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O povo cansou dos políticos

Li uma entrevista do escritor baiano João Ubaldo Ribeiro à revista ISTOÉ postada no Orkut. O qu eme inspirou a escrever o comentário que segue.

Eu gosto do Ubaldo, mas achei a entrevista uma especie de documentário resumido. Acho que ele não teve tempo para discorrer seu pensamento. As ideias inacabadas ficaram suspensas e o discurso se fez um pouco confuso prá mim. Mas tratando-se de política isso é aceitavel. No entanto, há um ponto no qual eu me sinto próximo a ele. É o da ausência de identificação política com o Alckmin, e não somente nele. Eu sempre fui contrário ao Lula por causa da política de terrorismo psicológico adotada pelo PT. Sempre achei o PT mais destrutivo que construtivo. E isso desde a minha infância política, onde eu ainda não entendia muita coisa, as vezes acho que ainda não entendo nada. De todo modo, embora eu não goste do Lula, sei que ele teve sua importância na história política do país, na fundação do PT e no exercício da oposição. Foi uma tentativa válida de mudança, que ao meu ver não deu certo. Eu diria que Lula e o PT são um mal necessário. E isso já é um reflexo do que estou por dizer agora.

A impressão que tenho, (e isso é totalmente subjetivo), é que no Brasil o povo não espera de fato que os políticos façam algo bom de verdade, e quando algum deles faz um mínimo, isso os torna ponto de referência difíceis de serem apagados. Maluf, ACM, Lula e outros... O que já foi batizado pelo povo de "rouba mas faz". Desconheço a política na Argentina, na Suíça e na Alemanha. Não sei como a população vê seus representantes e o que de fato espera deles. Sei apenas que no Brasil não esperamos absolutamente nada. E isso não é culpa dos políticos, mas sim da cultura que se instaurou no Brasil desde os tempos da colonização. Me corrijam os historiadores se eu estiver errado, mas a colonização do Brasil não foi voltada para o desenvolvimento da colônia, mas sim para o enriquecimento da matriz. E não me venham com essa de por a culpa nos portuguêses. Essa foi uma escolha feita por eles e ponto final, de certo que tiveram suas motivações para isso. No entanto, assim se deu inicio a diferença social que aliemnta até os dias de hoje a tal da corrupção, que é ao meu ver a maior barreira ao desenvolvimento socio-político-etico-cultural do Brasil.

Até agora ainda não disse porquê me sinto próximo ao Ubaldo certo? Errado. Eu já mostrei o porque estamos, e vejam eu eu falo propositalmente no plural. Estamos sem esperança política. Somos incapazes de acreditar que de fato algo irá mudar. Lula, Alckmin, FHC, Collor. Todos eles são apenas peças nesse mosaico enorme e complexo que compõe nosso quadro politico. Nenhum deles tem a fórmula do desenvolvimento, e nenhum deles governa sozinho. Teremos sempre que combater a inoperância e corrupção existente na máquina administrativa. Acredito que o povo, na sua condição de base da sociedade e de eleitores, deveriam dar o primeiro passo. Tentar se afastar da corrupção para poder exigir dos nossos representantes a mesma idoneidade. Não apenas se lamentar de que fulano roubou, e justificar esse roubo com o roubo de beltrano.

Lindo isso que eu falei, mas praticamente impossível de aplicar. Pois como ensinar a um povo que nasce e cresce com a corrupção a deixar de ser corrupto? Então resta um outro modo de tentar mudar ese terível quadro que se apresenta. Um dos tres pilares que formam qualquer nação. Educação, (os outros dois seriam segurança e saúde). A solução parcial, mas imprescindível é sem dúvida a educação. Pois os alunos de hoje, serão os políticos de amanhã. E eu acredito, (talvez ingênuamente), que quanto mais consciência moral e cívica tiverem hoje, mais eficientes e menos corruptos serão amanhã. E esse processo haveria de ser mantido por 30 anos, para que nos tornassemos um povo no mínimo mais educado e mais consciente da nossa importância na vida politica do país, afinal trata-se da administração dos bens que nós ajudamos a gerar.

O que falta é empenho real por parte de todos nós. Desde o funcionário das agências do correios, ao presidente da multinacional assim como da república. Falta empenho, falta acreditar que o futuro do país está sim em nossas mãos, e não apenas dos PTs e PSDBs da vida. O povo é que faz um país. Os políticos que o administram vem desse mesmo povo, não vem de Marte ou Venus. No dia em que perdermos essa nossa desesperança política, essa nossa aceitação de que todo mundo rouba então não há nada que podemos fazer... deixaremos finalmente nossa posição passiva e isso será o primeiro passo para a tão esperada mudança. Até lá, viveremos de Lulas e FHCs, de Reais e Cruzados, de melhorias e crises cíclicas que no fim de tudo não haverá nos levado a lugar algum.

Acho que é isso. Estou cansado, assim como o João,
mas como ele mesmo disse. "Viva o povo Brasileiro".
Desculpem se falei demais.
Abraços.

Ullisses Salles 16.10.06
Ullisses Salles
Enviado por Ullisses Salles em 16/10/2006
Reeditado em 16/10/2006
Código do texto: T265543
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Sobre o autor
Ullisses Salles
Suíça, 40 anos
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