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Divago IV

As fartas luzes que saem à noite do céu
Por entre chuvas e cerradas nuvens
Que pairam num ar quente e húmido,
Poder afastar suavemente o sedoso véu
Das vergonhas sentidas pelos homens
No seu estranho pensar estúpido.

A vontade de sair sem receio às ruas
Gritar amor, céu, futuro
Esgueirar-se por entre as gotas que caem,
Ter a sensação de ver silhuetas nuas
Um corpo sensual de olhar puro
Espetar farpas que já não saem.

Perdidos no mundo sem saber onde
A revolta efémera de ser cego
Não poder apreciar o que é oferecido,
Alegria de um sorriso que se esconde
O som do martelo que bate no prego
No mundo sem saber onde… perdido.

Xadrez invulgar sem rei ou rainha,
Desejo de poder dominar o que domina,
Relâmpago que cai não avisa,
Vida que definha,
Vida fina,
Indivisa.

A criança que não chora
As lágrimas que não saem
O fado que não espreita
Cavalo que sente a espora
Ideia brutal do Homem
Imortalizar a maleita.

sumadartson
Enviado por sumadartson em 28/08/2007
Código do texto: T627704

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Sobre o autor
sumadartson
Portugal, 47 anos
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1 e-livros (21 leituras)
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