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ALÉM DE MIM - NOVAS PAQUERAS - CAP. IX

                         NOVAS PAQUERAS – Capítulo IX

                             Os quatro foram a um restaurante ao ar livre, à beira mar, e Paula fez questão de sentar-se ao lado de “André” que não sabia o que fazer. Renato conversava com Tato, mas não tirava os olhos deles.
- Quando você voltou pro Brasil? – Paula perguntou.
- Em... dezembro do ano passado.
- Você não se parece nada com o Lúcio... ah, claro! Você não é irmão dele de verdade. Mas parece ter o mesmo gênio. Você é sempre calado assim?
- É... mais ou menos.
- O André não está muito acostumado com cidade grande, falou Renato. – Ele morava numa aldeia pequena na Argentina.  Por isso é tão calado.
- Também não é tanto assim, não é, Renato.
- Quer dar uma volta pela ilha comigo? - convidou Paula. – Isso aqui é muito lindo.
- Claro! Sempre quis conhecer Paquetá inteira. O Lúcio fala muito daqui.
- André! – interrompeu Renato.
- Oi.
  Ele desistiu de falar o que tinha em mente. Não podia impedir Andreia de fazer o que fosse, afinal, para os dois novos amigos, ela era um rapaz e não ficaria bem ele mandar no “amigo”.
- Não, nada. Tudo bem...
   Os dois saíram da mesa e se afastaram. Renato ficou olhando para eles e Tato percebeu sua preocupação.
- Que idade tem o André, Renato?
- Ele fez... vinte.
- Bem grandinho já, não é? Pra que tanta preocupação? Você parece apreensivo com alguma coisa?
- Impressão sua...
- Minha irmã pode parecer criançona e meio maluquinha, mas é uma ótima garota.
- Nem passou pela minha cabeça duvidar da Paula, Tato. Que é isso?
- Então quer fazer o favor de deixar os dois? Me conta... Como foi o casamento? Eu estava doido pra ir.
   Renato achou melhor se desligar mesmo de Andreia sozinha com uma garota que nem escondia que estava paquerando o rapaz que ela era agora. Achou melhor confiar no discernimento da mulher e confiar que ela estava bem e começou a contar sobre o casamento ao amigo.

   Enquanto isso, Andreia, na pele de André, e Paula andavam pela praia inteira e conversavam.
- O Lúcio quase se casou com a atual mulher do Renato, você sabia?
- Ah, é?
- É, ele chegou a gostar muito dela, só que nunca teve coragem de dizer. O Tato me contou. Ele, o Renato e o Lúcio eram muito ligados. Pena que eu não peguei essa fase. Minha mãe não deixava eu sair com eles. Achava que eu ainda era muito menina. Eu morria de inveja da Andreia. Ela era um ano só mais velha que eu e saía sempre com eles. Tanto que começou a namorar com o Renato numa festa de aniversário do seu irmão, aqui em Paquetá.  Você sabe, não é?
- Mais ou menos...
- Que idade você tem?
- Vinte.
- Eu tenho dezenove. Você tem namorada?
   Andreia começou a suar por baixo da pele e viu que a conversa estava começando a ir para um lado que ela não desejava.
 - Eu não... Quero dizer... Eu sou casado...
   Paula parou e olhou para ele rapidamente.
- Casado?
- É...
   Ele tirou a corrente que estava pendurada por baixo da camisa e mostrou a ela a aliança de ouro. Visivelmente decepcionada, Paula sorriu e falou:
- Tão novinho...?
   Andreia chegou a ter pena dela, mas pelo menos salvou sua pele.
- Sua mulher ficou em São Paulo também?
- Mais ou menos... mas ela está sempre comigo.
- Tão apaixonados assim?
- Você nem imagina.
- Que bom! – a moça falou, querendo dizer exatamente o contrário. – Vamos voltar pro restaurante? Os rapazes devem estar preocupados.
- Tudo bem.
   Quando eles chegaram junto à mesa, Renato e Tato estavam conversando com duas garotas muito bonitas. Uma delas estava sentada junto de Renato e parecia muito interessada nele. Andreia sentiu-se traída e ia fazer uma ceninha própria de uma mulher enciumada, quando se lembrou que não era uma mulher e conteve-se, morrendo de raiva de si mesma e do marido.
- Oi, voltaram? – perguntou Tato. – O passeio rendeu, hein?
- Fui mostrar um pouco da ilha pro André, falou Paula. – André, essas são Marta e Marisa Alves Lobato. Filhas do dono do hotel onde a gente mora. Duas amigas nossas também.
- Oi, ele falou, olhando feio para Renato que baixou os olhos para o copo de refrigerante a sua frente.
- Renato, eu estou cansado. Vou voltar para o apartamento e dormir um pouco, falou ele. – Com licença.
   André afastou-se.
- Sério ele, não? – perguntou Marta.
- Adoro homens assim... comentou Marisa.
- Ele é casado, garotas, falou Paula, tendo o gosto de desmanchar os sonhos das duas.
   Renato ficou ele mesmo surpreso com o que ouviu e previu briga. Levantou-se, pediu desculpas e afastou-se também com a desculpa de que queria descansar da viagem.
   Ao chegar no quarto, encontrou André sentado na cama, com a corrente na mão, olhando para a aliança pendurada nela.
- Não é o que você está pensando...
- Não falei nada.
- Mas pensou... Eu te conheço, mesmo com outra cara.
- Tudo bem, Rê. Você não precisa me dar nenhuma satisfação. Eu não sou seu... marido!
- Quer parar com isso?
- Para com isso você! – falou ela, levantando-se zangada. – Eu sabia das intenções da Paula a meu respeito ou... a respeito desse corpo que eu nem sei de onde veio e tive o cuidado de dizer a ela que o André é casado. Ela se decepcionou, como eu me decepcionaria se estivesse no lugar dela. Você ao menos teve a lembrança de dizer às... donzelas que sua mulher está em São Paulo esperando por você?
  Ele não respondeu.
- Não, não é? Eu odeio você, Renato Augusto Lage! – ela gritou, passando por ele e indo para o outro quarto, trancando-se lá.
     Renato segurou a cabeça nas mãos e murmurou entre dentes:
- Idiota!

 
                            ALÉM DE MIM - CAP. IX
Velucy
Enviado por Velucy em 13/09/2017
Reeditado em 16/09/2017
Código do texto: T6113145
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Velucy
São Paulo - São Paulo - Brasil
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