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APENAS A TÍTULO DE OBSERVAÇÃO...NÃO SABIA SE ISSO ERA UM PENSAMENTO OU UMA CARTA.VISTO QUE É QUASE UM BILHETE, FICA COMO PENSAMENTO MESMO...E , PERDÃO PELOS ERROS DE PONTUAÇÃO, MAS ATÉ AGORA NENHUM DETETIVE PODE ENCONTRAR NESTE BENDITO TECLADO ESPANHOL ONDE ESCONDERAM A INTERROGAÇÃO E OS DOIS PONTOS!

"Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom. Não entender, mas não como um simples de espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo. "(Clarice Lispector)


              Como tu, querida Clarice, sofro dessa loucura que não nos faz doidas. Também não entendo. Há montanhas de indagações e a resposta segue sendo este "não entendo". E tal como tu, recebo como uma estranha benção essa coisa de ser inteligente e não entender. E não, não é um mal, uma enfermidade ou uma praga bem rogada. Não entender, tendo inteligência de sobra, é o tudo-de-bom, meu lado B, naqueles casos raros em que o lado A não toca e o lado B estoura em todas as paradas.

               Não entendo e me sinto mais gente não entendendo. Quem entende tudo, certamente perdeu uma parte da história ou não viu nada dela. Não entendo e me sinto abençoada porque há coisas demais nesse mundinho de meu Deus, minha cara, que se a gente fosse capaz de entender nos faria tão estúpidos como a grande massa que entende de tudo, se antena com tudo, e pior, tem a mais absoluta certeza de que sabe tudo que precisa saber. Santa ignorância. Os pobres diabos nada sabem de si próprios. Prefiro assim, não entender, não alcançar a compreensão do absoluto, de vez que ele não existe. O absoluto é a absoluta pobreza de espírito.

              Não entendo e embora também como tu, me inquiete o coração por vezes, me estoure os miolos de tanto pensar, continuo pensando que pra muita coisa tem explicação, embora também tenha um preço. Mas me torna mais eu mesma. Mas esse desinteresse pelo entendimento completo é doce. Pra certas coisas tem Mastercard e outros que tais. Mas isso...ah! isso não tem preço.

Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 18/09/2007
Reeditado em 18/09/2007
Código do texto: T657945

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Sobre a autora
Débora Denadai
Caracas - Distrito Federal - Venezuela, 54 anos
722 textos (157157 leituras)
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Débora Denadai

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