Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

CHEIOS DE TUDO

CHEIOS DE TUDO

(Autor: Antonio Brás Constante)

 

            Existem pessoas tão cheias de si, que até suas caixas de recados são cheias. Tratam os outros com a mesma intolerância fria proferida nos recados de suas máquinas vazias.

            Gostam de arrotar educação, com fina crueldade, mas discriminam qualquer um que não seja de seu status social. Sua arrogância está estampada em suas faces macias tratadas com creme especial.

            Sabem se portar a mesa, porém desconhecem as virtudes da simplicidade excluída na periferia. Dos muitos que eles poderiam auxiliar, dos muitos que poderiam lhes auxiliar, dos muitos que vivem sem lar, dos muitos que vivem sem poder sonhar.

             Falam diversas línguas, mas desconhecem a língua universal da humildade. Vestidos como reis, escondem a própria pobreza de seus sentimentos egoístas, que acabam expostos nos seus pontos de vista, na sua fala esnobe, na empáfia de suas vidas.

            Pobres animais pensantes. Pobres vítimas de sua soberba sem pudor. Pobres de nós quando encontramos estes seres sem amor. Que tratam a todos com ironia, que maltratam sua própria chance de viver com seus semelhantes em harmonia.

            Cheios de tudo, donos de um mundo que não é seu. Enaltecem futilidades, muitas vezes vendendo sua dignidade em troca de glamour. Negam-se a beber do cálice da benevolência. Não sabem o que é clemência. Proclamam a si mesmos como doutores, como se um mero título fosse provar que por direito são melhores do que seus irmãos de carne e sangue. Apresentam-se como senhores da decência, maquiando a própria decadência com suas requintadas mascaras de cinismo e podridão.

            Existem muitos seres assim, na riqueza e na pobreza. Entre ateus e religiosos. Entre todas as raças do planeta. Trajando uma armadura de espinhos feita de ofuscante orgulho. Abrem caminho para um falso futuro, sonhando com o topo, mas vivendo em um túnel escuro, abraçando a solidão tecida por sua amargura, por acharem que neste mundo são as únicas criaturas.

 

(SITES: www.abrasc.pop.com.br e www.recantodasletras.com.br/autores/abrasc)

 

ATENÇÃO: Divulgue este texto para seus amigos. (Caso não tenha gostado do texto, divulgue-o então para seus inimigos).

Antonio Brás Constante
Enviado por Antonio Brás Constante em 22/08/2006
Código do texto: T222326
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre o autor
Antonio Brás Constante
Canoas - Rio Grande do Sul - Brasil, 100 anos
399 textos (85227 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 02/12/16 16:12)
Antonio Brás Constante