívida!
Saindo dali, aquele servo encontrou um dos seus companheiros que lhe devia a pequena quantia de 100 dinheiros e exigiu-lhe: “Paga-me o que me deves”
O outro suplicou: “Sê generoso comigo e tudo te pagarei!”
Mas ele não quis saber e meteu-o na prisão
Então o rei chamou-o e disse-lhe: “Servo malvado, perdoei-te uma tão grande dívida e tu não foste capaz de perdoar ao teu companheiro a ninharia que ele te devia?”
Nós fazemos o mesmo: somos intransigentes com os outros, esquecendo-nos de que muitíssimo maior era a nossa dívida e Deus no-la perdoou!

Agora perguntemo-nos:
- Sei eu o que significa misericórdia?
- Sei que Deus quer misericórdia?
- Já pensei no incomensurável valor da misericórdia de Deus para comigo?
- Já aprendi a orar como Jesus ensinou: Perdoa-nos as nossas dívidas assim como nós perdoamos ao nossos devedores?
- Existe em mim esta atitude?

Que cada um de nós faça um exame de consciência.
Orlando Caetano
Enviado por Orlando Caetano em 01/09/2006
Código do texto: T230170
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Orlando Caetano
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