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ALÉM DE MIM - ANDRÉ - CAP. III

                                     ANDRÉ – Capítulo III

                        Quando acordou na manhã seguinte, Renato tinha o corpo todo dolorido. Levantou-se e foi para o banheiro. Tomou um longo banho e resolveu ir até o quarto, pegar sua roupa, apesar de saber o que iria encontrar lá, que definitivamente não era sua esposa com quem tinha se casado no dia anterior e com quem não tinha dormido em sua lua-de-mel!
   Quando abriu a porta do quarto, Andreia, ou o rapaz em que ela tinha se transformado, estava de pé perto da janela aberta.
- Oi... ele falou hesitante.
   Ela, ou ele, olhou para trás e ao vê-lo nem se dignou a responder. Renato até entendeu aquela atitude. Entrou no quarto, foi até o guarda roupas e se trocou. Ele aproximou-se dela, deu um longo suspiro e falou:
- Escuta... vamos... tentar pensar juntos com calma. Eu vou virar o mundo inteiro pra encontrar aquela mulher, mas... enquanto isso... nós temos que tentar conviver com essa situação...
- Não foi você que se transformou em mulher, fácil falar pra conviver com calma, falou ela zangada, virando-se. – Eu não quero ser um homem! Eu sou mulher, Renato! Quero voltar ao normal ainda hoje se possível!
   Renato passou as mãos no rosto só de ouvir a voz do rapaz, que aprisionava Andreia dentro dele.
- Eu sei, você sabe, mas o pessoal aí fora não sabe, Andreia.  Até sua voz mudou, tudo em você mudou!
- Mas o gênio não, pode ter certeza! Eu mato aquela velha quando a encontrar!
- Pensa bem... Pra todo mundo... por enquanto... você vai ser uma... um estranho. Um cara que ninguém conhece. Imagine como eu vou ficar. Como eu vou explicar que você sumiu em plena noite de núpcias e em seu lugar apareceu... um cara? Que vão pensar de mim? Até a aliança você está usando! Eu estou casado com... um homem, já pensou nisso?
   Ela olhou para o dedo da mão esquerda que definitivamente não era a sua e pensou melhor.
- É verdade... Droga!
   Tirou a aliança e entregou a ele.
- Toma.
- Não! Ela é sua! Eu ainda amo você. Eu me casei com você. A única coisa que mudou foi... seu corpo.
- E o que a gente vai fazer agora?
- Bem, pra todos os efeitos... por enquanto você é... André, um amigo meu... ele falou com uma leve careta.
- Isso é humilhante!
- Humilhante por quê? Os meus amigos são grandes caras.
- Mas eu não sou seu amigo! Sou sua mulher! – ela esbravejou.
- Não com esse corpo, amor. Por favor, tenta assimilar isso. Se você continuar gritando isso por aí, eu vou ficar em maus lençóis.
   Ela respirou fundo, passou as mãos pelos cabelos e só aí sentiu que estava sem seus cabelos loiros e compridos.
 - Meu cabelo! Essa... coisa em que eu me transformei tem cabelo curto!
   Foi até o espelho e gritou.
- Eu odeio você!
   Mas quando olhou com mais atenção para si mesma, acabou por admitir:
- É... apesar da raiva que eu estou sentindo... não deixo de estar atraente...
   Ela passou a mão pelo próprio rosto e pelo peito. Renato ficou enciumado.
- Quer parar com isso, Andreia!
- André, esqueceu, meu chapa? Fiquei bem com essa roupa que você me emprestou, não fiquei?
- Ah, meu Deus... suspirou ele. – Só espero que a gente não demore muito pra achar aquela velha. Você vai acabar mudando de personalidade também... e aí eu estou perdido de vez.
- Tudo bem, ela disse voltando-se. – Eu aceito o joguinho. De certa forma, não é tão mal assim. Nós podemos dividir o apartamento como íamos fazer antes; usar a mesma loção de barba que eu adoro; eu vou jogar pôquer com você e seus amigos; jogar futebol, Squash...
- Para, Andreia! André... Para! Também não é pra levar tão a sério.
- Ué! E o que você quer que eu faça? Coloque um vestido e saia por aí dizendo que eu te amo tanto que assimilei sua forma física, seu gênero também?
- Não confunde a minha cabeça. Eu preciso pensar.
- Tudo bem, eu vou fazer o café. Meu estômago continua sendo um estômago e eu estou com fome.
   Ela passou por ele e foi para a cozinha.
   Tomaram café juntos, mas Renato não conseguia tirar os olhos dela, sem poder acreditar no que havia acontecido. Andreia percebeu seu olhar e sem olhar para ele, disse enquanto mastigava uma torrada com geleia.
- Rê!
- Hum...?
- Para de olhar pra mim assim. Vou começar a pensar coisas...
- Eu ainda não consigo entender como isso aconteceu. Parece um sonho... Eu devo estar sonhando.
  O telefone tocou e Renato assustou-se.
- O telefone está tocando no seu sonho, benzinho.
- Andreia, faz um favorzinho?
- Qual?
- Não me chama de... benzinho. Me sinto muito estranho.
- Então não me chama mais de Andreia.
- É... faz sentido, ele disse levantando-se.
   Ela apoiou o rosto na mão e sorriu, balançando a cabeça, tomando um gole de café com leite. Renato foi atender ao telefone.
- Alô!
- Renato, é o Lúcio. Tudo bem?
- Putz, cara, dá até impressão que você advinha quando eu estou em apuros. Está tudo mal!
- Eu, hein! Lua de mel é tão ruim assim? Pensei que você e a Andreia sentissem mais que amor fraterno um pelo outro.
- Eu estou falando sério, cara. Estou numa fria! Vem pra cá, agora!
- Renato, seja lá o que for que esteja acontecendo entre vocês, eu não tenho o direito de me intrometer. Eu...
- Estou falando, cara, vem pra cá! Preciso de verdade da sua ajuda.
- Eu perguntei isso lá na festa e você disse que não. Mudou de ideia? – brincou Lúcio. – Tudo bem, só não sei o que a minha namorada vai pensar.
- Quer parar de me gozar e vir logo!
- Tá bom. Posso levar a Ângela?
- Ela está aí?
- Está.
- Você está na minha casa?
- Não, na minha.
- Você está na sua casa com a minha irmã, seu...?
   Lúcio tapou o bocal do telefone com a mão e virou-se para Ângela, sentada a seu lado.
- Não sabia que seu irmão era tão puritano. Ele está berrando comigo por que você está aqui! Imagine se a gente tivesse dormido junto.
   Voltou a colocar o fone no ouvido e continuou ouvindo Renato esbravejar:
- Lúcio, desgraçado, cadê você?!
- Estou aqui, enfezadinho. Quer ainda que eu vá praí ou posso dizer pra Ângela que acabamos o namoro?
 - Vem pra cá e a gente conversa. Traga ela também. Você me paga.
- Ok, tchau, finalizou Lúcio, rindo. – Nossa, que cara quadrado!
- O que foi? – Ângela perguntou.
- Ele quase me bateu pelo telefone só com a ideia de que você tenha dormido aqui comigo. Isso porque é meu amigo, hein?!
- Irmã é irmã, gatinho. Eu explico tudo pra ele quando a gente chegar lá. Posso ir junto mesmo, não posso?
- Deve, a bronca é com nós dois. Mas eu gostaria de saber o que está acontecendo de tão grave com os dois. Primeiro dia de casados!
- Vai ver ela quer seduzi-lo! – ela falou rindo.
- Provável... concordou ele, rindo também.
 
             
                          ALÉM DE MIM - CAP. III
Velucy
Enviado por Velucy em 11/09/2017
Reeditado em 16/09/2017
Código do texto: T6111204
Classificação de conteúdo: seguro

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Velucy
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