Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto
"Covardia"

Vou-me embora. Definitivo até quando eu agüentar.

Por qual razão? Sabe lá Deus, só sei que o que desejo é o sono tranqüilo. Uma manhã sem ruídos e uma noite acolhedora.

Não quero o veneno das paixões desregradas, temo o sentimento sorrateiro, nego qualquer forma de aproximação imaterial. Quero apenas padecer em paz, sozinha e pura.

Na pureza, recobrar a minha lucidez. 

Retirada, no meu claustro, encontrarei o refugio.

Quero novamente poder sorrir sem temer, sussurrar e ser percebida. Ser, no contágio da minha alegria, percebida por todos.


Quero na tomada da decisão, resguardar o Amor.

Deixa-lo na paz serena do meu pensar.

E impedi-lo de fenecer. Perpetuá-lo no meu íntimo e torna-lo imortal.


Que o meu pedido seja compreendido, como na angústia de uma cólera infindável, suavizar a dor de quem a sente.

Que o meu abandono seja, em reverso, o seu renascer.

Que a minha covardia seja clamada,

Adejada para longe e enfim estabelecida.

Pois é no medo que retomo a mais lúcida atitude,

De deixar o sonho para na realidade sobreviver!
Anita Fogacci
Enviado por Anita Fogacci em 17/09/2007
Reeditado em 10/01/2008
Código do texto: T656279

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (Anita). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre a autora
Anita Fogacci
Cabreúva - São Paulo - Brasil, 44 anos
532 textos (38712 leituras)
1 e-livros (263 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 17/08/17 20:47)
Anita Fogacci