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Desabafo

Eu andei demais, procurei como se tesouro fosse, vasculhei em cada canto de cada uma e não encontrei. Algumas vezes fiquei esperando, achei que fosse chegar, dizia para mim mesmo: - Não adianta procurar, vai chegar sem que você perceba. Mas o tempo é engraçado, pode ser desastrosamente benéfico, fez com que a minha ansiedade desaparecesse, não ia mais procurar quem não queria se encontrado nem muito menos esperar quem nunca chegava, e fui feliz. Sempre detentor do meu destino, sempre eu a escolher para onde e com quem ir. Tornei-me um egoísta, não dependia de ninguém para me sentir completo, meu mundo já me bastava. Apesar disso, sempre carreguei um estranho “tic”, como se um discreto sinal, de tempos em tempos soasse dentro da minha cabeça. Alguma coisa estava fora do lugar, aquela sensação que se tem ao sair de casa, como se algo fosse esquecido, era essa sensação que eu tinha. O tempo passava e eu continuava feliz, mas via meus relacionamentos acabarem por falta de paixão ou pelo fim dela. Tudo era é bom no começo, mas vinha o tempo e mudava as coisas, acabava descobrindo que o outro não era mais importante, que minha vida não seria menos completa se aquela pessoa fosse embora. Uma amiga me explicou uma vez, que para um relacionamento dar certo é preciso que haja amor e paixão, que sem esses dois juntos fatalmente estará condenado ao fim. E daí veio-me a dúvida: Estaria eu sofrendo de falta de amor? Não falo de recebê-lo, mas não consigo lembrar de ter amado alguém plenamente e sem reservas. Já acreditei ter amado uma pessoa, mas não tive a oportunidade de lhe entregar tudo que sentia. Dizem que amor não dado é amor perdido, e se o que eu sentia era amor, por certo morreu nos desencontros que a vida me deu. Acho que procurei no lugar errado, era em mim que deveria ter encontrado as respostas, era de mim que deveria ter vindo esse tal de amor, mas por algum motivo que desconheço, ele nunca foi visto. Sofreram por minha causa, por minha incapacidade de me dar, por minha indisposição com os sentimentos alheios, por meu superficial envolvimento sentimental, e isso me dá vergonha. Como eu pude desistir tão rápido? Como conseguir me fechar tanto a ponto de não saber mais como abrir as portas? Hoje sou escravo do monstro que eu mesmo criei, daquele que sem sentir subjugou o criador e hoje reina no trono do seu pai. Ele luta e é forte, resiste como pode a tentativas infrutíferas daquele que tenta se libertar. Nem sei o que eu faço...
Hugo Eduardo
Enviado por Hugo Eduardo em 16/10/2006
Reeditado em 18/10/2006
Código do texto: T265754
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Sobre o autor
Hugo Eduardo
Fortaleza - Ceará - Brasil, 34 anos
28 textos (1448 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 09/12/16 06:09)