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PAGAREMOS COM A MESMA MOEDA


PAGAREMOS NA MESMA MOEDA



O homem nasce, cresce, constitui família, fica velho e termina comumente sua missão terráquea, na mais absoluta solidão.
Os filhos sem nenhuma justificativa plausível, relegam os pais a verdadeiro ostracismo, como se estes houvessem cometido algum ato digno de repreensão ou castigo.
E estes, às vezes, na inocência de suas mentes desgastadas pelo passar do tempo, sofrem calados tamanhas injustiças, sem o direito de defesa, o que lhes é outorgado pelas leis dos homens.
No entanto, por não mais terem o discernimento do que poderiam usufruir em favor dos seus bem-estares, são, as mais das vezes, condenados a sofrimentos desumanos e humilhações inconcebíveis.
O homem, apesar da inteligência que é dotado, comporta-se como um ser irracional, quando se trata do relacionamento que deveria dispensar aos seus pais, quando estes atingem a maturidade de suas idades.  Lógico, existirem as exceções.
Infelizmente, no meu clã familiar, a indiferença predomina no tocante a atenção dispensada a minha mãe pela maioria dos seus filhos.
Esquecemos ter sido ela a responsável direta por o que hoje representamos dentro de uma sociedade pervertida, onde o homem, infelizmente é medido pelo seu grau de intelectualidade e pelos valores materiais acumulados. E nós, conscientes dessa realidade e em sua maioria possuidores destes pseudos valores, expatriamos quem colocou muitas vezes sua vida em risco, em defesa das nossas.
O que ora cometemos é um verdadeiro escalabro por quem tanto nos amou e nos guiou no caminho por onde só trilham os homens de bem.
Inconcebivelmente, apesar do seu esforço e abnegação, comportamo-nos como seres desprovidos de sentimentos de amor ao próximo.
Parece até que foi passada uma borracha em nossa memória débil, apagando tudo aquilo que ela gratuita e como que obrigatoriamente nos presenteou.
São oitenta e nove anos de muita labuta, dando tudo de si para nos oferecer sempre o melhor.
Quantas noites maldormidas em detrimento do nosso bem-estar! Do nosso sono tranqüilo e reparador!
E nós, em contrapartida, retribuímos essas benesses com ingratidão e desprezo.
Mas mãe, não se preocupe com o que estamos lhe causando. A senhora é dotada de um espírito superior e o tempo haverá de nos mostrar que o caminho não é esse. Perdemos-nos no meio da viagem. Quando enfim nos encontrarmos na caminhada, compreenderemos que os nossos filhos vêm atrás de nós, seguindo nossos passos. Aí, talvez tardiamente, veremos que os estamos induzindo a percorrerem o caminho por onde não deveríamos ter percorrido. Mas, como o tempo não retrograda, haveremos de pagar na mesma moeda.
Que o Pai celestial escreva o Seu bendito nome com as tintas indeléveis do amor imensurável que devota aos seus filhos, nos corações dos que te amam e estão contribuindo para a tua paz espiritual.
Que Deus a bençoe mãe e com sua bondade indizível, perdoa-nos.
 
 



Verseiro
Enviado por Verseiro em 30/08/2007
Código do texto: T631081
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Sobre o autor
Verseiro
Salgueiro - Pernambuco - Brasil, 75 anos
22 textos (1072 leituras)
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