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NOITE NO SÍTIO

Estando longe de tudo por uns dias; dos telefonemas, reclamações, queixas, burocracias e da correria do dia a dia, debruçado sobre o arame liso e molhado da cerca que protege a casa, pude refletir sobre muita coisa.
O sítio de um amigo é meu refúgio nas férias. Lá me sinto mais em casa do que na minha.
Numa dessas noites, um temporal nos deixou sem energia e a escuridão se apoderou de cada espaço. Sai para o quintal e me pus a admirar o pouco de natureza que ainda resta no mundo.
E lá estava eu, perdido entre a paisagem rural dos resquícios de mata, pasto e o infinito ceu, que se descortinava após a tempestade de verão. Fora uma noite de trovoadas e relâmpagos que parecia preparar-me algo especial.
Me senti pequenino diante do quão grande é o universo e infinitamente insignificantes somos nós seres chamados humanos. Logo o que restava das nuvens se dissipou e elas se retiraram como uma cortina que se abria num enorme palco. Ao vislumbrar, sobre minha cabeça aquele manto de estrelas, compreendi que não somos nada neste mundo enorme. Com tudo ao redor envolto no espesso manto escuro da noite, dá para perceber quão insignificantes somos todos nós.
Fiquei a pensar que, por ser tão pequenino diante da grandeza do mundo, tudo ou nada poderia acontecer naquele segundo que não abalaria as estruturas da natureza, tamanha era a pouca importância minha naquele universo de coisas, seres e situações. Ai, pensei que as estrelas só são belas, quando se pode apreciar a sua beleza; só se admira o belo quando se pode vislumbrá-lo com os olhos e tendo a sensibilidade à flor da pele. Então conclui que eu (ser humano) devo ter algo, especial em mim porque, diferente dos animais que estavam ali e acolá, lutando pela vida somente, diferente das árvores que balançavam ao sabor da brisa, diferente das nuvens que cumpriam sua missão de espalhar água na terra; diferente das demais naturezas das coisas, eu dediquei um bom pedaço de tempo de minha vida admirando o céu, imaginando o que há após, viajando por lugares sem fim e fiz tudo isso sem sair um milímetro sequer do lugar onde estava, à beira da cerca do pequenino sítio de meu amigo, envolto num cobertor de escuridão.

JD - 31/01/2006 17:30:04
Jose Dias
Enviado por Jose Dias em 09/02/2006
Reeditado em 07/03/2006
Código do texto: T109718
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Jose Dias
Presidente Prudente - São Paulo - Brasil, 53 anos
30 textos (22865 leituras)
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