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É que eu precisava falar com alguém

É que eu precisava falar com alguém, hoje me sinto tão pequena, que fico com medo de sair de casa e sempre mais fácil assim, na minha casa ninguém me vê e aqui eu sou o ninguém essa é minha felicidade inventada. As vezes penso que invento de mais para minha idade, mas existe idade para inventar? A verdade grande é que não, o que acontece na real é que o tempo nos perde da capacidade de acreditar, eu não posso me acreditar, no que digo, não acredito na minha felicidade. Porque quando se é o ninguém, se é algo? Na minha casa ninguém me vê e aqui eu sou, não quero ser de passagem. Eu queria lhe confiar minhas idéias, quando te procurei estava carente e com sono e sem conseguir dormir, estava beirando a loucura inata.  Sim, existem 2 tipos de loucura, uma é de nascença e imutável essa é a loucura imaginada, a outra é mais insana, precisa de muito trabalho, precisa de muito vazio, ela é completa de tanto se es-gotar, mais tarde contarei. Sobre minhas idéias, antes conta-las preciso me desmentir pois tenho idéias mentirosas, devo te lembrar que invento muito, talvez eu tenha sorte e você já possui idade para não acreditar.
1º Idéia ...   Me acabar logo
As vezes eu tenho uma idéia assim: já que eu acabarei qualquer dia, porque não me acabar logo? A resposta mais in-lógica é meu medo. Já te contei por vezes que tenho ele bem grande dentro de mim, o medo me é e sem ele não estaria aqui para te contar esses reflexos (não chega a ser reflexão, eu não sou tão profunda e nem desejo ser). Sabe da vida?! Daqueles dias que não fluem? Falo de um dia que fluiu e que se esqueceu de mim, (as vezes o dia não flui, as vezes ele vai sem eu), foi um dia que me deixou perdida, na minha casa fiquei.
Vou me medicar, vou tomar todos os remédios que encontrar, assim terei a cura, a cura para vida eu só vou conseguir quando estiver curada do meu medo. Você pode pedir para o medo meu me largar. Sei que não será difícil, para quem será fácil? se medo sabe que sou dele, se eu sei que ele me é.
Hoje eu menti, porque medo de não ser infeliz também existe. Porque não me acabar logo se já alcancei da vida a felicidade, talvez ninguém pense.
Será que tudo não faz sentido simplesmente? é fácil não fazer sentido e ponto. Mas é difícil por vezes e pontos...
A falta de sentido é um jogo, porque não acabar logo com isso?
Ninguém gosta de perder. Ninguém quer perder. Ninguém.
2º idéia   Eu me tenho
Somente a você revelo a minha mais recente descoberta, surgiu que eu não me escolhi para nascer. Eu seria alguém mais lógico na escolha. Eu me tenho, eu tenho que me suportar, “eu” e “me” são diferentes em mim. As vezes parece que já me vivi, as vezes parece que já eu vivi. Percebe a diferença?            Agora sim estou des-coberta, eu-me-se-pa-re-i-de-mim
 E assim sou, me, eu e mim. Dentro da assa que as vezes teima para abrir.
3º idéia   Não Ter idéias
Eu não queria te contar isso. Agora talvez pense que não confio em você, mas acho que é um defeito. Minhas idéias são frutos do meu mais terrível defeito, o de pensar. Não me agrada que saiba disto porque talvez não entenda o que quero dizer e me interprete mal. Pense não que me acho por pensar no dentro. O que eu não gosto é pensar nas in-lógicas.
É o que não controlo, que me foge, que me prende. As in-lógicas  - me deixam e deixam  eu - des-coberta.

 O que eu preciso contar para você hoje, é que sinto frio.

Luciana Brites
Enviado por Luciana Brites em 19/03/2006
Código do texto: T125423
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Sobre a autora
Luciana Brites
Maringá - Paraná - Brasil, 27 anos
45 textos (1842 leituras)
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Luciana Brites