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Confissão


   Eu sempre fui considerada,por meus pares,  uma pessoa forte, corajosa, perseverante - uma rocha - capaz de enfrentar desafios intransponíveis,  carregar nos ombros dificuldades minhas e de terceiros, transpor precipícios impostos pela vida e, ao final da batalha, sacudir a poeira, levantar assobiando e sorrindo. Alguém, que na mais absoluta calma e contole, em meio ao turbilhão de dissabores, abre caminhos e afasta obstáculos, obstinadamente, com os olhos fixos no objetivo, sem esmorecer ante a investida de forças malfazejas, ou ferimentos causados pelas pedras do caminho.

   Mas, lá no fundo, bem no fundo de minh'alma, sempre escondi, com muito cuidado, um segredo: - Sou extremamente frágil, tal qual fina porcelana, prestes a desintegrar-se, a um simples toque. Nem eu mesma tinha coragem de levantar o véu que encobria essa fragilidade. Fui covarde! Profunda e irremediavelmente covarde! Tão covarde, que não admitia minhas fraquezas, tendo medo de sucumbir a elas e perder-me.

   Mas, hoje, me dou conta que a ninguém serve esse meu segredo - nem aos outros - e muito menos a mim. Com esse escudo de força impedi tantas aproximações...repeli, sem  o desejar, afetos singelos, delicados, tímidos, mas tão vitais... Arrependida, resolvi então escancarar, de vez, as porteiras do coração. Rrasgar as cortinas que ofuscam a luz interior e desnudar-me, tal qual sou - em toda a minha pequenez.

   Pois, ao mesmo tempo que escondo essa fraqueza, anseio, ó Deus, como anseio! - por fundir-me a um espírito repleto da força, que só o amor alimenta e abandonar, tranqüila e completamente o leme do meu barco, na certeza que ele singrará por rotas seguras, em meio a tempestades. Anseio por um momento - apenas por um momento, de total e irrestrita entrega - quando a minha alma exaurida, baixaria a guarda e encontraria repouso. Após tal entrega, eu retornaria,lépida e faceira, com um sorrir puro e descontraído, capaz de beber novamente a seiva da vida, com a sofreguidão dos sedentos, que atravessam o deserto, tendo a certeza de que tudo está como deve ser. A luta acabou. Não há vencedores ou vencidos. Apenas a completa paz da entrega. O Nirvana. O êxtase. O Alfa e o Ômega fundidos num só...
   
Serelepe
Enviado por Serelepe em 24/11/2006
Código do texto: T299721

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Sobre a autora
Serelepe
Curitiba - Paraná - Brasil
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Serelepe