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Viva pelo Invisível

Estamos todos em um longo caminho, percorrendo ora montanhas ora vales escuros. Quando no alto das montanhas, temos uma visão bem privilegiada dos lugares pelos quais passamos e dos que ainda vamos alcançar. A esperança prospera nestas horas, pois podemos refletir o quanto foi difícil sair de algumas situações do passado, e isso nos faz destemidos mesmo vendo, no futuro caminho, outros vales...Vendo, temos até certa aptidão para contorná-los, evitá-los ou pelo menos clamar "afasta o cálice, Senhor, se possível". Mas vem aquele dia em que descemos. Descer faz parte do caminho, nem sempre há um atalho que drible nossa estadia temporária nos lugares mais baixos ... Há os lugares planos também, as grandes planícies da vida, diria um bom professor de geografia. São tão perigosos quanto os atalhos, porque não mostram nada além do horizonte ao longe. Tem a aparência da tranquilidade, mas...não se engane coração, os ventos podem surpreender você. Ali nas planícies também cai tempestade, e não há onde se esconder. Mas quando chegamos ao vale de novo, ai de nós. Nem a memória funciona, não lembramos nada da nossa vista quando estávamos lá em cima. Nada nos convence de que vamos passar, superar e alcançar as alturas novamente. Este é o perigo: estar no vale obscurece nossa visão a ponto de perdermos a esperança totalmente, e deixamos de seguir em frente. Por isso sou fã da peixinha Dory (Procurando Nemo). Ela incentiva a continuar a nadar quando tudo está difícil, quando não há o que fazer, siga. Marche, faça o que tem que ser feito, mesmo que isso não pareça resolver a situação. Quando você perde a visão e o controle, lembre-se apenas que acima da montanha mais alta há dois enormes olhos pregados em você. A visão destes olhos é perfeita, agora você não precisa mais da sua, esqueça o que você vê e viva pelo que você não vê agora. Não morra no vale, coração. Não ouse morrer no vale.
Denise Paredes
Enviado por Denise Paredes em 17/07/2017
Código do texto: T6057114
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre a autora
Denise Paredes
Curitiba - Paraná - Brasil, 46 anos
99 textos (2636 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 28/07/17 08:13)
Denise Paredes