Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto







Inexoravelmente

trazendo a lembrança de

Natais sem esperança

sem tréguas nem alegria



Na minha apartada cela

uma a uma cada mágoa

para dentro de mim sangra



Envolve-me pesada névoa

que me inibe como manta

teço ourelas de gracejo

porque por mister carrego

aos limites da minha alma

o esforço de sorrir ainda

por amor de outros que seja

Por esta nesga de vida

Roubada à fada madrasta



Mas não finjo quando rio

prefiro não constranger

em cada hora o meu ser

já que me atrevo a viver

como criança estouvada

que sorri despreocupada

mesmo sabendo que a infância

esteve de mim ausente.



Triste, o olhar não mente

o mal sabe e que sente

do longo penar silente

que me marcou para sempre



Chega compassada a hora

que o mundo comemora

com prendas e impostura



escarnecendo O que pregou

aos poderosos de então

que pensavam tal e qual

como os fartos que cá estão,

fazendo com ar melado

um Natal desirmanado



Cristo, de onde nos vir,

que amargura há-de sentir!



Não tenho Natal, não posso!

Prefiro o fundo do poço

onde sozinha me ouço

e onde triste me afogo

em busca de entendimento.







Poema de Natal de 2005




Maria Petronilho
Enviado por Maria Petronilho em 28/11/2005
Reeditado em 22/12/2006
Código do texto: T77438
Classificação de conteúdo: seguro

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (Maria Petronilho (registo www.igac- ref 2276/DRCAC - Ministério da Cultura, Portugal)). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Livros à venda

Sobre a autora
Maria Petronilho
Almada - Setúbal - Portugal, 64 anos
1238 textos (130517 leituras)
60 áudios (14347 audições)
9 e-livros (5147 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 03/12/16 13:50)
Maria Petronilho

Site do Escritor