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O Ópio do povo


   Considerando o intento do autor da frase, concordo plenamente com ele; A religião que por um tempo foi considerada (e ainda é) um meio para achegar-se à divindade; perde a cada dia esse sentido para tomar as formas mais variadas dentro do possível.
   Se tivermos a intenção de compreender ou mesmo se relacionar com a divina persona do então deus, normalmente isso ocorre devido a alguma situação desagradável ou por sentimentos negativos, popularmente estar em desgraça; dificilmente alguém procura conforto na religião estando sua vida em plena harmonia, a casos que fogem essa regra, porem são raros (possivelmente também mais sinceros).
   Essa busca pelo alivio instantâneo dos problemas acaba causando um mal maior e mais penoso para todos os que realmente desejam apenas conhecer a divindade apresentada na religião, tudo tem que ser de rápida assimilação tem que ser uma espécie de macarrão instantâneo, as pessoas acabam colaborando e não contestando, com o surgimento de cada vez mais e mais religiões que promovem alivio imediato.

   Um analgésico; a droga milagrosa do alivio.
   É isso que acaba se tornando tudo; e em um ritmo assustador, as pessoas vão em busca de alivio e em menos tempo que imaginam estão tão envolvidas e tomadas pelos ritos e métodos que estão acorrentadas às tradições e crenças que muitas vezes são fundamentadas apenas em seus lideres religiosos.
   A boa fé.
   Assim se diz daqueles que foram ludibriados; abusaram da boa fé.
   Digo que ninguém abusou de coisa alguma.
   Afinal a maior parte desses que se deixam envolver não querem responsabilidade, nem compromisso com questionar nada. Abraçam com fervor e devoção as palavras e ensinamentos desses lobos que se dizem filhos de D´us sem jamais questionar o que ouvem.
   É claro que o lobo é um bandido, mercenário e será punido se não nessa, na próxima vida, mas isso não da o direito de acomodar-se e dizer que é culpa dos outros.
   É como o cidadão que é viciado em cocaína e diz que não teve culpa, alguém lhe deu um pouco ele gostou e quando percebeu que deveria questionar o alivio imediato deixou-se levar.
   Maconha.
   É praticamente sabido por todos os efeitos da maconha, que entre eles traz a sensação de alegria devido seu efeito alucinógeno, porem pensemos em uma pessoa ingênua (bastante ingênua) que esta deprimida, perdeu o emprego, esta sem dinheiro e tudo ta maus, ai vem os amigos e apresentam a maconha como um cigarrinho para aliviar a dor, com o tempo e um processo comum essa pessoa esta acostumada a aliviar-se com uns traguinhos, estaria errado?  Penso que não.
   Porem não é correto, correto seria se alguém que conhece essa pessoa advertisse de forma delicada que esse alivio não é tão benéfico como ela imagina, introduzir aos poucos a idéia geral de seu estado e das limitações desse alivio, oferecer uma alternativa seria um bom caminho, claro que para isso alguém esclarecido teria que ter sensibilidade para ajudar essa pessoa. De forma semelhante teríamos que agir com pessoas frágeis na religião que foram contaminadas pelos lobos, mas sem esquecer que, os lobos, muitas vezes somos nós.
Quando nos tornamos religiosos e defensores de nossa religião e crença.
    A cegueira do vicio.
    Como um viciado torna-se cego para seu vicio, o religioso cego para suas atitudes.
   O religioso não tem pudor nem escrúpulos, ele sempre esta correto afinal deus esta do seu lado.
   Quantas e quantas vezes eu presencio esse momento vergonhoso do religioso acreditando agir da forma correta( sem estar nem perto disso), por que algum infeliz não deu instrução adequada para o individuo. E esse mesmo individuo já esta tão ludibriado pelo seu líder que vai demorar ate ele “cair” na real, normalmente isso só acontece quando ele decepciona alguém e é expulso da igreja ou rejeitado por dar menos dinheiro que os outros.
   
   Semelhança com as drogas.
   Assim como as drogas, a religião da sensação de poder.
   Muitas pessoas sem expressão na sociedade se destacam no meio religioso, seja tocando ou falando, seja por ser eloqüente, ou mesmo só por parecer que é entendido em alguma coisa; tem também os que mentem, inventam um milagre qualquer e lá esta eles, celebridades instantâneas.
   Eu poderia passar minha vida inteira fazendo comparações com drogas e a religião, separando por categoria e efeitos, porem não é essa a intenção; o que realmente desejo é despertar um interesse em vc de questionar se vc vai a igreja para cultuar ou se é só parte de sua satisfação pessoal ao entorpecer-se com as doçuras da religião.
   Muitos conhecem religiosos que são como viciados, a questão é... Esses que podem ver também não são viciados diferentes?
   A religião como um todo sofre de religiosidade, isso causa inevitavelmente um efeito devastador em todos pois todo viciado acredita que seu vicio esta sob controle, que ele não é um viciado.
   A religião é um escape para você?
   Ela faz você se sentir alguém?
   Você se distancia dos amigos e parentes para se dedicar a igreja?
   Você não vai a festas de outras pessoas que não sejam da sua religião?
   Você tem hábitos incomuns( dialeto religioso, ex : varão, misericórdia, ta amarrado; e por ai vai)?
   Você acredita que se não der dizimo sua vida ta na merda?
   Acredita que todo líder religioso(de sua crença) é iluminado?

   Chega; se vc acredita nessas coisas, cuidado vc pode ser só mais um religioso sem vida espiritual no mundo.
   Lembre que Jesus falou de forma simples direta e objetiva:
   Meu reino não é desse mundo...
   As religiões tem pregado materialismo e vida terrestre, cuidado para não estar fazendo da igreja seu escape da dor do mundo.
   Jesus é um alivio para consciência, é uma idéia futura de vida verdadeira, pois aqui é passageira e breve, o Reino é Celeste.
   E como diziam os antigos:
Ubi dubium ibi libertas: Onde há dúvida, há liberdade.( Provérbio latino)
  Duvide de você, e provavelmente você andara na direção correta.

 
   

Ricardo J Schneider
Enviado por Ricardo J Schneider em 07/11/2007
Código do texto: T726758
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Ricardo J Schneider
Santo André - São Paulo - Brasil
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