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De Ovídio na Alma

   As vezes me perco divagando sobre algumas coisas que me deixam até, diria, meio "exorcizada". Dia desses terminei de ler Anjos e Demônios, e O Código DaVinci, ambos de Dan Brown. Maravilhosos, romancescos, imaginativos. Cheios de aventuras e malabarismos culturais. Mas hoje me peguei imaginando como as idéias se formam na mente humana. Claro que poderia me valer em muito da Filosofia, velha sábia amiga, para buscar entender certas coisas. Mas não o fiz. Entrei em umas páginas de um livro de renome: Metamorfoses, de Públio Ovídio Naso (43a.C.-17d.C.)e, alí mergulhei em uma reflexão avassaladora. Pensei na construção da poesia, em sua magnitude clássica. Belíssima. Imaginei como Ovídio em sua maestria, influenciou outros mestres maiores, tais como Dante, Shakespeare, Chaucer, Milton, e tantos outros mais...
Os pais de Ovídio tinham para ele outros planos profissionais, mas ele era amigo de Pompeu, grande poeta,e este o estimulou para a poesia. A sua convivência com poetas estava marcada por nada menos que Caio Mecenas, Horácio, Propércio. Lamentavelmente não conheceu Virgílio. Nem Tibulo, a quem dedicou uma elegia fúnebre. Mas seu tema favorito é o AMOR. Sua primeira obra foi para o amor, Os Amores. Depois veio A arte de amar, uma combinação da habilidade intelectual com a pura emoção, revelando um erotismo que ia de encontro com a austeridade moral da época do Imperador Augusto. Essa foi sua sua escada para baixo. Mas nem por isso deixou de revelar sua poesia, em seu sentido mais belo e puro de ser.Em Metamorfoses, Ovídio superou-se, com versos de seis sílabas, em quinze livros. Trata-se pois, de uma coleção de lendas helênicas, onde em cada uma acontece a metamorfose. Ele foi dotando seus personagens de origem divina, de emoções plenamente humanas, transformando desse modo o que poderia ser mero exercício de erudição num universo mágico, de sonhos, aspirações diversas, imaginação, revelações muito íntimas.
E foi nesse interim que me dei conta que o poeta é sempre um arsenal de criatividade. Uma bomba-relógio prestes a explodir suas imaginações. Desvendando os mistérios de cada palavra em cada ação. Desnudando qualquer forma de prática moral. E me vi assim, de alma lavada, de coração alegre e ardente pelas poesias que me vêem. Me sinto, diria de Ovídio na alma.
NENINHA ROCHA
Enviado por NENINHA ROCHA em 25/04/2006
Código do texto: T145227
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Sobre a autora
NENINHA ROCHA
Guarapuava - Paraná - Brasil, 56 anos
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NENINHA ROCHA