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Quem regulou meus sentidos?

     
        Segundo Darwin estamos aqui, eu, tu, todos nós hoje, escrevendo, por mero acaso, fruto da evolução de bilhões de anos que nem cabem na minha cabeça. Bilhões, trilhões de anos, se forem luz fica pior ainda. Mas os cientistas falam nesses números como quem fala de números lotéricos que também são muitos, mas perto de tempo fica fácil de entender.
         Fico me perguntando: como a natureza regulou, ao
acaso o meu olho para reconhecer a distância de um objeto do
outro, de uma letrinha bem pequena, duma maiorzinha e de ou-
tra grandona como a de um out-door? Como regulou a distância
que posso ver, até que ponto e por quê e como acontece quan-do mais nos afastamos de um objeto, menor o vemos? Porque
pensamos nisso? Quem colocou a curiosidade na nossa cabeça?
         Quem regulou meu ouvido de maneira que eu possa sa-
ber que o tom está alto, está baixo, quem inventou os deci-
béis, como conseguiu isso? Ouvimos em mono e em stereo. Ouvi-
mos pequenos barulhinhos, alguns nos incomodam, com outros nos acostumamos, muitos, embora estejamos no topo da cadeia alimentar, nem percebemos. Como somos regulados para apre-
ciar uma canção, uma declaração de amor. Uma injúria, uma di-
famação?
          Como calculo, tão precisamente a cadeira onde me sento. É algo automático, eu sei  ninguém pensa: agora vou sentar, a distância da minha altura até à da cadeira é apro-ximadamente tanto e então me sento. Não! Isso já está no cérebro e ele se encarrega desses cálculos. Quando caminha-mos também nossa perna dá o passo e acerta. A perna não fica no ar. Simplesmente caminhamos, mas é muito curioso. Quem regulou todos esses sentidos? Quem programou nossa fala? Nos-sas idéias. Sabemos com antecência o que vamos dizer? Não, simplesmente falamos. Lógico sabemos que há cordas vocais que vibram e a voz é levada pelas ondas que transmitem a partir da nossa boca ao ouvido do nosso interlocutor.
           Como uma rede de neurônios, milhões deles, estão
dentro de nossa cabeça e há descarga elétrica entre eles, que
embora aos milhões não se tocam? Somos uma incógnita ambulan-te.Estamos encerrados no mais completo mistério da vida. Não sabemos nada de nós. Curiosamente a única certeza que
temos é que um dia vamos morrer. Porque então um organismo tão complexo, tão sofisticado vai,  após alguns anos, degene-rando para a qualquer momento ser destruído? Não encontro resposta lógica e inteligente para essas questões.
           Vamos para a escola e aprendemos apenas conceitos.
Não sabemos o que está dentro de nós, sabemos que temos cora-
ção, pulmões, ris, fígado e estes têm sua função,porque nos ensinam,mas nunca os vimos.Temos um laboratório interno e não sentimos nada. Será que muitos de nós, não são replican-tes,como em Blade Runner, que sabiam o tempo de vida que tinham, contrariamente a  nós, que vamos vivendo, amando, sofrendo decepções, desilusões e para ao fim e ao cabo morrer? Ou seja para que tanta minúcia em um olho? Só para não pensar na língua, no sistema nervoso autônomo ou no cen-
tral!
Ante a complexidade dos olhos porque depois de alguns anos temos que nos valer de lentes para enxergar?
            Não acho lógico, nem inteligente tais coisas. Mi-
lhares vivem debaixo de pontes, pelas esquinas crianças pedem
moedas, gente de todo tipo peramula neste mundo.Seguimos co-
mo o gado que também não se conhece, apenas pasta e pasta   e
pasta para depois nos dar o bife bem ou mal passado na nossa mesa. Afinal de contas que mundo é este? Um teatro? Um ensaio para uma vida plena no futuro? A mim, meus amigos, reservo algumas teorias. Mas este assunto fica pra outra hora. Enquanto isso vou pensando e vivendo a mais perfeita incógnita.          
Marla
Enviado por Marla em 31/03/2006
Reeditado em 20/04/2006
Código do texto: T131310

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Sobre a autora
Marla
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil
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Marla