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Diante da absolvição de Renan

    Diante da absolvição do Renan e a todos que sofrem a subjulgação desta politica de chupins da liberdade e da dignidade humanas. É dura esta realidade, somos centrigugados até a última gota. Quem ou o que poderá nos salvar?

    Quem pode frequentar uma academia qualquer e desenvolver algum saber, apesar das dificuldades, acaba por se sentir como morto vivo, porque fica isolado tentando alardear, alertar conseguindo muito pouco diante da desconstrução provocada pela mídia, pela ausência de cultura e por esse capitalismo neo liberal estrangulador e desagregador.
    Já os que ficaram sufocados desde pequenininhos sem conhecer sequer o gostinho do saber, são felizes na ilusão. Mas por outro lado, carregam o fardo pesado do desemprego, sub-emprego, dos catadores, dos pedintes de faróis e tanto outros descaminhos.

    Vamos deixar a inércia na qual estamos mergulhados nos vestir de soldados do bem, do amor, da verdade. Como Gandy, Betinho ... ser um cidadão. Podemos fazer e acontecer, mas agrupados num ideal de amor universal fortalecidos na cooperação mútua. Não isolados, apenas em instituições ou ONGs. Precisamos muito mais que isto que já estamos fazendo. Precisamos nos agrupar e fazer um movimento forte. Movimento de paz. Porém devemos ser mais incisivos. Esta morosidade ainda existe porque temos um grau de conforto que nos faz assim lerdos. Mas é inconcebível que os que já sensibilizados diante da desconstrução total das vidas dos pobres deste País fiquem ainda fragilizados na ação. É preciso mobilização, exigir mudanças. Esquecer de olhar só para os umbiguinhos fundos e assumir o papel de cidadãos de uma nova era. É obrigação dos que pensam e possuem um certo grau de discernimento.

    Esta mobilização requer amor ao próximo, requer auxiliar os carentes do espírito em seu soerguimento. Um trabalho árduo e sufocante, no meio do pântano do descaso público. Requer, também, a exigência de justiça e controle dos recursos para que estes venham favorecer a todos brasileiros de sangue, amor e convicção.

    Avantes! Utilizem cada um sua força de transformação e as ferramentas psíquicas e físicas já desenvolvidas, atuando e dando sua contribuição, transfigurando este cenário torpe da politica de desigualdade provocada pela concentração de renda e contenção de miséria, que vem assolando nosso país. Lembrem-se que ao deixarmos a praga tomar conta do nosso entorno, indubitavemente ela virá atingir nossos roseirais, um dia. E isto já vem acontecendo é só reparar a onda de medo que assola a todos frente aos pedintes, mendigos e trauseuntes noturnos. Poderiamos evitar isso se cada um se colocasse como agentes coletivos de transformação, minimizando os efeitos da chaga do individualismo e hedonismo que vem nos matando a amizade, a confiança e amor mútuos.

    O consumismo exessivo que não nos satisfaz e polui o ambiente doméstico com quinquilharias inúteis e contamina a mente de nossas crianças com suas caixas lotadas de brinquedos esquecidos. As crianças vão ficando cada vez mais insasiáveis na satisfação fulgás do desejo de possuir algo que não trará preenchimento para seu vazio existencial de serem respeitadas, ouvidas e amadas. São tantos pequenos e grandes erros a serem consertados e que estão merecendo nossa atenção o mais rápido possível, antes que seja tarde para estabelecer o equilíbrio entre a ausência de uns e o exagero de outros.

    Que o caso Renan sirva para refletirmos sobre nossos papéis como cidadãos. No mínimo deveriamos pensar que estamos permitindo muitos erros acontecerem. Nos omitindo, devido nosso ancestral egoísmo, a lutar pelos mais fracos e oprimidos. Merecem nossa atenção as crianças cravo e canela que são lindíssimas mas estão sendo enfeiadas pelo destrato da pobreza; merecem nossa atenção os milhares de bêbes lindos que nascem no colo de adolescentes tristes e desorientadas; merecem nossa atenção os meninos de 13 - 14 anos, com sua baixa estima, que para garantir um pouco de status se envolvem na vida do crime e drogas; merecem nossa atenção as empregadas domésticas que se enchem de calos pra limpar nossos lares; os catadores de lixos, maiores recicladores deste país. São muitos, milhares de pessoas que sofrem a desestruturação, a discriminação e a violência nas favelas horrendas desta "nação". Como dormir trânqüilos diante de tanta tristeza e descontrução no entorno. Mulheres desdentadas com menos de 30 anos, são milhares; homens alcoolátras, drogados, estrupiados, mais outro tanto. Crianças e adolescentes crescendo em cenários desoladores onde morrer em becos é comum. Como ficar sem culpa social nenhuma, e nos dar ao luxo de nos endividarmos pra ficarmos esteticamente mais apresentáveis sem nos dar conta que ser bonito é algo muito mais profundo. Precisamos ressucitar Socrátes, Confuncio, Buda, Jesus? pra ensinar que o amor universal é a nossa grande conquista como seres humanos e a felicidade depende disto?
 
Bem, por hoje é só... vou tentar dormir...  
Maria Rita Pereira
Enviado por Maria Rita Pereira em 14/09/2007
Reeditado em 16/09/2007
Código do texto: T652123

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Sobre a autora
Maria Rita Pereira
São Paulo - São Paulo - Brasil
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