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Blogalização (4 de Agosto, 2006)




Recebi um comentário da Brisa ao ‘Extra! Extra!’ da semana passada, onde ela menciona algo importante em relação à ‘$inhá mídia’ (como a chama o Pirata), ou em relação aos meios de comunicação, no geral. Disse que a credibilidade dos blogueiros (istas, ianos, como queiram) tende a ser maior pelo descompromisso a um ‘patrão’ e a um padrão específico. Os escritores linkados, por exemplo, a’Os Intensos, se manifestam sem pudôres a respeito dos mais variados temas. Na ‘$inhá mídia’ de Pirata, no entanto, a coisa é bem diferente. O compromisso com o patrocinador, político, magnata, tubarão e seja lá mais quantos, faz com que a articulação seja ainda mais complicada, pelo simples fato de truncada e limitada a um ponto de vista opaco. Márquez, em seu livro ‘Vivir para Contarla’ diz que o jornalismo é o mais fino exemplo de literatura. A obrigação de tecer a ‘verdade’ faz com que toda uma nova articulação, ‘segunda natureza’, evolúa com o jornalista. Talvez, o descompromisso seja realmente positivo pela falta de necessidade em esconder o que se percebe real. Opinar, sem se preocupar em perder o emprego. Dizer o que se enxerga, sem medo de que o público desaprove. Quem desaprova, geralmente não lê. Quem lê e desaprova, os poucos (se estiver errado, favor comentar) acabam ‘empatando’ em opinião, no máximo, mas raras são as vezes que, por vontade alheia, um bloguista desista de sua causa. A influência, enfim, de um blog na vida das pessoas de nossa sociedade ‘blogalizada’ tem mesmo a tendência de superar as ‘vontades’ da mídia atual? Qual é o futuro da opinião pública?

Este é o tema de nossa Sexta Pensamental: A Blogalização.

Neusa Martinez mandou um imêiu a todos os bloguistas de seu sítio, o BrTv, dizendo que somos pioneiros, em formato oficial de mídia, a blogar entre os imigrantes dos Estados Unidos. Nem mesmo o Tio Sam possui algo igual, apesar de que isto já não seja algo incomum entre os maiores jornais do Brasil e do mundo. Dentro destes jornais, contudo, os bloguistas também seguem a um determinado padrão, ou seja, nem tudo se pode dizer e nem sobre tudo se deve falar. Com o BrTv é o mesmo, como seria em qualquer outro jornal. Recebemos algumas dicas dos patrões, e obedecemos, claro, por enquanto sem contragosto algum.

Ainda assim, os verdadeiros blogs aos quais me refiro, não têm coleira. Neles, caso desejarmos, falamos mal de nosso vizinho, o Poderoso Chefão, e sofremos as consequências que quisermos arcar (ou que pensarmos poder arcar, até que se prove o contrário). Falo do próprio Pirata, por exemplo, como falo de Jean Scharlau, mas também falo de pessoas que atingiram um patamar ainda mais ‘popular’ e, ainda assim, falam o que der e vier, limitando-se basicamente ao próprio julgamento e consciência, como LF Verissimo, João Ubaldo Ribeiro, Millôr, Fausto Wolff, Ziraldo, Mauro Santayana, apenas para mencionar alguns dos brasucas. Cada canto tem dos seus, que apesar de poucos, provam-se bons à medida do tempo, reconhecidos em seu meio, hora e outra fora dele, ou reconhecidos vastamente, por uma maioria que não tem exata idéia do porquê.

Há mais ou menos um ano atrás, Plattek me enviou um outro imêiu com um vídeo mostrando a projeção futura da Mídia. Com a globalização virtual, até mesmo atualmente, pode-se conseguir a notícia que se deseja conseguir, da fonte que mais bem caiba ao paladar do leitor, espectador ou ouvinte. Futuramente, assim projeta o vídeo, as grandes companhias estarão mais ou menos decentralizadas às ‘mãos’ do povo, o próprio povo noticiando ao povo, reportando ao povo, transmitindo ao povo com a tecnologia de ponta que hoje em dia apenas os mais ricos possuem. Não sei se sei que será bem como mostra a rubrica, mas ainda penso que há alguma verdade nisto. Os blogs, por serem escritos, especificamente, têm sua importância não só pela transmição individual das notícias, como também pela própria literatura cada vez mais negligenciada e que, aqui, se complementa. Quantas pessoas leitoras e escritoras deste blog não encontram tempo para ler um livro? (Recomendo a leitura de uma postagem de Luciano Rabuske nos blogs do BrTv, sobre a ‘falta de tempo’).

Ontem mesmo, no restaurante em que se celebrava a despedida da turnê mundial d’Os Mutantes, Chico Moura, fundador do primeiro jornal brasileiro no Sul da Flórida, o Florida Review (do qual rapelei um concurso de contos infantis em 1997), me disse ontem que não tem tempo para essas coisas de orkut e blogs, nem tempo nem paciência. Não é a primeira vez que vejo compararem os blogs ao orkut, sendo uma coisa bastante diferente da outra, mas ao mesmo tempo, talvez igual. No orkut, para quem não conhece, há comunidades nas quais as pessoas expressam todos os tipos de opiniões, alguns até as mais picantes sem o menor pudôr. Alguns se escondem atrás dos pseudônimos, e outros mostram a verdadeira face, como era meu caso até o dia em que (ufa!) consegui sair do circulo vicioso. No entanto, me ajudou a chegar ao blog, conhecendo as pessoas certas e treinando a expressão e a reação do ‘público’ nas devidas comunidades.

O fato é que, justamente por ter uma liberdade maior (ou incondicional), os blogs também podem não ser levados tão a sério. João Ubaldo Ribeiro disse à Neusa, em sua entrevista, que fuça a rede eletrônica o dia inteiro, que é seu vício, contradizendo até mesmo a Fernando Sabino quando anotou que não imaginava os grandes clássicos escritos a computador. Quem sabe, velho e saudoso Sabino, daqui a cinqüenta anos nossos clássicos computadorizados não sejam tão ruins? Ah, o senhor diz que o mundo não resiste até lá, oll korrect.

Qual será o destino da Blogalização? Se o Pirata tem suas 2000 visitas em dois meses, o Palavrossavrvs Rex* (vide comentario), se não me engano, passou dos mil em prazo similar, eu chego aos 399 em menos de duas semanas, quantos sempre retornam, quantos são novos, quantos entram e verdadeiramente nos lêem, mas mais importante do que todas estas perguntas acima: Quantos verdadeiramente se importam com o quê dizemos, e se se importam, não se importavam antes e, se se importavam antes, o quê dizemos contribuiu em algo aos seus pensamentos? Assim falo dos blogs mais populares, com as dez mil visitas, vinte mil visitas ao mês, como o sítio do BrTv ou até cinqüenta mil, cem mil, um milhão, um bilhão de visitas, como os Poderosos Chefões da acanhada '$inhá mídia’ de Pirata?

Não sei responder a estas perguntas, mas me questiono.
Bem como os jornais pararam em pouquíssimo prazo (salvo um único jornalista da CNN, motivo, entre outros, pelo qual respeito-a como emissora) de reportar a respeito das atrocidades na região Norte-Africana de Darfur, conflitos que levavam mais ou menos um terço de pessoas por dia do que se levou até agora no total de ambos Israelenses e Árabes. Agora, esquecem um pouco deste último grande conflito, e as vozes das vítimas cada vez mais se borram ao som das bombas e de Merdálica.

Como podemos fazer para que mais pessoas saibam...? Ou, será que nós temos mesmo o que dizer?

Sexta Pensamental pensadora. Bom fim de semana, aos abrax,

RF
O Intenso
Enviado por O Intenso em 17/08/2006
Código do texto: T218286
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Sobre o autor
O Intenso
Estados Unidos, 36 anos
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