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Ex-suicida

Eu estava usando aquele colar, ele é tão fino que ninguém notou que eu estava com ele, mas eu sabia dele e de alguma forma ele me protegia, talvez se eu fosse tão fina quanto ele as pessoas não me notariam também e assim não seria necessário fingir. Pra que mentir, para que fingir?
  O colar estava me provocando a algum tempo, ele me observava detalhadamente toda vez que abria a caixa, onde ele mora, para pegar algum detalhe que me estava faltando. A verdade é que por vezes ensaiei usa-lo e por vezes não achava coerência nele.
  Mas é claro, que fui derrotada, (quem foi que disse que pessoa do signo de virgem se ganha aos poucos?) entretanto não consegui achar um pingente adequado a mim para ele. O que eu tinha era uma bailarina e um coração. Não tenho Dom para dança e é bem verdade que prefiro aquelas ditas “contemporâneas”, o bale exige alguma delicadeza que falta em mim e por isso não seria estimulante usa-lo, pois como já disse as coisas que uso me protegem e a proteção é um estimulante. O coração é pequeno e assimétrico, e esse coração não é meu na verdade.
   Optei por vestir o colar nu e isso acentuou a finura dele e por algum motivo que desconheço por alguns instantes me senti extremamente segura, como se todo o mundo não pudesse me alcançar.
   As vezes penso que essa força que me conforta, que a energia que certas coisas transportam para mim, esta ligada unicamente com a lembrança que elas me trazem, é um elo estranho como se eu possui-se a força que eu direciono para certas pessoas por ama-las de uma maneira louca de intensa, de forma que essa força me protege, é como o colar que a ausência se faz presente. É eu me sentir bailarina na leveza do amor que sinto e me libertar das delicadezas impostas para perceber que verdadeira delicadeza esta no meu intimo. Agora me sinto livre,  só não tente interpretar tudo que baila dentro de mim, porque talvez você não entenda minha verdadeira realidade.

Luciana Brites
Enviado por Luciana Brites em 02/04/2006
Código do texto: T132575
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Sobre a autora
Luciana Brites
Maringá - Paraná - Brasil, 27 anos
45 textos (1842 leituras)
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Luciana Brites