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EM BRANCO



   Certo dia na faculdade ouvi no banheiro, uma aluna do segundo ano aos prantos em uma ligacao. Acendi um cigarro e pus a me ouvir a conversa que ela tinha pelo celular. Em meu entender se tratava de uma conversar com alguem o qual ela havia rompido. De repente me vi tao solitaria presa em meus textos, presa as minhas frases digitadas. Envolvida em um relacionamento que ha muito me deixara abandonada. Senti me triste por nao ter ninguem que eu pudesse retornar no final do dia e dialogar, alguem com sorriso a me receber. Sendo presionada a ser forte e corajosa enquanto o que eu queria mesmo era desabafar meu pranto, abrir meu coracao e dizer nao to legal. Em todos os anos de crise houve superacao, mas neste ultimo ano parece que tudo esta sobre um fio. Parece que nao vivemos somente nos suportamos. Dizer que e possivel mudar as coisas e facilimo, mas na real nao. Ha obrigacoes, filhos que dependem da nossa formacao etica e moral. E quando em nossas vidas somos obrigados a crescer e viver sem estrutura familiar, sabemos o quanto a falta desta distorce um carater. O quanto e valioso e precioso se ter pais. E facil partir quando nao ha vinculos, quando nao ha decedentes deste amor. Engracado voltar para casa e ter alguem para se dividir mas este alguem ja nao esta mais compartilhando desta historia. Este alguem que insistentemente lembra ti de quando e ignorante, o quanto e incapaz, minando tudo o que ha de bom. E como se fosse um mantra voce comeca acreditar que realmente nao e boa o sulficiente. As vezes penso ate quando posso suportar tal situacao. A vida passa breve,enquanto nao ha direcao vou me ocupando com as obrigacoes diarias. Adiando me como mulher, calando me diante das humilhacoes, superando toda hipocrisia. Mas a falta de alguem que me faca o coracao descompassar no peito, que me provoque arrepio na espinha, faz com que eu me refugie na madrugada. Um refugio o qual me abro atraves de palavras todas as dores, todas as angustias desejos e sonhos. Assim aliviando me do fardo de ter que me calar, ter que aceitar. Faz um bom tempo que ja nao tenho uma compania para compartilhar, encontrar alguem que faca sexo e facil, mas alguem para fazer amor nao. Queria poder ter novamente aquele homem o qual me apaixonei, o qual deixei uma vida para traz para dividir meu mundo. Mas hoje nem ele ao certo sabe o que querer, nem sabe o quanto nossas diferencas tem angustiado me. A teoria de viverao felizes para sempre e linda, mas e ilusao acreditar que envelheceremos ao lado do verdadeiro amor. Ilusao se doar e nao esperar nada em troca. Na verdade tudo esta em branco, com algumas manchas de sangue.  
CAMOMILLA HASSAN
Enviado por CAMOMILLA HASSAN em 08/11/2006
Código do texto: T285904

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Sobre a autora
CAMOMILLA HASSAN
Atibaia - São Paulo - Brasil, 36 anos
1308 textos (159160 leituras)
29 áudios (11795 audições)
5 e-livros (510 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 07/12/16 12:56)
CAMOMILLA HASSAN