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Filosofia Espiritualista I

Filosofia Espiritualista

A alma
A alma é um ser moral, distinto, independente da matéria e que conserva sua individualidade depois da morte. Enfim, a alma é o ser imaterial e individual que reside em nós e sobrevive ao corpo.

Princípio Vital
É o princípio da vida material e orgânica, qualquer que lhe seja a fonte, e que é comum a todos os seres vivos, desde as plantas até o homem.
O Princípio Vital reside num fluído especial, universalmente espalhado e do qual cada ser absorve e assimila uma parte durante a vida, como vemos corpos inertes absorverem a luz. Esse seria, então, o fluido vital.

Força íntima
Os seres orgânicos têm em si uma força íntima que produz o fenômeno da vida, tanto que essa força existe.
A vida material é comum a todos os seres orgânicos e ela é independente da inteligência e do pensamento.
A inteligência e o pensamento são faculdades próprias de certas espécies orgânicas.
Ente as espécies orgânicas dotadas de inteligência e de pensamento, há uma dotada de um senso moral especial que lhe dá uma incontestável superioridade sobre as outras: é a espécie humana.

Alma vital
O princípio material. A alma vital é comum a todos os seres orgânicos: plantas, animais e homens.

Alma intelectual
O princípio da inteligência. A alma intelectual é própria dos animais e homens.

Alma espiritual (Espírito/Gênio)
O princípio da nossa individualidade depois da morte. A alma espiritual pertence somente ao ser humano.

Médiuns
Certas pessoas dotadas de uma força especial e que são designadas como médiuns, quer dizer, meios, ou intermediários entre os Gênios (Espíritos) e os seres humanos.
São encontrados médiuns de todas as idades, de ambos os sexos e em todos os graus de desenvolvimento intelectual. Essa faculdade (mediunidade) se desenvolve pelo exercício.

Comunicações
As comunicações entre os Gênios (Espíritos) e os seres humanos podem igualmente ter lugar pela palavra, pelo ouvido, pela vista, pelo tato, etc. e mesmo pela escrita direta dos Espíritos (Gênios).
Há uma diversidade de linguagens que se explica pela diversidade de inteligência que se manifestam.
Os próprios seres que se comunicam se designam sob o nome de Gênios ou Espíritos e informam tendo pertencido, pelo menos alguns, a humanos que viveram sobre a Terra.
Constituem o mundo espiritual, como nós constituímos durante a nossa vida o mundo corporal.

 
Pontos de destaque
Os Gênios ou Espíritos nos transmitiram alguns pontos mais importantes da Filosofia Espiritualista:

Deus
- Deus é eterno, imutável, imaterial, único, todo-poderoso, soberanamente justo e bom.
- Criou o Universo que compreende todos os seres animados e inanimados, materiais e imateriais.

Mundo Espiritual e Mundo Corporal
- Os seres materiais constituem o mundo visível e corporal e os seres imateriais o mundo invisível ou espiritual, quer dizer, os Espíritos ou Gênios.
- O mundo espiritual é o mundo normal, anterior, eterno, preexistente e sobrevivente a tudo.
- O mundo corporal não é senão secundário. Poderia cessar de existir, ou não ter jamais existido, sem alterar a essência do mundo espiritual.
- Os Espíritos ou Gênios revestem, temporariamente, um envoltório material perecível, cuja destruição, pela morte, os torna livres.
- Entre as diferentes espécies de seres corpóreos, Deus escolheu a espécie humana para a encarnação dos Espíritos ou Gênios que atingiram um certo grau de desenvolvimento, o que lhe dá a superioridade moral e intelectual sobre os outros.
- A alma é um Espírito ou Gênio encarnado, do qual o corpo não é senão um envoltório.

Humanidade Espiritual
Há no ser humano três coisas:
1. o corpo ou ser material análogo aos dos animais e animado pelo mesmo princípio vital;
2. a alma ou ser imaterial, Espírito ou Gênio encarnado no corpo;
3. o laço que une a alma ao corpo, princípio intermediário entre a matéria e o Espírito.
- O ser humano tem assim duas naturezas: pelo corpo, participa da natureza dos animais, dos quais tem o instinto; pela alma, participa da natureza dos Espíritos ou Gênios.

Laço ou Perispírito (Corpo Etéreo)
- O laço ou perispírito que une o corpo ao Espírito é uma espécie de envoltório semi-material.
- A morte é a destruição do envoltório mais grosseiro (menos sutil) que é o corpo.
- O Espírito ou Gênio conserva o laço ou perispírito, que constitui um corpo etéreo, invisível normalmente para nós, mas que pode tornar-se, ocasionalmente, visível e mesmo tangível, como ocorre nos fenômenos das chamadas “aparições”.
- O Espírito ou Gênio é um ser real, circunscrito, que em certos casos, é apreciado pelos sentidos da visão, audição e tato.

Evolução Espiritual
- Os Espíritos ou Gênios pertencem a diferentes classes e não são iguais nem em força, nem em inteligência, nem em saber, nem em moralidade.
- Os da primeira ordem são os Espíritos ou Gênios Superiores, que se distinguem dos outros pela sua perfeição, seus conhecimentos, sua aproximação de Deus, a pureza de seus sentimentos e seu amor ao bem. São Anjos ou Espíritos Puros.
- As outras classes se distanciam cada vez mais dessa perfeição. Os das classes inferiores são inclinados à maioria das nossas paixões: o ódio, a inveja, o ciúme, o orgulho, etc; eles se comprazem no mal.
- Entre eles há os que não são nem muito bons nem muito maus, mais trapalhões e importunos que maus, a malícia e as inconseqüências parecem ser sua diversão. São os Espíritos ou Gênios Estouvados ou levianos.
- Os Espíritos ou Gênios não pertencem perpetuamente à mesma ordem. Todos progridem, passando por diferentes graus de hierarquia espiritual.
- Esse progresso ocorre pela encarnação, que é imposta a uns como expiação e a outros como missão.
- A vida material é uma prova que devem suportar por várias vezes, até que hajam alcançado a perfeição absoluta. É uma espécie de exame depurador, de onde eles saem mais ou menos purificados.
- Deixando o corpo, a alma reentra no Mundo Espiritual, de onde havia saído, para retornar uma nova existência material, após um período de tempo mais ou menos longo, durante o qual permanece no estado de Espírito errante.
- O Espírito ou Gênio, devendo passar por várias encarnações, disso resulta que todos tivemos várias existências e que teremos ainda outra, mais ou menos aperfeiçoadas, seja sobre a Terra, sejam em outros mundos.
- A encarnação dos Espíritos ocorre sempre na espécie humana e nunca no corpo de um animal.
- As diferentes existências corporais do Espírito ou Gênio são sempre progressivas e jamais retrógradas, sendo que a velocidade do progresso depende dos esforços que fazemos para atingir a perfeição.
- As qualidades da alma são as do Espírito ou Gênio que está encarnado em nós.
- A alma tinha sua individualidade antes da sua encarnação e a conserva depois da sua separação do corpo.
- Na sua reentrada no Mundo Espiritual, a alma aí reencontra todos aqueles que conheceu sobre a Terra e todas as suas existências anteriores se retratam em sua memória com a lembrança de todo o bem e de todo o mal que fez.
- O Espírito ou Gênio encarnado está sob a influência da matéria. O ser humano que supera essa influência pela elevação e depuração de sua alma, se aproxima dos bons Espíritos com os quais estará um dia.
- Os Espíritos ou Gênios encarnados habitam os diferentes globos do Universo.
- Os Espíritos ou Gênios não encarnados ou errantes estão por toda a parte, no espaço e ao nosso lado. É toda uma população invisível que se agita em torno de nós.
- Os Espíritos ou Gênios exercem, sobre o mundo moral e mesmo sobre o mundo físico, uma ação incessante. Agem sobre a matéria e sobre o pensamento, e constituem uma das forças da Natureza, causa eficiente de uma multidão de fenômenos.
- As relações dos Espíritos ou Gênios com os seres humanos são constantes. Os bons Espíritos nos solicitam para o bem, nos sustentam nas provas da vida e nos ajudam a suportá-las com coragem e resignação. Já os maus Espíritos, ao contrário, nos solicitam ao mal e para eles é uma alegria nos ver sucumbir e nos assemelharmos a eles.

Manifestação dos Espíritos ou Gênios
- As comunicações do Espíritos ou Gênios com os seres humanos são ocultas ou aparentes. As ocultas ocorrem pela influência, boa ou má, que eles exercem sobre nós com o nosso desconhecimento: cabe ao nosso julgamento discernir as boas e más inspirações. As comunicações aparentes (ostensivas) ocorrem por meio da escrita, da palavra, ou outras manifestações materiais e, mais freqüentemente, por intermédio dos médiuns que lhes servem de instrumento.
- Os Espíritos ou Gênios se manifestam espontaneamente ou por evocação. Podem-se evocar todos os Espíritos: aqueles que animaram homens obscuros, como aqueles de personagens mais ilustres, qualquer que seja a época na qual tenham vivido; os de nossos parentes, de nossos amigos ou de nossos inimigos e, com isso, obter, através de comunicações escritas ou verbais, conselhos, informações sobre a sua situação no além-túmulo, sobre seus pensamentos a nosso respeito, assim como revelações que lhes são permitidas nos fazer.
- Os Espíritos ou Gênios são atraídos em razão de sua simpatia pela natureza moral do meio que os evoca. Os Espíritos Superiores se alegram nas reuniões onde dominem o amor do bem e o desejo sincero de se instruir e se melhorar. Sua presença afasta os Espíritos inferiores que aí encontram.
- A distinção dos bons e dos maus Espíritos é extremamente fácil. A linguagem dos Espíritos Superiores é constantemente digna, nobre, marcada pela mais alta moralidade, livre de toda paixão inferior; seus conselhos exaltam a mais pura sabedoria e têm sempre por objetivo nosso progresso e o bem da Humanidade. As comunicações com os Espíritos Superiores ocorrem nas reuniões sérias, naquelas cujos membros estão unidos por uma comunhão de pensamentos para o bem.
- A moral dos Espíritos Superiores se resume como a do Cristo, nesta máxima evangélica: “Agir para com os outros como quereríamos que os outros agissem para conosco”, ou seja, fazer o bem e não fazer o mal.
- Os Espíritos Superiores nos ensinam que:
# o egoísmo, o orgulho, a sensualidade, são paixões que nos aproximam da natureza animal e nos prendem à matéria;
# que o ser humano que, desde este mundo, se desliga da matéria pelo desprezo das futilidades mundanas e pelo amor ao próximo, se aproxima da natureza espiritual;
# que cada um de nós deve se tornar útil segundo suas faculdades e os meios que Deus colocou entre suas mãos para o provar;
# que o Forte e o Poderosos devem apoio e proteção ao Fraco, porque aquele que abusa de sua força e do seu poder, para oprimir seu semelhante, viola a Lei de Deus.
# Ensinam, enfim, que no Mundo Espiritual, nada podendo ser oculto, o hipócrita será desmascarado e todas as suas torpezas descobertas;
# que a presença inevitável e de todos os instantes, daqueles para com os quais agimos mal, é um dos castigos que nos estão reservados;
# que a estado de inferioridade e de superioridade dos Espíritos são fixados penas e gozos que nos são desconhecidos sobre a Terra.
# Mas eles nos ensinam também que não há faltas irremissíveis que não possam ser apagadas pela expiação. O ser humano encontra o meio, nas diferentes existências, que lhe permite avançar, segundo seu desejo e seus esforços, na senda do progresso e na direção da perfeição que é seu objetivo final.

Estudo da Filosofia Espiritualista
O que caracteriza um estudo sério é a continuidade que se lhe dá. Ocorre exatamente o mesmo nas relações que estabelecemos com os Espíritos ou Gênios. Se quisermos nos instruir em sua escola, devemos fazer com eles um curso; mas, como entre nós, é preciso escolher os professores e trabalhar com assiduidade.
Os Espíritos Superiores se manifestam em reuniões onde reine uma perfeita comunhão de pensamentos e de sentimentos para o bem.
Se quereis respostas sérias, sede sérios vós mesmos em toda a acepção da palavra e colocai-vos em todas condições necessárias. Só então obtereis grandes coisas. Sede mais laboriosos e perseverantes em vossos estudos.
Vede e observai, as ocasiões não vos faltarão, mas, sobretudo, observai com freqüência, por longo tempo, e segundo as condições necessárias.
São precisos anos para fazer um médico medíocre, e os três quartos da vida para fazer um sábio, assim não se pode querer, em algumas horas, adquirir a ciência do infinito. Portanto, não nos enganemos: o estudo da Filosofia Espiritualista é imenso.
O verdadeiro Espiritualista vê as coisas deste mundo de um ponto de vista bastante elevado. Elas lhe parecem tão pequenas, tão mesquinhas, diante do futuro que o espera. A vida para ele é tão curta, tão fugidia, que as atribulações não são aos seus olhos senão os incidentes de uma viagem desagradável. Ele sabe, aliás, que os desgostos da vida são provas que servem para o seu adiantamento, e as suporta sem murmurar, porque será recompensado segundo a coragem com a qual as tenha suportado.
A verdadeira Filosofia Espiritualista está no ensinamento dado pelos Espíritos ou Gênios, e os conhecimentos que esse ensinamento comporta somente são adquiridos por um estudo sério e continuado, feito no silêncio e no recolhimento; porque só nessa condição se pode observar um número infinito de fatos e de nuanças que escapam ao observador superficial.
A Filosofia Espiritualista, ministrada pelos Espíritos, espera como resultado guiar os seres humanos desejosos de se esclarecerem, mostrando-lhes, nesses estudos, um objetivo grande e sublime: o do progresso individual e social, e de lhes indicar o caminho a seguir para atingi-lo.

Lacuna preenchida
Se se observar a série de seres, verifica-se que eles formam uma cadeia sem solução de continuidade, desde a matéria bruta, até o ser humano mais inteligente. Mas entre o ser humano e Deus, que é o alfa e ômega de todas as coisas, que imensa lacuna!
A razão nos diz que entre o ser humano e Deus deve haver outros escalões, como disseram os físicos que entre os mundos conhecidos deve haver mundos desconhecidos.
Qual é a filosofia que preenche essa lacuna? A Filosofia Espiritualista no-la mostra ocupada pelos seres de todas as posições do mundo invisível, e esses seres não são outros senão os Espíritos ou Gênios dos seres humanos que atingiram os diferentes graus que conduzem à perfeição.
Então tudo se liga, tudo se encadeia, desde o alfa até o ômega.

ALLAN KARDEC
Joseph Shafan
Enviado por Joseph Shafan em 27/10/2006
Reeditado em 27/10/2006
Código do texto: T275120
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Sobre o autor
Joseph Shafan
São Sebastião - São Paulo - Brasil, 63 anos
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Joseph Shafan