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A ARTE DE AMAR

Já estavam juntos há quase 40 (quarenta) anos, dividindo uma simples casa. Eram felizes. Cultivavam a cada dia, com respeito e carinho aquilo que durante anos havia sido alimentado com diversos ingredientes, todos, redundando no amor.

Como se fosse um pesadelo, José acordou naquele dia não querendo acreditar no que vira, sua casa estava ardendo em chamas. Procurou de imediato por Maria. Onde ela estava? Era a única preocupação ante todo aquele cruel e quente vapor do fogo. Até que conseguiu encontrá-la, estava ardendo em chamas também. Com esforço sobrenatural conseguiu conter as chamas em que Maria estava inserida.

Quando veio o socorro, já não mais restava muito daquela casa onde sempre fora o espaço delimitado do respeito e carinho entre ambos – José e Maria.

Foram encaminhados ao Hospital e, ante a gravidade que se encontravam, foram todos os dois para o Centro de Tratamento Intensivo – CTI. Após alguns dias, saíram daquele Centro e foram para quartos do apartamento daquele nosocômio. Já em recuperação, pensava Maria: Não quero mais viver! Estou parecendo um monstro, totalmente deformada e quando José vir ao meu encontro nem me reconhecerá. No dia seguinte, José foi ao quarto de Maria e, lá chegando, disse-lhe:

-  As chamas foram muito cruéis comigo, perdi a visão. Mas não tem problemas meu amor, ainda consigo lembrar da encantadora beleza que você tem. Isso é o mais importante para mim.

- Não tem problemas meu bem, disse Maria. Vamos continuar a conviver como sempre. Eu lhe ajudarei a enxergar por meio de meu sentimento.

Conviveram por mais 20 (vinte) anos. Maria sempre ajudando muito a seu grande amor, inclusive nas tarefas mais complexas. José também a cada dia surpreendia mais sua encantadora esposa, sempre ofertando o que de melhor poderia haver em carinhos e respeito.

Chegou o dia em que Maria faleceu. Todos os parentes no velório, quando um sobrinho de José, observando-lhe atentamente a retirada de seus olhos escuros pôde constatar que seu Tio José não era cego. Ficou surpreso. Então foi até seu Tio José e lhe perguntou:

Tio José, ocorreu um milagre? O senhor está enxergando?

- Não meu filho, sempre enxerguei, mas não queria que sua tia soubesse. Eu a conhecia  bem e, não obstante, era sabedor do que ela seria capaz de fazer após o acidente em que fomos vitimados. Assim me passei de deficiente visual.

Na vida temos de provar que amamos! Muita vez de uma forma difícil. E, para sermos felizes, temos de fechar os olhos para muitas coisas, mas o importante é que se faça única e intensamente com AMOR!.
Clovis RF
Enviado por Clovis RF em 20/09/2007
Código do texto: T661006
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Sobre o autor
Clovis RF
Belo Horizonte - Minas Gerais - Brasil
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