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Subversidade

Todos meus textos, riscos perdidos e manchados num papel antes imaculado, é apenas a libertação de demónios escondidos. Fantasmas do passado que espreitam, e tentam fugir, por entre as frinchas do armário das culpas.
Escrevo directamente da cela de reclusão nº não sei das quantas, num manicómio sem médicos ou enfermeiros. Nas minhas escapadelas, poucas mas saborosas, dou asas ao meu lirismo, ou não fosse português. É desta forma que lêem os meus rascunhos, possíveis ensaios de uma demência enriquecida pelo sabor do tempo. Na fuga aos muros que me rodeiam, procuro esclarecimento – como se tal fosse possível! – e outras coisas que tais como um ser normal.
Mas assertividade é o que me falta, visto ser um louco convicto e subversivo, sem panaceia ou tratamento conhecido. Nestes devaneios escrevo sem parar. O teclado do portátil rasga o ecrã branco, escrevendo, juntando frases sem parar. Um festim de letras, tal qual comensais à mesa, servidas em frases libertinas e viperinas.
Completamente insano. Apenas adjectivos. Será que quantificam correctamente a dose de loucura que necessitamos para viver. Nos sentirmos marginais e ao mesmo tempo integrados. Nos opostos da realidade em que vivemos, devemos camuflar opiniões, tal como em “A arte da Guerra”, de Shen Tzu. Quando estudamos o inimigo e se apresenta em franca maioria, teremos de encetar uma guerrilha psicológica. Primeiro lançar a discórdia entre eles. Subverter é a palavra de ordem.
Segundo urdir estratégias, converter os indecisos. Começam então a abrir-se as primeiras brechas nas fileiras inimigas.
Por outro lado, os mais resistentes terão de ser aniquilados, sem dó ou piedade. Doutrina comprada a Maquiavel, antes que se tornem uma ameaça, devemos arrasá-los. Em território hostil devemos, acima de tudo, pisar com segurança, antes de encetar qualquer acção bélica. Medir o valor dos adversários.
Parece-vos inverosímil?? Não acreditem em tudo que lêem, questionem tudo o que aprendem. Esta sim é a verdadeira revolta, onde está o engenho do homem para lutar contra regras e leis amorais.
Perguntem, procurem respostas, no mais íntimo e recôndito dos lugares: a nossa alma, o nosso âmago. Procurem conhecimento, como um verdadeiro louco à procura de lucidez. O esclarecimento é um dote que se adquire. O caminho da verdade.
Kadú
Enviado por Kadú em 07/11/2006
Código do texto: T284322
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Sobre o autor
Kadú
Luanda - Luanda - Angola
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Kadú