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Divagando...Julgamento Precipitado...

Divagando...Julgamento Precipitado...

“Não julgueis, e não sereis julgados” “(...) por que com a medida que tiveres medido, vos medirão também.” Lucas, cap. 6, v.37/41.

Um casal se apaixonou perdidamente, resolveram se casar e viviam muito bem, respirando amor, confiança e respeito.
Certo dia, Elisa, como se chamava a jovem esposa, havia ido às compras e na volta ao pegar o ônibus de volta para casa, encontra uma amiga de infância que há tempo não via. Conversavam muito... Mas, no banco de trás estava sentada uma vizinha de Elisa, que procurava escutar tudo que ambas diziam, foi assim que para seu espanto ouviu a seguinte conversa:
- Sabe Josi, eu adoro o Tobi, ele faz parte de minha vida, não consigo mais viver sem ele , quando não estou perto dele parece que me falta algo, e eu sei que para ele também é assim, pois quando me vê, noto a alegria em seus olhos...
- Mas, Elisa e o Jorge, seu marido?
- Ah! Ele faz todas as minhas vontades, o amo muito, continuo perdidamente apaixonada por ele...
 A vizinha no banco de trás estava muito interessada na conversa e assim ficou de ouvidos atentos até chegar ao ponto de parada, onde ela e Elisa desciam, o que fez com discrição para não ser vista por ela.
À hora do jantar, o qual esperou impaciente, mal seu marido entrou em casa, foi lhe contando tudo o que ouvira e acrescentando mais detalhes para garantir o êxito de sua história. O senhor foi ficando indignado, pois Jorge era seu amigo, companheiro na loja de auto-peças em que ambos trabalhavam. Ficou mesmo contrariado, e sua esposa feliz por ver a zanga que, dele se apossara, pensava “aquela sirigaita metida, agora tinha seu segredo revelado, sim seria bom para ela”...e sorria para si mesma, antegozando o prazer de saber que Elisa passaria por maus momentos.
Desde então, passou a observar com maior cuidado a vida da jovem senhora, até que em uma tarde viu quando um jovem entrou na casa de Elisa, ficando à espreita, à espera de poder descobrir se ele seria o tal Jobi.  Novamente, à noite, à chegada de seu marido tinha novidades, as quais floreou a seu modo, o que deixou seu marido mais revoltado, pensando que deveria dizer a seu amigo, Jorge, toda a verdade.
No dia seguinte, encontrou a ocasião propícia, e revelou a ele tudo o que sua mulher lhe contara.
Para Jorge fora uma terrível notícia, não podia acreditar, pensava que havia algum engano, pois que Elisa nunca o trairia...mas a desconfiança abriu caminho para sentimentos e pensamentos inferiores e que acabaram por avolumar em sua mente. Coisas que até então não dera atenção, mas agora tinham grande significado. Agradeceu ao amigo e desnorteado saiu do trabalho dirigindo o carro sem rumo, precisava pensar, clarear a mente, mas quando percebeu estava chegando a sua casa, entrou sem fazer ruídos e vê um jovem e sua esposa conversando na sala. Sua visão se turvou, seus olhos injetados de sangue pelo ódio que sentiu naquele momento, fê-lo recuar ao carro e no porta luvas pegar uma arma e  como se fosse um robô, entrou atirando em sua esposa e no rapaz, os quais em seus olhos demonstraram enorme espanto antes de caírem mortos.
 Jorge alucinado aponta a arma para sua cabeça e comete o suicídio.
No velório lá estava a vizinha, que vem saber que Job era o cãozinho de estimação de Elisa e o jovem assassinado era um tapeceiro que viera consertar a poltrona que  Jorge mais gostava, e seria o presente de aniversário que Elisa lhe preparava...
Mas, uma vez as trevas dominaram às mentes através do julgamento precipitado, causando terrível processo de resgate para os envolvidos na trama dolorosamente preparada e executada.

Esse conto, reporta aos ensinos Jesus, o Cristo: “Não julgueis, e não sereis julgados, não condeneis, e não sereis condenados; perdoai e sereis perdoados.”
“Por que vês tu o argueiro no olho de teu irmão, porém não reparas na trave que está no teu próprio?”
“(...) por que com a medida com que tiveres medido, vos medirão também.” Lucas cap. 6, v.37, 38, 41
Como é fácil fazer-se um julgamento, cria-se um tribunal onde há juiz, júri, promotor, mas não advogado de defesa, e pela condenação irrevogável, não há apelação.
Como é fácil advogar em causa própria, pois se tem sempre a desculpa a seu favor; e para o próximo, todos os argumentos desfavoráveis.
Os erros da vida alheia se abrem aos olhos, revelando todo o mal, descobre e aponta-se o lado imperfeito do irmão, porém, quem assim o faz é por que tem a maldade em seu coração.
Diz-se: o que se vê de errado no irmão é sua projeção, ou seja, a trave no olho impede de enxergar o próprio erro, mas mesmo assim consegue ver o engano do próximo, sem cogitar que venha a ter esse mesmo erro em si mesmo.
Como disse Jesus: “(...) Hipócritas, tirai primeiramente a trave do vosso olho, e então vereis claramente para tirar o argueiro que está no olho de vosso irmão.” Lucas, cap. 6, v. 42
Jesus condena a maledicência, ou seja, murmurar-se contra a vida do semelhante, por que pode ser que, alguém seja acusado injustamente, e caso seja real a sua falta, as pessoas não se detêm para analisar que, talvez, a outra não entenda ainda a extensão de seu gesto, devido ao grau de inteligência, de adiantamento espiritual e também, às circunstâncias em que se vê envolvido naquele momento.
Em fim, com essa atitude de julgamento, partindo de maldizentes, agrava-se a situação penosa daquele que se encontra preso nessa vibração nefasta, pela emissão de pensamentos contrários que lhe chegam, acontecendo assim o escândalo, pois a murmuração traz o escândalo.
Disse Jesus: “Ai do mundo, por causa dos escândalos; por que é inevitável que venha os escândalos, mas ai do homem pelo qual vem o escândalo.”  Mateus, cap. 18, v. 7.
O argueiro é o defeito que se nota na vida dos outros, a trave é o erro que se comete e a imperfeição de nossa alma. Toda essa atitude está baseada no orgulho, amor próprio, com que se encobre os defeitos, mas como toda ação pede uma reação , a medida usada para com o irmão será a mesma para com o maldizente. Os atos maléficos dão origem a sofrimentos, para quem os cometeu.
Se, tem-se discernimento para enxergar faltas cometidas por outrem, se, usa-se da auto-análise, não se terá essa atitude de julgar, mas sim, de ajudar ao próximo, apoiando, esclarecendo, é o dever de todo aquele que professa a fé cristã, dizendo-se seguidor de Cristo.
Pelo comentário judicioso, o escândalo, destrói-se a honra, a paz , em fim mata-se a esperança e mesmo a fé no coração do irmão que caiu em erro...E lá vem a vida fazer sua cobrança, surgem às aflições, as vicissitudes que atingem aos que fizeram o juízo temerário contra o irmão, é a hora da conseqüência do escândalo.
Quando então, será medido com a mesma medida que usou, ou seja sofrerá, também, a conseqüência de um julgamento precipitado.
Pode-se analisar, em uma outra visão, a cristã, que o maldizente é o verdadeiro amigo, pois aponta o erro, induzindo à correção, se a humildade abrir lhe o coração à voz deste “amigo providencial.” É então, o momento do “perdoai e sereis perdoados.”
(...) “O amor cobre a multidão de pecados”- I Pedro, cap.4, v.8, é esse um ensinamento que está muito relacionado ao outro: “Fazei aos homens tudo o que quereis que eles vos façam; por que é a lei e os profetas.”  Mateus, cap. VII, v. 12.
Evangelho Segundo o Espiritismo: “(...) Não se pode ter guia mais seguro, a esse respeito, que tomando por medida, do que se deve fazer para os outros, o que se deseja para si. Com qual direito se exigiria dos semelhantes mais de bons procedimentos, de indulgência, de benevolência e de devotamento do que se tem para com eles? A prática dessas máximas tende à destruição do egoísmo; (...)”  Cap.XI, item 4. O maior mandamento
Quando o amar ao próximo, fazer a ele somente o bem, por pensamentos, atos e palavras, for uma constante na vida, se estará praticando as leis do amor e trilhando a estrada estreita que leva ao reino de Deus.



 

       

maristella barros
Enviado por maristella barros em 09/10/2007
Reeditado em 26/06/2008
Código do texto: T687841

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