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diálogo interno 01


sempre bom, sempre ruim. viver no limite do paradoxo bem/mal da vida é delicioso

sabe quando um jovem morre, arrancado de sua existência?

quando um grupo deles bate com um carro e vai todo mundo pro beleléu?

quando uma jovem de 22 anos se joga de sua janela e vai parar no chão da calçada da praia de Icaraí?

quando os acontecimentos prevêem que a ordem natural das coisas não é tão natural assim?

ninguém dá valor a nada até que esse nada se mostre fugidio. até que alguém entre em um estado terminal. as pessoas vivem a vida como se nada fosse acontecer e essa rotina escrota fosse durar para sempre. e quando alguém morre pensa "deveria ter dito isso a ela", "eu briguei com ele, e foi a ultima coisa que fiz", "desejava mal a ela, mas não era pra tanto"

as pessoas vivem como se fossem eternas, e se iludem cada vez que alguém vai. e fazem um esforço pra continuar se iludindo. viver a vida no paradoxo bem/mal todos os dias é viver naquele limite que lhe diz que esse é o último dia de sua vida, mas há infindáveis últimos dias, até o derradeiro. e viver assim é viver com a máxima vontade de viver

não sendo "produtivo", não aproveitando a vida ao máximo, mas dando máximo proveito à vida que se tem. dando máxima urgência a existência que se mantém. todos os dias, a cada hora, a cada segundo, viver a vida porque se escolhe viver, porque se opta por fazer, porque se faz amar, e se mostra amante.

viver a vida com essa urgência que não é tão urgente assim. viver a vida no limite do posso morrer agora, mas provavelmente não vou. hoje pode ser meu último dia, e daí? vivo minha vida mesmo assim. esse pode ser o último dia de todos, aí sim, deixo de falar, aproveitar, relevar, sublimar, para deixar-me cair na rotina, ignorar, brigar, apregoar os outros. e com isso não viver, mas pensar que vivo

viver a sua própria vida um passo atrás dela, isso sim é ruim

tento me manter no mesmo ritmo da minha vida

não falo disso. falo de viver agora, aqui, sem dúvidas e sem prerrogativas. a vida taí, ela é a única coisa que temos, viva feliz ou não, morreu, acabou. não importa se é isso ou não, mas deixar de querer viver e viver querendo agora, é desperdiçar o único tempo que tem para fazer, viver, pensar algo, agora.

é quase isso: Fique parada, ande na rua calma, não faça nada, olhe, se alguma coisa que você fizer, depois de pensar, lhe parecer inútil, provavelmente é. se você fizer alguma coisa porque TEM que fazer, porque é necessário fazer, provavelmente esta é uma clara demonstração de que a vida se torna realmente vivida e necessária.

cada vez mais que nos subjugamos à rotina, às coisas sem sentido que fazemos no automático, bem, cada vez mais nos alienamos da vida.
leandroDiniz
Enviado por leandroDiniz em 18/11/2006
Código do texto: T294708
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Sobre o autor
leandroDiniz
Niterói - Rio de Janeiro - Brasil, 34 anos
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3 e-livros (430 leituras)
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leandroDiniz