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Oração Meditativa

Salvos de quê ?

 

Em minhas orações procuro conversar com Deus, de forma aberta, sincera, franca, transparente, pois meu objetivo é integrar-me à Ele. São reflexões profundas que, as vezes, me conduzem a uma experiência de Deus.

Deus revela-se todos dias e Jesus veio ao mundo para nos apresentar o Reino dos Céus, a vida eterna e que para lá chegar temos que abraçar e acolher o projeto salvífico do Senhor. Até aí tudo bem. Aceito sem pestanejar. Mas, com todo o respeito, salvação de quê? O que foi que eu fiz ou deixei de fazer para ser salvo? E salvo de quê? Do pecado original? Mas, o que eu tenho com isto? Isto aconteceu há mais de 4.000 anos, não é justo que eu tenha que pagar por isto. Ou será outra coisa?

Estas são as perguntas que não querem calar no coração de qualquer cristão. Ora, eu não pedi para nascer, não me perguntaram se eu queria vir para este mundo. Cheguei nu, não trouxe nada de onde eu vim, o que fica claro que eu não sou daqui (2Cor 5, 6) e que eu estou apenas de passagem e, além disto, para sair ainda tenho que me salvar?

Não há coisa pior na vida do que desconhecer os fatos. Pior ainda, não termos noção de quem somos, de onde viemos, qual o propósito da vida e para onde vamos. E isto nos causa muita angústia, ansiedade, medo, insegurança e é a mola mestra do nosso apego as coisas deste mundo. Como não sabemos nada sobre o passado e nem imaginamos como será o futuro, jogamos todas as nossas fichas no tabuleiro desta vida. Agarramo-nos aqui, com unhas e dentes, acreditando que este é o melhor mundo.

Não há a menor dúvida de que somos criaturas de Deus e que Ele tem um projeto para nós (Gn1, 26-28). Caso contrário, porque nos criaria? Porque nos amaria tanto? Porque teria tanta misericórdia conosco? Porque nos daria forma e semelhança a sua imagem? Porque se revelaria a nós? Porque nos enviaria Jesus? Porque se preocuparia com a nossa salvação? Porque nos falaria sobre o seu Reino e a vida eterna?

Estamos neste mundo em um verdadeiro batismo de fogo. Viemos de Deus e a Deus voltaremos e a salvação é a porta de entrada para a vida eterna. Mas, é como uma grande lavoura. Há tempo de plantar e tempo de colher. Esta vida é o tempo de plantar. Plantamos aqui o que iremos colher quando voltarmos a casa do Pai. E Jesus veio nos mostrar a beleza do Reino de Deus e o que é preciso fazer ou deixar de fazer para chegar lá. Na verdade Jesus é o fiel da balança deste projeto. Deus é amor e misericórdia, Deus é aquele pai amoroso que perdoa seus filhos porque os ama incondicionalmente (Lc 15, 11ss), Deus é aquele que nos cobre de beijos e abraços e nos coloca no colo e nos embala nos momentos mais difíceis da vida, Deus é capaz de nos perdoar tudo.

Quer dizer, então, que Jesus seria o lobo mau desta história? Não, nada disto. Enquanto Deus é compaixão pura, Jesus é amor com justiça. Jesus nos mostrou a plenitude da Revelação, o Reino de Deus que começa “no meio de nós” e continua na vida eterna. E Jesus nos faz a sua oferta, Ele não nos obriga a nada, Ele respeita o livre arbítrio que o Pai nos deu.

Você quer entrar no Reino de Deus? Então, além de acolher a salvação que lhe é proposta, mude radicalmente a sua vida. A salvação está vinculada a sua libertação (Lc 18, 18-23) às coisas deste mundo.

Mas, libertação de quê?

 

Libertação da escravidão. A escravidão das paixões e dos desejos deste mundo.

Libertação do apego. Apego ao poder, a ambição, a ganância, ao consumismo.

Libertação do exílio. Não somos daqui. Estamos aqui para evoluir espiritualmente.

Libertação das doenças. O câncer da inveja, do ciúme, da raiva, da arrogância, do desprezo, do egoísmo, da vaidade, do orgulho.

Libertação da mentira. O engodo em que nos metemos neste mundo, acreditando que as coisas daqui nos pertencem.

Libertação do medo. O medo da morte. Quem disse que a morte é o fim?

 

A morte é o estágio imediatamente anterior a ressurreição.

 

Com a libertação, prepare-se para viver uma nova realidade com confiança plena. Mas, Jesus impõe uma condição, uma situação que até hoje não conseguimos atendê-la porque estamos agarrados a este mundo. A condição é uma mudança radical de postura. Não é somente acolher a palavra de Deus, isto não basta. Mas, mudar totalmente. Deixar de ter uma atitude unitária, egoísta e passar a ter uma postura comunitária. Por em prática o amor ao próximo, acolhendo e lutando, pacificamente, pelos necessitados, excluídos, marginalizados, abandonados, rejeitados, maltratados e indigentes a quem esta sociedade vira as costas todos os dias, eu inclusive.

Entre todas as criaturas de Deus, neste planeta, somos a mais especial de todas elas. Fomos criados a imagem e semelhança do Pai e Ele nos deu o poder de dominar toda a Terra (Gn 1, 28). Portanto, somos senhores da terra, das águas e do ar, mas falta-nos algo importantíssimo: Juízo para administrar o planeta. E é sempre assim, quando recebemos algo de graça não damos valor e, em termos de meio ambiente, não temos o menor escrúpulo em cuspir no prato em que comemos.

A evolução do homem ao longo dos séculos faz parte integrante da criação de Deus. O universo é dinâmico, está em desenvolvimento constante e a sociedade humana, que é criação do Pai, não poderia ser diferente, pois é povo de Deus que, historicamente, está sempre caminhando, numa constante mutação.

 

 

Meditando : Leia 2Cor 5, 6 ; Gn 1, 26-28 ; Lc 15, 11 ss ; Lc 18, 18-23;

 

  1. E você, planta para colher neste mundo ou no Reino dos Céus ?

  2. Você já descobriu por que Deus o colocou neste mundo ?

  3. De onde nós viemos ? O que você pensa sobre isto ?

  4. Para onde iremos ? O que você pensa sobre isto ?

  5. Qual o propósito de nossas vidas ?

  6. Você tem medo da morte ? Por que ?

 

 

 

 

Leandro Cunha
Enviado por Leandro Cunha em 28/09/2007
Reeditado em 07/07/2008
Código do texto: T672232

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Sobre o autor
Leandro Cunha
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 68 anos
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Leandro Cunha

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