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Caridade x Injustiças

Todo o ano é a mesma coisa. Para-se tudo em dezembro para voltar a funcionar, se é que funciona, após a páscoa. Com a injeção do 13o na economia, arquitetos de plantão promovem os maiores festivais de caridade no mês de dezembro (dobram a produção do comércio, inclusive o das cestas básicas). Em janeiro saem os índices e comemora-se a queda do desemprego e a alta no setor comercial ocasionada por um já não tão surpreendente aquecimento das festividades de fim de ano. Fevereiro, quando tudo termina na quarta-feira de cinzas, começamos a cair na real com os impostos: IPVA, IPTU e tome quarenta dias de penitência no preparo da declaração do Imposto de Renda, 27,5% é quase um 1/3 do que ganhamos. Pois é, trabalho é renda. Precisaria cair na páscoa para atentarmos que tudo promovido no natal não passam de boom comercial?
Poucos são aqueles que sem outras intenções promovem a caridade o ano todo. Mas, caridade mesmo são as tais indenizações milionárias aos presos-políticos e o Indulto de Natal ofertado aos presos comuns, já estão dizendo que esses indultos já são "Direitos Conquistados/Adquiridos" dos  Bandidos.
Se não bastasse essa over dose de mensagens dos  ho ho hos do Papai Noel acompanhados dos pedidos de orações, também recebi uma mensagem de uma religiosa defendendo tamanha injustiça que é esse insulto imposto a sociedade, dizendo que temos que orar por esses criminosos presos-indultados para que tenham um feliz natal junto com sua família e que possam voltar em paz ao cumprimento de sua pena.
Em uma outra mensagem que recebi, dizia que não podemos esquecer da injustiça milenar em que o povo optou para indultar Barrabás e crucificar Jesus quando foi consultado por Poncio Pilatos.
Minha já cansada mente não consegue mais captar e entender as múltiplas divinas justificativas defendendo as inúmeras injustiças impostas ao ser humano. Também oras, depois daquela injustiça também milenar quando Cristo olhou para o bandido ao seu lado na cruz e disse, "logo mais, você estará comigo no paraíso", o que mais posso esperar dessas religiosas justificativas que se apegam nos livros tidos e ditos como sagrados? Nesses manuais, homens escreveram tantas contradições com a clara intenção de manipular, modelar e saquear materialmente e intelectualmente a massa.
Afirmações como: da justificativa do dizimo; Crer sem Ver; morrer para nos salvar; e outras tantas que na minha IGNORÂNCIA, não consigo compreender como as pessoas se deixam envolver por tais fundamentos sem nada de concreto para se apegarem, apenas e só, o vazio, o além metafísico.
A religião está impregnada da relação oferta-procura e aí que se origina "o poder da oração". O individuo procura a comunhão consigo próprio e assim, entra num consciente egoísta e promove suas verdades reveladas do seu inconsciente, mantendo o próximo a uma boa distância, bem longe se possível. Paradoxo sem sentido?  Oras, tal como: “a única verdadeira luz encontra-se nas trevas” ou “cada passo em frente é um passo atrás”.
Se a promessa da vida eterna fosse arrancada do Cristão, este se revoltaria contra Deus.
Mas injustiça mesmo foi quando escreveram: "Não cobiçais a mulher do próximo" na tábua de Moises, até hoje, através desse mandamento, se praticam as maiores atrocidades a mulher mulçumana, e nós do Ocidente, crentes ou ateus, não nos importamos com esse bárbaro fanatismo que trata a mulher mulçumana como um animal, e sim, nos importamos apenas com o ouro negro vindo de lá.
Vivemos num universo burlesco e trágico, pode ser que, talvez, a religião, através de milênios, ainda seja um método de poder e controle necessário para conduzir o homem a se apegar a algo e se fazer crer que a via para a Iluminação, apesar de longa e árdua, será no fim cumprida.
O mundo poderia ser um pouco diferente se as igrejas doutrinassem seus fieis para que, ao se deitarem a noite, dirigissem assim a deus:
"Senhor, trata-me amanhã como tratei os outros hoje".
Plínio Sgarbi
Enviado por Plínio Sgarbi em 10/12/2005
Reeditado em 03/12/2006
Código do texto: T83688
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Plínio Sgarbi
Jaú - São Paulo - Brasil, 54 anos
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5 e-livros (510 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 04/12/16 06:37)
Plínio Sgarbi