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AQUELE HOMEM

    Haveria homem mais solitario que este que se abnegara a vida. Que emudecera diante da dor dilacerante da alma. Os olhos sombrios inerte no infinito da duvida. Cabisbaixo caminhava na chuva, perdido em si mesmo. Que angustia ve-lo e sem nada poder modificar. Uma parte de si se fora, junto seus sonhos de juventude. Alguns se piedavam da miseria humana que este se tornara, outros seguiam suas vidas sem se importar. Embriagava-se em sua dor e a cada dia se tornara um pouco mais insano. O desespero o cegava, havia desistido da vida, como se assim pudesse punir-se. Faltava-lhe coragem em admitir seus erros. O orgulho que o impedia de prosseguir era seu proprio algoz. Sacrificava-se em admitir os medos que iam em seu intimo, como se assim pudesse encontrar alivio. Tolo sacrificio, que sulgaram-lhe a essencia da vida. Nao teria o calor do lar, o riso facil das criancas, tao pouco o amor o estaria esperando. Na bela casa jazia o abandono, o gelido silencio. Nao havia o cheiro confortante da espera, o calor do encontro. Tudo estava em ruinas, assim como sua vida. As lagrimas que insistiam rolar pela face num manifesto, era o que restara. Andaria a esmo, buscaria as respostas, respostas as quais ja nao importavam. Sacrificara a seguranca do aconchego, pela tempestuosa paixao. De bracos abertos lancara se ao abismo, perdera a dignidade. Suas palavras estavam ao vento. Nao havia a quem pedir perdao, nada lhe restara. A nao ser esta dor eloquecedora. Pagara um alto preco por ser imprudente. A escolha insensata era como uma chargas a sangrar o coracao. Haveria alguem capaz de lhe estender as maos e ampara-lo, confortando-o. Seria capaz de se entregar a um novo alguem e se dar a chance de se perdoar. Talvez se o medo nao o imobilizasse, ele caminharia mais confiante. Talvez houvesse se passado tempo suficiente. Era necessario libertar-se dos fantasmas. Ela estva voltando, e mesmo que nao o aceitasse ele devia lhe. Por toda dor causada, pela vergonha sentida, teriam que se libertar. Nao poderia ser egoista e configurar sua dor como suprema. Aquele encontro teria que haver, teriam que superar o rancor para poderem recomecar. Sentiu se envergonhado pelo aspecto deploravel, a vaidade de outros tempos ja nao existia. Era um homem despido da luxuria e da riqueza, perdera tudo quando teve medo e fugiu de seus atos. Ela havia envelhecido, talvez a dor a tivesse corroido, seus olhos estavam frios, sua voz receava um tanto rancorosa. Fora um encontro de monossilabos, nao houve lagrimas, ambos estavam zangados para se permitir qualquer emocao. O amor era uma lembranca dolorosa, a qual nao se valia lembrar-se. Com um aperto de maos se despediram e ele a viu partir. Em seu peito o coracao descompassado, sua boca estava amarga, mas no seu intimo a certeza que estava liberto. Nao possuia seu amor, mas agora poderia prosseguir. Seria uma jornada ardua. Mas era senhor de si mesmo, nao se escravezaria pelo remorso dos erros. O que havia acontecido era fato consumado, redimiu se diante daquela a qual jurou fidelidade. O livre arbitrio ofereceu caminhos obscuros o qual quisera percorrer, nada mais justo que tivera que obdicar algo, mesmo diante de uma escolha dolorosa.
CAMOMILLA HASSAN
Enviado por CAMOMILLA HASSAN em 16/10/2006
Código do texto: T265463

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Sobre a autora
CAMOMILLA HASSAN
Atibaia - São Paulo - Brasil, 36 anos
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5 e-livros (510 leituras)
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