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“A ratoeira”.


Eu moro na fazenda da Esperança, uma fazenda antiga, estilo colonial de propriedade da Da. Dalva e do Sr. José, que moram lá com os seus filhos que cuidam da plantação e de poucos animais da região. Eu vou lhe contar uma história que aconteceu tempos atrás, que me fez refletir com profundidade e mudou a minha maneira de ver a vida.

Na fazenda, tínhamos um ratinho curioso e comelão, mas que se dava bem com todos os outros animais. Um dia a família da Da. Dalva chegou da cidade com uma caixa de papelão. O ratinho, curioso como sempre, logo perguntou: - hum, o que será que eles trouxeram naquela caixa de bom para comer ? E passou para outra fresta da parede que dava melhores condições de ver o que tinha dentro da caixa. E ele descobriu : - Compraram uma ratoeira. Mas, espera aí ? Ratoeira é para pegar ratos. E eu sou um rato !

E ficou perturbado com aquela descoberta. Nervoso, saiu correndo pela porta da cozinha e, no quintal, deu de cara com a galinha. Transtornado, comentou com ela : -

Da. Dalva comprou uma ratoeira na cidade e trouxe para cá. O que vamos fazer ? A galinha, parou, pensou e olhando para o ratinho, disse : - e o que eu tenho com isto ? Meu trabalho aqui é botar ovos e com isto eu não corro risco algum. Você é quem deve se preocupar com a ratoeira. Portanto, fique esperto.

O ratinho saiu correndo e, no caminho, encontrou o porco que estava descansando no chiqueiro e, tremendo, lhe contou tudo : - o pessoal da Da. Dalva comprou uma ratoeira na cidade, eu falei com a galinha e ela não me deu atenção. O que vamos fazer ? O porco olhou para o ratinho e lhe disse : - nunca ouvi falar que pegassem porcos em ratoeiras, você já ouviu ? Então, sinto muito, mas não tenho nada com isto. Parece que o problema é seu. E não meu.

Mais preocupado ainda, o ratinho continuou em disparada e lá no campo encontrou com a vaca, deitada debaixo de uma árvore, fugindo do sol escaldante. O ratinho, novamente, contou tudo para ela e comentou que a galinha e o porco não tinham entendido a gravidade do problema. A vaca continuou ruminando e disse para o ratinho : - mas o que é que eu tenho com isto ? Sou muito especial por aqui, meu negócio é dar leite e, com isto, sou muito bem cuidada. Eu, se fosse você, tratava de me esconder pois a situação está preta para o seu lado. E foi o que ele fez. Encontrou uma toca vazia e ficou por lá escondido.

Naquela noite, de madrugada, ouviu-se um grande barulho dentro da casa. Todos acordaram. Era a ratoeira que tinha capturado alguma coisa. Da. Dalva saiu do quarto para ver o que era. Lá chegando, viu que a ratoeira tinha apanhado uma cobra pelo rabo. Quando ela se abaixou para pegar a cobra, esta, ainda viva, mordeu-lhe a mão. Ela gritou e todos correram para ajudar.

Mesmo com todo os cuidados a senhora foi piorando, a mão inchando e começou a ter febre e febre alta. O Sr. José, então, pediu a um dos filhos para matar a galinha e mandar fazer uma canja bem forte, pois dizem que canja é boa para abaixar a febre.

Mas a situação foi ficando crítica e tiveram que levar Da. Dalva para o hospital. E vários familiares apareceram na fazenda para acompanhar de perto o caso dela. Com isto, o Sr. José pediu para matarem o porco gordo, pois tinha que alimentar todo aquele pessoal que veio visitar a sua esposa. Infelizmente, o caso era grave e a cobra muito venenosa, com isto Da. Dalva não resistiu e acabou falecendo.

Dias depois, o Sr. José e seus filhos foram obrigados a vender a vaca para o açougue da cidade, pois tinham que saldar as dividas contraídas com o hospital, com a funerária, com a farmácia e com o cemitério, pois tudo era muito caro.

Assim que chegaram em casa a primeira coisa que fizeram foi jogar a ratoeira no lixo. E, com isso, o ratinho pode voltar para casa.

No final da história, todos que acreditavam que não tinham nada com isso, acabaram morrendo. Aquele que preocupou-se com o problema e tentou alertar os outros, sobreviveu. Fica, aqui, uma grande lição : neste mundo, todos nós somos responsáveis por tudo e por todos. Quem diz “não tenho nada com isto”, em qualquer situação, demonstra o grau de egocentrismo em que se encontra, está longe de compreender o que é o amor ao próximo, a solidariedade, a caridade.


Meditando : Leia Lc 10, 29 – 37 ; Lc 16, 19 – 31 ;


  1. O que esta fábula representa para você ?

  2. Quantas vezes você age como o ratinho da história ?

  3. Quantas vezes você age como a galinha ou o porco desta história ?

  4. Você é egoísta ou altruísta ? Você se conhece ?

  5. Qual a sua participação neste mundo ou isto não é problema seu ?

  6. Onde esta fábula se encaixa em um dos Evangelho de Jesus ?




 

Leandro Cunha
Enviado por Leandro Cunha em 01/10/2007
Reeditado em 14/07/2011
Código do texto: T676096

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Sobre o autor
Leandro Cunha
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 68 anos
596 textos (107839 leituras)
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Leandro Cunha

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