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GRAFFITI - PERSEGUIÇÃO - CAP. VI


                                      PERSEGUIÇÃO – capítulo VI

                                      Sentindo-se cansado, Delano cobriu novamente a prancheta e resolveu ir dormir também. Antes passou pelo quarto de Deise e através da penumbra, notou-a dormindo profundamente. Sorriu e foi para seu quarto.
   Na verdade, Deise não estava dormindo. Ela só esperou que o avô se recolhesse e pulou da cama, já vestida, indo novamente para o estúdio. Descobriu a prancheta e chamou:
- Murilo! Murilo! Por favor, eu preciso falar com você!
  Como na primeira vez, Deise viu o desenho tomar movimento e no quadro negro apareceu a mão dele que ela segurou, entrando no desenho.
   Murilo estava agora num quarto e parecia muito abatido.
- O que ele fez com você? - ela perguntou, colocando o rosto dele entre as mãos.
- Eu estou bem. Senti saudades.
- Eu também. Que lugar é esse? – ela perguntou, olhando em volta.
- Eu moro aqui. Seu avô definitivamente me detesta.
- Ele não é mau assim, Murilo, acredite. Ele só faz o que o editor pede.
- Não se cria por encomenda, Deise. O editor gosta das ideias dele, é só. As coisas que seu avô desenha e escreve são ideias dele. Ninguém pede para ele ser o que é.
- Ele vendeu a sua estória...
   Murilo levantou-se e foi para perto do espelho, olhando para ele com tristeza.
- Eu já imaginava...
- Há três homens querendo pegar você. Você tem que fugir daqui!
- Pra onde? Eu não posso sair dos limites desse espelho, Deise. Nem seu avô pode me tirar daqui, a menos que... pare de criar ou rasgue tudo que já fez até agora, mas eu morreria do mesmo jeito.
- E se eu o fizesse mudar de ideia? Meu avô faz quase tudo que eu quero. Não seria difícil convencê-lo a mudar a estória, se ele soubesse que eu e você...
- Já falei, ele pensaria que você ficou maluca. E a troco de que ele mudaria a estória? Ele já vendeu como ela está, você mesma disse. Se ele transformar isso numa estória de amor, o editor vai rejeitar o projeto. Isso seria prejuízo em benefício de um desenho.
   Deise percebeu que ele tinha razão. Escondeu o rosto nas mãos, aflita. Murilo a fez sentar-se num sofá, sentou-se ao lado dela e a fez erguer o rosto.
- Não fique assim. Quem sabe a gente não encontra um jeito?
   Ele a beijou com carinho e Deise se deixou se envolver por seu abraço. Foram acordados desse sonho por batidas fortes na porta. Murilo ergueu-se rapidamente.
- Abra! Abra logo, senão arrombaremos! – gritou a voz zangada de um homem do lado de fora.
- O que é isso? Quem é ele? – Deise perguntou, assustada.
- São eles... Não sei como. Só seu avô pode... fazê-los agir.
- Mas meu avô estava dormindo quando eu...
   As batidas na porta foram ficando mais fortes, até que ela desabou. Dois homens entraram no quarto com armas na mão. Um deles jogou o revólver no espelho que se quebrou inteiro, deixando um espaço negro no lugar do vidro.
   Murilo sabia que aquele era o único meio de fuga de Deise e gritou:
- Corra pela porta!
   Começou então a lutar com os homens e ela conseguiu se desvencilhar e fugir pela porta. Murilo conseguiu também se safar dos dois e correu atrás dela por um corredor que Deise imaginava não ter mais fim. Os homens estavam atrás deles.
   Depois de serem perseguidos por vários corredores, Deise, já cansada, encostou-se a uma parede negra e procurou respirar.
- Eu não aguento mais...! Eles não podem fazer nada comigo. Fuja você sem mim. Eu vou tentar atrasá-los. Isso vai te dar tempo.
- Não! Você está aqui e faz parte da estória. Eles podem matar nós dois!
   Ele olhou em volta, ofegante, tentando encontrar uma saída, até que a parede negra lhe chamou a atenção.
- Afaste-se um pouco, Deise.
   Ela obedeceu. Murilo apalpou a parede e usando toda sua força, rasgou-a, abrindo um buraco nela como se fosse papelão.
- Saia!
- Mas e você?
- Saia! Eles estão se aproximando! Vá embora!
   Ela não teve outro jeito senão obedecer. Saiu pelo buraco e caiu no meio do atelier do avô novamente. Suada e cansada, levantou-se e foi olhar a folha na prancheta. Os homens haviam alcançado Murilo e um deles havia acertado sua cabeça com uma enorme chave de grifo. O rapaz estava desmaiado no chão, talvez até morto.
   Deise começou a chorar. Apanhou as folhas e foi para seu quarto com elas. Colocou-as sobre sua escrivaninha, desamassou tudo para ver o que tinha acontecido realmente e chorou ainda mais, apoiando o rosto na mão, ao ver que tinha sido verdade.
  Ficou por cerca de dez minutos assim, desesperada sem saber o que fazer para ajudar Murilo. Não acreditava que o tivesse perdido daquela forma.
 
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                              GRAFFITI - CAP. VI

Velucy
Enviado por Velucy em 09/09/2017
Código do texto: T6108839
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Sobre a autora
Velucy
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