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FRUSTRAÇÃO

Se eu soubesse que certas situações doeriam tanto, talvez desistiria antes mesmo de começar. O sentimento de frustração que às vezes me acomete simplesmente me tira o sono, e me faz perder o tino. É como se as fichas que eu depositei tivessem todas sido apostadas em uma só jogada. E que dessa jogada eu não tivesse saído vitoriosa. Quando isso acontece, quando acontece a frustração, chego a sentir um emaranhado de sentimentos tentando descer pela minha garganta. Eles ficam todos ali, embolados, me sufocando. Perco o ar e chego a fazer força para respirar. É como se eu tivesse mandando o choro de volta para o âmago de onde ele veio. E se o choro não sai, resta apenas essa náusea que me corrói. Tento respirar fundo... Às vezes passa, às vezes não.

Quando a sensação passa, ótimo, me sinto nova. Levanto a cabeça e encaro a vida novamente, de peito aberto e de coração limpo. Quando passa, sinto que alguns medos vão embora também. Sinto-os se despedindo de mim. E é como se fossem velhos objetos que não tem mais nenhuma utilidade: eu me desfaço deles sem problema algum. Quando passa fico leve e respiro sem esforço. Quando passa, me sinto pronta para outra. Mas e quando a sensação não passa?

Quando não passa, fico assim, parada, literalmente. Olho para o ar, para o nada, para o céu. Encaro pessoas, mas não as vejo. Fico estática. Quando não passa perco o sono, rolo na cama, fico louca. O que era náusea vira uma puta dor de estômago. Vira um vômito que não saiu. Fica lá, me corroendo por dentro, me esvaziando, me preenchendo.  Quando a sensação não passa o que era choro vira uma metralhadora ambulante, disparando contra tudo e contra todos. Vira pensamento ruim. Vira maledicência. Quando não passa me pego de frente a uma tela de computador escrevendo baboseiras sobre um sentimento que não passa. E quando me pego vomitando através das palavras tudo o que está me fazendo mal, é que me lembro do quanto gosto de escrever. E de por que eu vivo para escrever, e não escrevo para viver.

São José do Rio Preto, 12 de Setembro de 2007.
Bruna Pattiê
Enviado por Bruna Pattiê em 12/09/2007
Reeditado em 15/09/2007
Código do texto: T649929

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Sobre a autora
Bruna Pattiê
São Paulo - São Paulo - Brasil, 35 anos
150 textos (13240 leituras)
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Bruna Pattiê