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Auto Declínio

Ali em pé, sob as águas. Aquele corpo insinuante que parece chamar através de cânticos provocantes. Grita pela pele, através dos poros. Molhada ela parece ainda mais perfeita. Caminhando por entre as pequenas ondas ela vai rebolando o quadril. Antes de terminar em um mergulho, olha para trás e esboça um sorriso. Seus cabelos acompanham a expressão do rosto e voa junto com o movimento. Mergulha. Contorno a paisagem com meus olhos. Sem a imagem de minha musa tento ver algo além. Esse lugar é bonito, mas, ela é a peça que da vida ao local. A peça chave do prisma perfeito do lugar. Contrastando com a cachoeira que cai ao fundo, torna tudo escultural e gradativamente, tudo que existe fora dali torna-se impuro e insignificante. Nem o pássaro que canta ao fundo consegue tirar minha atenção de tal beleza. Uma beleza pura que corre por entre as folhas, a água, a terra e tudo, a vida presente. Não é preciso estar junto a ela para sentir o que sinto. Só o fato de contemplar esta visão, aqui, sentado onde estou, posso sentir que a perfeição não está longe de nós. É impressionante como estamos errados em pensar que humanidade ainda está para evoluir e chegar a um determinado ponto. Não. Fomos criados para o que já somos. A perfeição já foi alcançada. Olhe ao redor do lugar certo. O lugar que o homem não matou. A vida que nos envolve. Geramos a destruição de nós mesmos. A espécie que evolui e tem o poder de melhorar seu bem estar, ao invés disso, faz a si mesmo decair.
Gustavo Gaspar
Enviado por Gustavo Gaspar em 01/03/2006
Código do texto: T117166
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Sobre o autor
Gustavo Gaspar
Carangola - Minas Gerais - Brasil, 31 anos
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2 e-livros (1664 leituras)
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Gustavo Gaspar