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Guerra e Paz na visão de uma leiga

Tere Penhabe

Todos querem a paz!
Cada um à sua maneira é bem verdade, mas todos a querem... paz para o mundo!
Mas o mundo somos nós, e é aí que tudo começa a se complicar, porque não basta querer a paz, é preciso SABER a paz, praticar, exercer, e isto, estamos longe de conseguir, mesmo sem mísseis explodindo em nossas cabeças, sem feridos gritando ao nosso lado, com a mesa farta e o computador ligado.
E então disparamos acusações via internet... contra israelitas, contra árabes, contra o Bush... só me surpreende que ninguém ainda tenha acusado o Lula disso tudo...
De repente, não é mais bem assim... os israelitas são inocentes, pois estão sendo perseguidos desde os tempos de Moisés, e a paz está nas mãos do Vaticano, ou melhor dizendo, numa carta que o Vaticano guarda a sete chaves, e que poucos conhecem, só "os escolhidos"...
Não não, os árabes também são inocentes, a culpa é do grupo terrorista libanês Hizbollah que obriga os árabes a aceitar a guerra em seu terrítório, e mesmo que a mãe libanesa aqui do outro lado do oceano, diante da morte do filho de 17 anos, brade aos quatro cantos que criou seus filhos para a guerra, que ele morreu onde sempre quis morrer, e que o outro filho também está lá lutando por seu país, apesar de ter nascido, se criado e vivido até então no Brasil, que não está pedindo-lhe a vida, e certamente se pedisse seria negado, ainda assim, são todos inocentes...
E todos querem a paz...
Então os poetas lembram que existe Deus, e O evocam como nunca! Mas Deus está quieto... muito provavelmente de cabeça baixa...
Enquanto a guerra faz a festa dela no oriente, no ocidente os poetas se degladiam, acusando-se mutuamente das raízes, das mortes provocadas pelos desbravamentos colonizadores, da escravidão...?
Versos lindos pairam na atmosfera, e causam-nos emoção, arrepios, são extraordinários! E toca repassar, mais cem, mais duzentos, mais trezentos precisam ler aquilo, que maravilha!
E na verdade, nada mais que a verdade, é só um duelo de egos exaltados, incomodados com esse ou aquele brilho poético, maior que o seu... que triste.
Mas todos querem a paz... E exigem que a ONU diga quem deve calar a boca para se ter a paz. Mas ela continua calada...
E chegam-nos manifestos e mais manifestos pela paz...
Alguns mandam que nos calemos, que deixem falar os que estão perto da guerra: _ cada um na sua, minha gente, terá guerra para todos, acalmem-se e esperem sua vez!..._
Outros, mais ousados, preparam manifestações maravilhosas, e as pombas brancas esvoaçam suas asas com seus efeitos especiais pedindo paz! Evocam a pessoa errada, mas tudo bem, vamos em frente, o Holocausto não é mais a bola da vez, ele ficou no passado. Na verdade, pessoas que tiveram seus ente-queridos massacrados por Hitler e seus asseclas, ainda lembram vagamente do Holocausto, mas... lembrar pra quê, não é mesmo? (pra quem não sabe, isso foi ironia...)
O que importa é a paz! Como se faz a paz, não é problema nosso, é da ONU. Ou não?
Nós, em vez de pegarmos o pequenino pelas mãos e ensinar-lhe a grandeza da paz, deixaremos para quando ele se sentar na frente do computador e puder ver as fotos de criancinhas mortas na guerra, terão aprimorado com os avançados programas de fotoshop, estarão mais bem feitas, muito melhor de serem mostradas... anos a fio. E talvez, com sorte, alguma delas ganhe o prêmio de melhor foto do ano, então a teremos em milhões de mensagens espalhadas pelo mundo, como aquela pobre criaturinha esquelética que foi fotografada ao lado de um urubu, e que muito provavelmente morreu de fome, mas deixou famoso o fotógrafo que "teve a sorte" de fotografá-la.... mundo cão!
Apesar de gostar muito de escrever, eu nunca ousei escrever sobre a guerra, sobre a paz... porque não sei. Apenas oro silenciosamente pedindo a Deus que me mostre o caminho, se eu puder ser de alguma valia.
Receio que não posso, mas mesmo assim, registro meu protesto contra aqueles que pedem a paz, lustrando seus egos reluzentes e atirando pedras poéticas, sem o verdadeiro respeito pelos verdadeiros inocentes dessas guerras imundas que povoam o mundo, onde se busca a paz através de tapa-olhos e cala-bocas que não têm fim... a paz é muito mais do que isso! E isso, até um leigo sabe...

Santos, 15.08.2006


Tere Penhabe
Enviado por Tere Penhabe em 15/08/2006
Código do texto: T217096

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Sobre a autora
Tere Penhabe
Santos - São Paulo - Brasil, 61 anos
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