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MEU CORAÇÃO - REFLEXÕES

 

     Meu coração continua a sangrar, enquanto arde o meu peito, meus sentimentos se esforçam para evitar que as lágrimas corram rosto abaixo e venham a cair no grande espaço vazio que existe.
     Esforço-me para que o sofrimento não seja notado e vivido por quem nada tem a ver com a minha realidade. Enquanto sigo pisando, procurando não machucar com meus tropeços e desejos, o sofrimento me impele para frente qual bêbado que nem mesmo sabe para onde se dirige.

     Na tristeza que existe entre a minha alegria e as verdades que se mostram a cada momento, perco-me diante de minhas próprias incertezas que me impulsionam rumo ao sempre incerto futuro onde nada ainda é.

     As imprecauções, os medos, as dúvidas e mesmo as certezas não passam de meros aspectos diante de uma vida incompleta, porém cheia de experiências já vividas.

     Tudo o que é do meu conhecimento nunca será partilhado, poderá apenas ser visto, ouvido, porém nunca tocado ou mesmo seguido, o caminho é único.

     As lágrimas se esforçam por não cair, o nó na garganta, o amargor da boca, evidencia o grande constrangimento que existe entre eu e eu.

     Pudesse eu mesmo arrancar de dentro do meu coração os sentimentos que se acham machucados, sofridos e doídos, diante de tudo que vejo e não posso entender como os homens se portam com tudo isto de errado como fosse o normal.

     Enquanto ainda restar uma única gota de sangue, com certeza irá sangrar para dar base ao meu próprio corpo que precisa da energia para impulsionar-me à frente sem, contudo, me colocar diante do mundo e da vida como simples vilão.

     Não posso consumir minhas carnes, alimentar-me do sangue do meu semelhante, a antropofagia que possa praticar fica apenas dentro dos sonhos e devaneios, onde um pensamento se sobrepõe a outro.
     Poderia arrancar do meu peito o meu coração e, ao entregá-lo a humanidade, aos meus semelhantes, ainda assim iriam dizer que faltaria alguma parte que deveria ser sacrificada para a satisfação daqueles que nunca estão satisfeitos e não passam de vítimas, enquanto nos vitimam.

     Mesmo assim continuarei arrastando-me, pisando passos lentos, porém seguros, para não cair novamente, mesmo que o mundo ao meu redor desmorone, e tudo caia no grande vazio do nada inconsistente que abarca a grande maioria de toda a criação.

     Nestes espaços que se criam dentro de conceitos e preconceitos, fico estarrecido, vendo o mundo se acabar por ser apenas objeto de manipulação de uns poucos, que se julgando donos dos destinos de seus semelhantes, portam-se como feras.

     Seguirei, cairei, porém consciente que estou de minha responsabilidade, ficarei atento a todo o momento para quando chegar ao termo final de minha proposta possa eu saber se tudo valeu a pena.

     E mesmo que minhas partes se destruam diante de todas as coisas do mundo, que nos cobra e machuca, mesmo assim reagruparei minhas partes, beberei meu próprio sangue para não perder minhas energias.  E ainda que minha alma esteja abalada diante das vicissitudes do mundo, ainda restarei eu, espírito, que irá ficar incólume no final da jornada, aguardando apenas uma nova oportunidade.





.01/004/03-VEM



Vanderleis Maia
Enviado por Vanderleis Maia em 14/03/2006
Reeditado em 08/03/2009
Código do texto: T123297
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Sobre o autor
Vanderleis Maia
Imperatriz - Maranhão - Brasil
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