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Meu mundo

Minha vida tem sido muito confusa. Nunca tive uma personalidade fixa, ou própria, ou real. Tenho medo dos meus medos. Dos meus pensamentos. Das minhas incertezas. Do meu amor. Da minha paixão. Dos meus desejos. Dos meus sentimentos. Do meu destino. Da minha memória. Da minha razão. Das verdades e mentiras; e das verdades também.
Minha vida tem sido confusa. Minha cabeça é confusa, está confusa. É e está. Sempre esteve, e está. Meus desejos guiam meus pensamentos; minhas emoções são controladas, vigiadas para mostrar apenas o que as pessoas esperam e acreditam. Assim tenho sido eu: eu não tenho sido eu. Eu existo, estou aqui, mas não existo verdadeiramente. Ocupo lugar no espaço, mas meus desejos, pensamentos, vontades, sentimentos, amores, temores, sonhos... Não têm ocupado outro lugar senão minha mente. Ela vai explodir. Minha existência é abominável ao meu próprio ser. Minha vida tem sido inexplicável. Eu não a entendo, não entendo-a. Tudo está errado, tudo é errado, tudo foi errado. Tudo será errado? Não consigo entender, não tenho respostas, não tenho sequer perguntas corretas, não conheço o motivo de minha existência, não sei qual é meu objetivo, meus planos, meus desejos, minhas vontades, meus sentimentos. Não sei ao menos quem sou eu. Eu sou? Às vezes acredito estar num sonho sem fim. Um pesadelo talvez! Um pesadelo horrível, um sonho horrível é um pesadelo horrível também. Dias acredito ser louco, sou louco sim, invento canções e canto-as, acredito ser outras pessoas e as sou, mudo de vida, e já não sou mais eu. Não sou eu mesmo. Ninguém me conhece, eu não conheço a ninguém. Varias vezes já escrevi o que penso, mas é difícil de entender. As palavras vêm sem ordem, sem sentido, sem lógica, sem equilíbrio, vêm simples, saem da cabeça e vão à ponta dos dedos e formam um texto incoerente, que nada entende, que ninguém entende, semelhantemente aos meus pensamentos. Tais palavras são na verdade meus pensamentos desordenados. São eles assim: difíceis de entender. Impossíveis talvez. Confusa tem sido minha vida. Ela tem sido confusa. Eu também! Cadê este, aquele, ela e ele? Cadê os amigos? Onde estão os bons conselheiros, os ombros que se molham com minhas lágrimas, a amizade, o amor, a riqueza interior? Onde eles habitam? Ou melhor, onde se escondem? É fácil discernir a riqueza da pobreza(?!), mas onde se escondem os princípios da ética, da moral. O que, e quem, os impuseram? Por quê? Cadê o povo amigo, que não vê? Que não sente? Que não se perturba? Que nada faz? Onde ele se esconde? Aonde ele vai? O que ele faz? Por quê? Por quê? As respostas não existem para todas as perguntas! Por quê? A miséria assola o corpo, a alma também! Entende? Leia! Leia! Entenda! Entende? Por quê?
Qual a minha situação? Quem eu sou realmente? Qual meu destino? Qual minha razão de estar aqui? Meu dever, quais são? Direitos, não os tenho! Isso eu sei. Manipulam e enganam-me. Sei que não os tenho. Ninguém os têm. Deveres todos têm, mas quem é capaz de cumpri-los? Ninguém! Isso eu sei! Somente isso eu sei! Ninguém! Ninguém! Quem sabe? Alguém sabe? Digo: Ah! Ah! A loucura é nossa amiga. Talvez a única que temos. É nela que os sábios se escondem, nela que os ricos se apóiam, que os pobres choram, que eu, que eu? Eu o quê? Por quê? O que e por quê? Acompanhado, sinto-me sozinho. Sozinho, sinto-me (...) sozinho, ainda! Não há o que fazer para melhorar. É tudo engano. Nascemos e morremos. Morremos porque nascemos, mas por que nascemos? Para morrer unicamente?! Unicamente? Nascemos; morremos porque nascemos; por que nascemos? Ah! Ah! Eu sei que não sabemos. Ninguém sabe nada. Apenas sabe que existe, mas será? Será mesmo? Existência é o que? Estar presente aqui, viver aqui, obter uma historia ao longo de anos? O que faz nossa existência para nós e nós para nossa existência? Nada? O que e por quê? Alguém sabe? Ninguém sabe. Eu sei! Eu sei que ninguém sabe, nem entende. Eu também! Maldiz e  bendiz. Como e por quê? Chora e ri. Como, por quê? Vivemos em um mundo, mas sonhamos com outros absolutamente diferentes do primeiro, normalmente melhor, embora algumas vezes piores. Mas sempre existe em nós um mundo nosso, só nosso, apenas nosso. Nele podemos viver, apenas nele, só nele. A prova de nossa existência é a nossa loucura! Eu existo, comprovo que existo. Quem mais existe? Apenas aqueles que estão no meu mundo, quem eu quero que exista. Apenas estes. O bem e o mal sou eu quem os faço, quando os quero fazer. Não existe certo ou errado, apenas contradições de pensamentos. Dos mesmos pensamentos. Dos desejos que confrontam-se com as idéias. Das idéias diferentes do que desejamos; porque desejamos o melhor, ou não!(?) Nossa loucura é a maior prova de nossa existência, talvez a única. A única. Cresça, viva, desfrute da loucura que há no mundo. No nosso mundo. No meu mundo. No mundo. São loucos pra mim. Sou louco pra alguns, para todos. Para mim não! Não para o meu mundo. Nele sou o chefe e o servo. Quando quero. Se quero. Apenas se. Se e somente se. Se. Existo, quando quero. Se quero. Apenas se. Somente se. Se. Mas estou morrendo. Porque o mundo sufoca o meu mundo.
JASN
Enviado por JASN em 15/10/2006
Reeditado em 15/10/2006
Código do texto: T264993

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Sobre o autor
JASN
São Carlos - São Paulo - Brasil, 28 anos
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