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Das Strichmädchen. 8

                         Barulho na porta e esta se abre abruptamente. É Ilse toda sorridente.
     - Foi com os três ? Quanto pagaram ? - disse entrando e indo em direção ao dinhei
     ro . Parece sentir o cheiro - Reichsmark ! - conta nota por nota e dá um gritinhos de
     felicidade - 200 Reichsmarks ! Você me surpreendeu hoje ! - começa a arrumar a
     cama - jogue uma água e vamos descer ! Guardo o dinheiro ! - e se retira enquanto
     me levanto e vou para o banheiro e tomo um banho bem ligeiro. Me arrumo e saio
     do quarto e desço para o salão onde alguns homens ficam de olho em mim .
     - Coma algo ! - disse Herta surgindo do meu lado e me estendendo um camarão .
     Sorri para mim e eu o como com prazer. Vejo Gerta se enroscando com um jovem
     magricela e de feições bem burocrática. Senta no colo dele. Olho para Ilse e a vejo
     beijar um senhor de quase quatro vezes a idade dela .  Vejo outras moças fazendo
     o mesmo e alguém me estende uma taça de champagne . Pego e bebo saborean
     do o precioso líquido. Olho então para quem me estende a taça e vejo uma ruiva
     de olhos azuis que já vi na BDM .
     - Oi ! - disse ela se aproximando mais -  já nos vimos mas nunca nos falamos ! - me
     toca no ombro - meu nome é Marleen !
     - Sou Maria ! - falo abraçando ela - me lembro de você ! Ajuda o Capitão Walter .
     - É ! - disse ela me puxando para um canto - sempre o ajudei e o servi como ele
     gosta ! E bem gostoso !
     - É amante dele ? - pergunto espantada - tem relação com ele ?
     - É um homem muito sério e fechado ! Nada sei dele . Apenas que gosta de mim !
     - Deve se divertir muito com ele !? - falo sorrindo .
     - Me dá o que preciso e assim vivo bem !
     E se retira ao aceno de um homem bem vestido. E eu vou para um canto e termino
     a noite bebendo muito vinho do porto e não vejo mais nada.
     
                    -  Acorda , safada ! - ouço o grito de uma voz masculina - sua noite foi bem
     próspera ,heim !!!! -  e escuto sua gargalhada sarcástica .
     É meu pai me acordando. Tem 36 anos mas, com a barba mal feita, aparenta mais
     de 40 . Usa macacão de mecânico e está bem limpo para a profissão.
     - O que está acontecendo ? -  perguntou uma voz feminina entrando . Minha mãe
     que entra toda arrumada . Ela tem 27 anos e é bem conservada. Seus olhos azuis
     brilham mesma na pouca luz do quarto mal iluminado.
     - Chegou aqui feito vagabunda de rua. Vomitando e tudo ! - disse ela tocando a
     minha testa - parecia estar febril !
     - Tem um serviço para as duas e Ilse sabe de tudo e vai participar !
     - Tenho que ir para a escola ,pai ! -  falo me levantando abruptamente - tenho aula!
     - Está liberada por hoje e vai fazer um servicinho para mim ! Dependo dele !
    - Sai daqui ! - disse minha mãe o empurrando - sai daqui , Weber ! Ela vai se arrumar
     antes para nos apresssarmos !
     - Lale Maria ! - disse meu pai se retirando - dê um bom banho nela !
     E ele se retira e vou para o banheiro fazer minhas necessidades. Depois tomo um
     belo banho e lavo meus longos cabelos sob a supervisão de minha mãe, que já
     está arrumada : usa belo vestido púrpura com jóias nos dedos e um colar de péro
     las cultivadas. Seus longos cabelos loiros cintilam na luz do banheiro. Brilham .
     E pouco depois saio do banho e ela me estende belo vestido vermelho com deta
     lhes em negro. Me sinto bem ao usá-lo. Me sinto forte. E minha mãe me estende
    batom e toda a maquiagem que temos.
     Após tudo feito, vou para a cozinha e tomo um copo de leite de cabra e saio com
     minha mãe. E vejo Marleen nos esperando com um velho carro de 1928. Ford .
     E, ao entrarmos, Marleen fala algo em russo para o motorista que sai em boa velo
     cidade. E passamos por toda Berlim e chegamos em um lugar da alta burguesia.
    E o carro pára diante de belíssima mansão e, logo somos notadas e um soldado
     se aproxima. Marleen fala algo bem baixo e ele faz sinal para entrarmos .
     Tudo é bonito por ali ! Tudo cheira a riqueza e limpeza. Na grande sala vejo muito
     ouro como enfeite. E somos vigiadas por olhos que não nos perdem de vista. E
     um desses olhos é de um senhor bonachão com belo relógio de ouro que se apro
     xima todo sorridente.
     - Então Marleen falou a verdade ! - E beija a mão de minha mãe . Depois olha para
     mim - mãe e filha são belíssimas !
     - Obrigada, Conde ! - disse minha mãe sorridente - me sinto lisongeada !
     - Vamos para o lugar que mais gosto ! - disse ele subindo as escadarias - estou
     com pressa para ter as duas ! - e faz sinal para que o acompanhamos. E três ho
     mens nos seguem com ar muito sério. Vejo que Marleen fica retida na sala por
     um homem truculento. Vejo largo sorriso no rosto dela. Está satisfeita com tudo.
                     Chegamos em um belo quarto ou sala pois, tem de tudo : De cama à sofá
     e mesa com iguarias. Livros aos montes espalhados por todos os lados. E a cama
     é enorme e com lençóis vinhos. O chão é acarpetado e vejo peças de ouro por to
     dos os lados. São taças e estatuetas e, pasmem... um castiçal todo em ouro com
     6 velas e, ao lado, uma estrela de Davi demonstrando ser ele de origem Judia.
     Ele se joga na cama e sorri com o sorriso de dono do mundo.
Erna Amesberger Grabner
Enviado por Erna Amesberger Grabner em 21/04/2017
Código do texto: T5976904
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Sobre a autora
Erna Amesberger Grabner
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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Erna Amesberger Grabner