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Porque no todos somos iguales…

Quando Darwin, em meados de 1830 traçou uma das mais importantes jornadas da história contemporânea abordo do Beagle*, aparecia a primeira foto clara de um primata mostrada civilização ocidental afora. Apenas então, há menos de dois sólidos séculos de história atrás, o olho comum (global) do ser humano se familiarizou com as similaridades entre as naturezas humana e animal. A ciência, antes da sagacidade de Darwin (e a de alguns notórios de seus amigos e colegas) era praticamente limitada à palavra e perspectiva da igreja e as misticidades da época. Nem tão diferente de nossos dias atuais, crenças antigas foram usadas para destruir quaisquer chances realistas de que a maioria dos cientistas descobrisse algo verdadeiramente novo. A mera noção de que apenas então, graças à colonização e crescimento do Império Britânico decorrentes, a foto de um primata se tornou disponível aos olhos da população, nos faz compreender o quão simples era que se desviassem do comum conhecimento e apelassem às crenças em causas e efeitos improváveis aos imutáveis poderes da natureza.

Em nossos tempos, e nem há muito atrás, uma foto decente e algumas cenas filmadas foram tiradas por pessoas comuns, jornalistas e repórteres em Tel Aviv, Israel, de uma macaca que passou a andar sobre duas patas. Natasha, a macaca, teria contraído um distúrbio após gravemente enferma do intestino, e um dos efeitos colaterais deste distúrbio cerebral foi tornar-se bípede. Como zombasse de ortodoxos e conservadores caminhando de lado a lado em sua vasta jaula no zoológico de Tel Aviv, Natasha permaneceu em minha memória como um dos mais marcantes testemunhos da similaridade entre seres humanos e animais, melhor vista nesse caso, em primatas. Depois de Darwin, muitos anos após sua jornada e descobertas posteriores, pós-Darwinismo, teorias fabricadas, provadas e desmistificadas, ainda a maioria das pessoas neste planeta acredita menos ou mais na racionalização criacionista. Ou seja, acreditam que o homem foi criado por Deus e a mulher de sua costela... O homem (e é claro, a mulher), foram ambos criados à Sua sagrada imagem e semelhança, não como os demais animais, estes criados para que o homem abusasse e dominasse, mesmo que, certamente, melhor pensariamos nas melhores intenções divinas, de que fossem usados e dominados sabiamente. (Não desgastados, mas este já seria um outro debate...)

“Um novo estudo sugere que gorilas em cativeiro transmitem costumes (traços) social, e não geneticamente – um marco histórico.”

Agora, cientistas descobrem que animais e seres humanos têm ainda mais em comum do que alta porcentagen de DNA. O comportamento humano (e não apenas seus instintos) também é compartilhado com os primatas, como já percebido em algumas espécies símias, e recém descoberto entre os gorilas. A ciência ainda se choca contra o pragmatismo religioso. Todavia, com a mera observação e através da vasta variedade de canais pelos quais se pode comunicar notícias (dados), nos podemos tornar mais sábios e espertos ao fato consumado de que, se há uma alma humana, esta mesma alma é compartilhada pelos demais animais. Por outro lado, a idéia da alma não foi criada como meio de segregação entre seres humanos e animais; até mesmo entre raças humanas e outras raças humanas? Não era pra sermos animais racionais, já que ao contrário dos irracionais, nós não nos guiamos apenas por instinto? Aparentemente, se for o caso, os outros animais podem ser tão racionais quanto nós... Ou mais...

Já sabemos que animais se comunicam. Já sabemos que algumas espécies de pássaros são, de fato, monogâmicas. Estamos cansados de saber que em determinadas espécies de insetos há melhor organização social às quais usamos em nossas sociedades e, recentemente, descobriu-se que há certos roedores que até se apaixonam! Agora, elás, sabemos que eles ostentam culturas.

Por culturas quero dizer que, conforme já observado em outros símios e agora também entre os gorilas, estes desenvolvem comportamentos e tradições próprias, diferenciadas de membros da mesma espécie, habitando diferentes áreas do mesmo zoológico. Não só isso, mas também desenvolvem estes costumes e tradições, muitas vezes, espelhados no comportamento humano que os circunda, adotando-os em seu quotidiano.

“O que se tornou muito óbvio é que há uma linha de similaridades e diferenças entre os grupos,” afirmou Stoinski.

Esta informação pode não significar muito para as manchetes da imprensa impressa ou telecomunicada, mas a mim soa um tanto engraçado. Somos tão arrogantes, acreditando nossa superioridade na face desta Terra, enquanto nós não apenas clamamos o poder da reza, mas também ignoramos o conhecimento comum afins de confortar nossas mais surreais ‘necessidades’. Do outro lado da selva, gorilas e micos formam suas sociedades de acordo com suas capacidades. Assim observado, nós quiçá fazemos a mesma coisa em diferentes níveis, mas ainda com o mesmo propósito.

“Já para os chimpanzés, vídeos recentes, descritos neste Domingo aos repórteres por Whiten, mostram os macacos no Congo usando um ‘kit de utilidades’ para coletar cupins.

‘Os chimpanzés primeiro usaram um longo graveto para cavar meio metro ninho de cupim adentro. Eles, então, retiram o graveto e usam algum outro galho mais fino selecionado para pescar os insetos através da tubulação criada,’ disse Whiten.”

Richard Feynamn ** disse certa vez que cientistas são como chimpanzés. Enquanto chimpanzés demoram para descobrir como usar dois pedaços de pau curtos para fisgar o cacho de bananas dependurado, um cientista demora bastante para colá-los e fazê-los funcionar. O traçado é o mesmo, talvez apenas em diferentes graus de consciência. Não me surpreenderia se algum dia descobrissem que primatas (ou outras espécies de animais) se preocupam por sua existência neste planeta, se questionam sobre sua origem e eventual fim. Não entendo como muitos ainda encontram cólera e se manifestam contra estes cientistas e sua ciência, pelos frustrados (tantas vezes frustrados) experimentos. Ao menos, eles tentam. Enquanto que, para os macacos e chimpanzés ainda não se faz tão complicado concentrar-se na própria evolução, nós parecemos muito ocupados com outras coisas. Irônico. Na modernidade é extremamente simples observar fotos e filmagens de primatas a olho publico, mas por outro lado, quem encontra tempo – entre maravílias coloridas, plásticas, metálicas e virtuais – a fazê-lo?

Devíamos mesmo começar a ouvir os sussurros revolucionários (se não fundamos uma sociedade alternativa, ao menos encontremos alternativas para a sociedade) já que não parecemos escapar da obliviedade da evolução... Assim diz Natasha e os Gorilas... Nome legal para uma banda de rock!

(Trechos entre aspas tirados e traduzidos de www.cnn.com)

RF
O Intenso
Enviado por O Intenso em 17/08/2006
Código do texto: T218502
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Sobre o autor
O Intenso
Estados Unidos, 36 anos
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