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A autopiedade

         A autopiedade é um sentimento destrutivo, e aquele que pretende alcançar certa evolução espiritual deve evitá-la. Há gente, que sente prazer em enfraquecer, desestimular, minar os outros, e na autopiedade minamos a nós mesmos. Nós plantando a semente do mal em nosso terreno e colhendo os frutos podres sem perceber.        
         Pena de si mesmo, é até reconfortante sentir isto de vez em quando. É vicio, consolo disfarçado, emoções de lobo em pele de cordeiro. A autopiedade vem devagar, te expõe como a vítima da situação, amacia-lhe o ego, exalta as qualidades, estampa os defeitos dos outros e camufla nossos próprios defeitos. De repente estamos viciados a sentir pena de nós mesmos. Surgem efeitos colaterais, não temos mais força para lutar por nossos objetivos, os outros são culpados por nossos fracassos, e não movemos força elevada a favor de nossas vitórias. Obscurecemos nossa capacidade, nos tornamos amargos, ágrios. Desconfiamos dos outros por não confiar mais em nós.
         Na autopiedade não existe aquela lição básica, de que, de todo sofrimento se retira um conhecimento, um passo em direção ao caminho certo. O ser humano, quase que fisicamente, precisa de doses de sofrimento para evoluir -a parte o pseudo cristianismo-. Não é suficiente: “não faça isso, esta direção é melhor, eu sei, já passei por isto”. Não. Necessitamos fazer o percurso sozinhos, padecer, e principalmente suporta o golpe. E quando revelam-se dois caminhos: a autopiedade e o crescimento. É bem mais cômodo usar a ajuda do falso consolador, do que encontrar proveito e beleza em suas próprias cicatrizes. É cômodo olhar para os outros com os seus defeitos, e mais simples ainda, para nossos umbigos repletos de qualidades.
          Não desistir de conhecer-se, auto-criticar-se, tentar discernir o tal bem do mal, pois a linha que os separa é invisivel, bela e prazerosa. Pratique o perdão, mesmo quando a boca travar, pois o problema não está na boca, está na mente. E este perdão é para ser usado em primeiro lugar consigo, ou usá-lo pelos outros torna-se matéria hipocrita. Ninguém é mais forte ou mais incapaz, e principalmente, não há culpados ou modelos, somos Deuses. Há escolhas e um caminho estreito a ser seguido.
Beth Jardim
Enviado por Beth Jardim em 26/09/2005
Reeditado em 10/05/2012
Código do texto: T53991
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Beth Jardim
Taguatinga - Distrito Federal - Brasil, 35 anos
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Beth Jardim