Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

Como eu era bonito

E se depois de eu nascer nos braços duma mãe brasileira
E fosse levado pelos ventos nordestes para acima das hipocrisias?
Seria eu poeta neste mundo de alegria, certezas não existem.
Quem quiser me explicar, fala com calma, que seja uma voz de mulher

Como imagino tua voz tão rouca e tão bela como a de uma menina
Naquele tempo havia meninas bonitas. Foi-se, passou, e eu?
Talvez se enquanto respira-se eu tivesse fôlego de atrever-me...
Mas não tive, fui vítima de mim mesmo, só a ti a timidez é uma virtude

Veja,  meu coração sagra nas minhas mãos, podia ser recém nascido...
Mas, é pós-mal-amado, veja, o pobrezinho é feio, mal latente, quase frio
Veja! Parece uma rima morta, ou uma linha reta... completamente torta!
Abriu seus olhos castanhos, viu no mundo a luz que pensava alcançar

Chorou naqueles braços seguros, os meus muito finos, os da minha mãe
E também vi aqueles cabelos pretos, me davam segurança como outros
Dourados eram os cachos que a vida me dera, e depois ficaram curtos como ela
Então me dei para a senhorita de cabelos louros, sem jantar, direto as velas

Não, eu não poderia ter nascido diferente do meu coração, pois o sou
Além disto, minhas mãos me ajudaram bastante, pude escrever...
Meu olfato me agradava e me magoava, você tem um perfume tão...
Tão gostoso como teu corpo e ao cheiro que teria se castanhos exalassem

E me vejo tão protegido e fraco: Eu, coração caído, fui bater em outro seio
Há tempos não tenho o gosto de andar como eu ando, um tanto estranho
E o modo bonito com que eu segurava a mochila, coçava as sobrancelhas
Quando eu ficava nervoso com aquele perfume, cheiro de banho, sonhos

Quando eu escutava canções e ficava olhando para cima. Sonhava ser o que sou?
Sonhava não ser mais ninguém?Eu me estraguei, eu era tão bonito,
Eu dizia que ia fazer algo, e esquecia. Eu dizia que ia fazer algo, e mentia...
Mas como foi bom, não se deve chorar o leite derramado, mas nem derramei...

Mas não adianta, minha vida não existe mais, a vigor se foi, tudo, na verdade
Hoje tenho culpa, tenho que me calar diante de tudo, pois não posso falar
Fiquei disperso, pó.  Hoje eu não deixo pra depois o que eu prometia fazer.
Gostava porém, de fazê-lo por você. Como a vida é vivível, o coração nem soa mais.
Andrié Silva
Enviado por Andrié Silva em 16/09/2006
Reeditado em 16/09/2006
Código do texto: T241787

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (Andrié Keller ( baadermeinhofblues@hotmail.com ) Brasil - http://www.recantodasletras.com.br/autores/andrie). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre o autor
Andrié Silva
Salvador - Bahia - Brasil, 27 anos
912 textos (98453 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 06/12/16 06:38)
Andrié Silva