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Auto de Natal

Na mesma noite em que nasceu em Belém, o Menino Jesus, eu também comecei a existir. Naquele estábulo, junto da humilde manjedoura, prostou-se de joelhos a realeza dos três reis magos para adorar o Menino Deus, e eles foram os primeiros a sentir minha presença.
Depois eu me espalhei por todos os povos do mundo e, sempre que se aproximava as festas natalinas, eu estava presente nos corações de todas as pessoas.
Eu conseguia fazer que o ódio fosse esquecido, que inimigos se abraçassem, que a amizade interrompida fosse novamente reatada.
Eu conseguia até que guerras fossem interrompidas. Com a minha presença, senhores feudais se confraternizavam com seus servos, e reis distribuíam seus tesouros com seus súditos. Tudo isso era feito em meu nome.
Quando chegava o natal, as pessoas sentiam a minha presença em seus corações e a fraternidade tomava conta de todos. Todos se abraçavam e se beijavam. Todos num só pensamento, desejavam que o mundo inteiro, fosse um enorme presépio de amor e paz. Queriam que não houvessem raças nem preconceitos de cor. Que não existissem países nem fronteiras. Que não houvessem ricos nem pobres. Que não existissem governantes ou governados. Que não existissem as guerras nem o ódio. Que acabasse a fome e a miséria, e que os direitos dos homens fossem respeitados. Que todos fossem irmãos e falassem o mesmo idioma. Tudo isso era o que desejavam os que sentiam a minha presença na época do natal. Eu preferiria estar presente nos corações das pessoas, não somente no natal. Eu queria estar presente durante todo o ano. Presente nas mesas de refeições de suntousos palácios, de abastados senhores de fortuna, mas também queria estar na mesa humilde do camponês que trabalha na terra e dela retira seu alimento. Presente nas fábricas, nos escritórios, nos barcos de pesca que enfrentam os ventos e desafiam o mar. Presente nos colégios, nas igrejas, nas prisões, nas ruas e em todos os lugares.
O tempo passou, e hoje já estou quase completamente esquecido. Hoje eu estou presente em poucos corações. Nas festas de natal, já não lembram tanto de mim. Já não vejo nos rostos ou nas palavras a minha presença. Não estou mais nas ruas, não estou nas praças e não estou também nas vitrines das lojas, que se preocupam apenas com os seus lucros.
Fui quase totalmente esquecido. Comercializaram as festas natalinas e me expulsaram dos corações das pessoas. Mas nem tudo está perdido, eu continuo a sobreviver nos corações mais puros que existem no mundo. Corações esses que não conhecem o ódio. Que não conhecem a mentira e nem a desonestidade. Estou falando dos pequeninos e ternos corações das crianças. Neles eu serei preservado eternamente e através deles, um dia voltarei a habitar os corações de todos. Quando isso acontecer, a noite de natal voltará a ser uma noite feliz, uma noite de paz. Ouviremos ainda, o mundo inteiro de mãos dadas, com um só pensamento voltando a dizer: "Glória a Deus nas alturas, e paz na terra aos homens de boa vontade".
Para todos que lerem essa mensagem, um feliz natal, e que me tenham sempre presente em seus corações.
Como?!!! Quem sou eu ?! - Eu sou aquele que teve o privilégio de nascer junto com o Menino Jesus, na longínqua Belém.
Sou também aquele que tem lutado para preservar a pureza da festa de natal.
Não! Não sou nenhum Deus ou potentado. Eu sou apenas... o espírito do natal.
Gecahy
Enviado por Gecahy em 04/04/2010
Código do texto: T2176846

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Sobre o autor
Gecahy
Cabo Frio - Rio de Janeiro - Brasil
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Gecahy



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