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Saudade de um tempo bom

     Que saudade da minha infância, daquele tempo onde não havia preocupação e não maliciávamos nada, tudo era puro, tudo era verdadeiro, aquilo sim é felicidade em essência.
     Quantas vezes não acordava com o cantar do galo, só pra poder ficar mais tempo sem fazer nada, ou melhor, só pra ter mais tempo pra brincar. Carrinhos, bonecos, ursos de pelúcia, bicicleta e uma infinidade de quinquilharias que fazia meu pai comprar pra mim. Graças ao meu poder de convencimento e ao coração generoso do coitado do meu pai, sempre fui servido de muitos brinquedos.
     No quintal, em meio aos pés de árvores frutíferas e também às roseiras, construía verdadeiras cidadezinhas pra poder brincar o dia inteiro, quase sempre sozinho, mas às vezes aparecia os colegas, que faziam companhia, até que virasse encrenca e fosse cada um pro seu lado.
     E os lanches da mãe, ai que delícia. Fritava bolinho de chuva, de doce ou de sal, com aquele café saboroso, cujo cheiro muito agradável, um verdadeiro perfume nos trazia lá do terreiro direto pra mesa. E tinha também pão caseiro, rosca doce, orelha de padre, pastel de farinha de trigo, manteiga de lata, doce de abóbora mole, requeijão, mel, tanta coisa gostosa. Além de nutritiva e saborosa, a hora do lanche também era uma grande diversão.
     Abastecido e com toda energia, partia para as aventuras no meio do mato. Como um verdadeiro atleta, em segundos era fácil chegar ao topo de uma árvore. Também não era difícil escalar os barrancos de terra ou escorregar de papelão neles. E nos dias de maior ousadia, tomava aquele delicioso banho no riacho, enquanto a armadilha de espreita iria garantir uns peixinhos pra levar para a casa.
     Embora de relativa boa índole, confesso que não era muito chegado à religião, mesmo sempre tendo e ainda tenho uma enorme fé em Deus, na Virgem Maria, em todos os Santos e Anjos, mas não gostava de participar muito das atividades religiosas. Por esse motivo eram raras às vezes que eu ia por livre e espontânea vontade à catequese. E fiz ainda a Primeira Comunhão, com um padre alemão, com o qual morri de medo de confessar pela primeira vez.
     Mas não se fala de infância sem recordar o primeiro amor. Loira, linda, até hoje nas minhas recordações aquela menina doce e meiga se faz presente. Achávamos que o mundo nunca ia mudar, que para sempre estaríamos junto, naquele nosso puro e belo amor infantil. De beijos, carícias, afeto e de uma amizade que hoje em dia não existe mais. Éramos mais que namoradinhos, éramos anjos vivendo em perfeita simetria no paraíso de nossa meninice.
      E o que resta desse tempo bom? Resta muita saudade, mas também muito aprendizado. Lições que vão ficar pra vida inteira, verdadeiras aulas que nos mostram hoje como ser honesto, como fazer o bem, como viver de maneira honrada. E que acima de tudo, nos ensina algo mais importante, que não importa quanto tempo passar, que seremos sempre crianças no nosso íntimo, que isso que nos dá ânimo pra viver e ser feliz.
Léo Guimarães
Enviado por Léo Guimarães em 15/12/2009
Código do texto: T1980264
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Léo Guimarães
Borda da Mata - Minas Gerais - Brasil, 35 anos
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