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ODES – Sementes de Luz!

Me disseram que planto sementes de luz...
Jamais pensei nisso! Lampejos de luz apenas refleti...
 
Quando eu era pequenino meus pais foram chamados na escola, pois minhas redações demonstravam e deixavam transpirar idéias de revolta e contra as tradições da época. Eu não conseguia compreender determinados pensamentos, as matérias ensinadas eram facilmente assimiladas por meus colegas...

Eu tinha dificuldade de compreender a matemática por ser uma ciência exata, sempre com resultados lineares no desenvolver de seus teoremas... As redações eram terríveis, cheias de erros e idéias truncadas, nem sempre pelo começo mas sempre com um fim por meio. Nas aulas de ciências eu divagava por mundos que somente minha imaginação poderia penetrar! Ah... se meus filhos vissem as notas que guardo escondidas, naquela pasta cheia de anotações, que possivelmente também contém minha primeira mecha de cabelo ainda arruivada, arrazoada por outros detalhes e anotações do nascimento e desenvolvimento do primogênito filho....

Tenho uma vaga lembrança de meu primeiro dia na escola, e nos registros de minhas recordações, não lembro se chorei pelo repentino corte com os laços familiares, por ser deixado em uma sala estranha, com outros estranhos seres à minha semelhança. As tias ainda eram professoras... Primeiro me colocaram com outros pequenos, nem sei se a minha idade tinham, mas pouco convivi, lembro que logo fui transferido para outra sala e se me recordo também chamavam de jardim... Após algum tempo, dias seguintes não fui levado ao mesmo local do tal jardim ao lado da paróquia da igreja do Cristo Rei, mas ao Grupo Escolar, também Cristo Rei. Lembro que já trajava um pequeno avental com listinhas verdes e brancas, com um distinto CR ao peito, e que recomendações mil fizeram para não sujá-lo. Me julgaram um pouco grande, ou um pouco tarde para permanecer naquela turma e logo recebi uma promoção. Eu era do pré! A sala anterior me fascinava, via pintado nas paredes personagens de estórias que acompanharam minha infância e iluminaram meus caminhos. A outra já era mais fria e sem tantos adereços...

Sempre tive certa dificuldade de fazer novas amizades... Pois via meus colegas com brilhos e vida  diferentes dos meus... Eram iluminados, vivos, de fáceis conversas e convicções... Eu precisava aprender essa língua, precisava me igualar em desenvolvimento e compreensão! Sempre tive medo de me aproximar das pessoas e elas por sua vez me viam com distâncias, pois nascido sob o signo de Áries, com características físicas e proporções um tanto maiores, com nome de romano guerreiro, acho que eu assustava meus colegas! Entretanto desconfiava eu que riam de meu jeito de ser meio desengonçado e de coordenação duvidosa...

Aos poucos fui aprendendo a ser eu mesmo, já conseguia ver outros brilhos nas pessoas. Tive colegas iluminados, outros sem tanta luz ficaram por descaminhos desta vida... Mas mesmo assim tinham seus brilhos!

Fui crescendo, e aprendendo mesmo com as lições da vida, tive amores e desamores... Todos deixaram seus registros, iluminaram minhas eras, acenderam minha alma, incendiaram meu coração! Fiz amigos, outros nem tantos... Apenas mais distantes ficaram... Desenvolvi um gênio arredio e cheio de dedos, acho que até consigo conversar sem preconceitos, ou criar novos efeitos...

Freqüentei muitos credos, aprendi de algumas religiões, não consegui ser fanático. Dogmas e filosofias me fascinam! Do espaço já vi objetos luminosos riscarem os céus sobre minha cabeça, em trajetos e velocidades celestes!

Vez por outra condeno as guerras, ainda não compreendo porque se travam. Outras vezes a fera que em mim também habita se revolta, mas procuro não alimentá-la. Mas as emoções dominam o ser homem, que passional externa a sua natureza herdada da caverna... Tento agora silenciar minha raiva!

No meu céu por inúmeras vezes procurei o Norte... Mas da Estrela que para o Sul  aponta, empresto-me agora os sentimentos que cultivo ou escrevo...

Bom demais, às vezes é saber que dentro da gente existem sentimentos que o tempo não apaga!

Minha mente deu milhares de voltas ao passado, em meus sonhos procurei em vão por elos perdidos... E agora descubro que ainda não me conheço plenamente. Errante busco a plenitude de meu ser!

Que fazer?

Pois sou assim mesmo. Passional, apaixonado pela vida e por tudo que me rodeia, mas não me sinto preso à matéria.  Às vezes acho que nem desse mundo minha carne pertence, pois as ondas de minha imaginação me levam a descaminhos não materiais, na mente eu tudo posso, mas não consigo controlar este corpo que vibra ao cruzar com sentimentos recônditos que achava eu, outrora esquecidos!

Não escolhemos querer amar ou odiar, não conseguimos simplesmente esquecer o que escrito já esta, mas nas causas imprevisíveis a latejar nas eras ou dimensões, talvez escrito esteja ou apenas retorne de tempos em tempos com a chance de podermos reescrever nossa história...

Prazer é se descobrir todo dia aos pouquinhos...
Alegria é saber, que os outros nos fazem parte, estão lá arraigados em nossas entranhas... Amar é compreender que jamais foi ou será, mas pela eternidade o é...

Para cada ponto que aprendi, conheci outros contrapontos... Aprendi a ver os dois pontos de cada história contada, e que se bem observada outros pontos e outros contos e é história agregada! Se de inicio e fim cada conto serve a um meio, os lampejos iluminam nosso seio... Mais pontos se soma ao meio!

Reflexos me foram os pontos de luz que na estrada vida vi semear. A luz que em meu ser cintila, se soma ao Ser Iluminante a nós espargido...

Jucersa
Abril/2006.
Saddock
Enviado por Saddock em 13/04/2006
Reeditado em 04/10/2012
Código do texto: T138742
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Saddock
Curitiba - Paraná - Brasil, 61 anos
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