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Perda

Entrar em casa sorrindo e cantando depois de chorar no caminho? Doía. Doía muito. Mas como podia eu, não esconder a tristeza e a angústia, se elas eram causadas por algo proibido para mim? Sorrir sem culpa era proibido pra mim. Amar livremente era proibido para mim. Liberdade? Que significa isso? Que dirá minha consciência a respeito disso? Havia uma lista de coisas que eram poribidas às mulheres. Mas, para mim, uma menina de 16 anos, presa dentro de um certo ponto da sociedade, criada   dentro de uma religião dirigida por pessoas que pensam ser donas da única verdade indistorcível. Para mim, a lista de proibições era maior. Até certos sonhos, desejos eram proibidos. E eu deveria aprender a ser mais forte do que eu mesma. Deveria seguir a razão, deveria passar por cima do meu coração, dos meus sentimentos, para não magoar minha família, e a religião. Não o Deus, porque o Deus é maior do que qualquer religião. Ele não precisa dela para existir. O Deus é maior que qualquer outra coisa e não precisa ser inventado para estar entre a natureza. Eu deveria passar por cima do meu coração, para seguir a consciência, eu deveria segurar o choro, suforcar o grito, pisar em mim mesma, para seguir a tirana consciência que criaram na minha mente. A dor. É dificil falar agora, já que eu desejo falar o que vai contra a minha consciência. Eu não consigo falar! É um sufocamento estranho. Não dá. Não adianta o quanto eu me esforce! E doí tentar falar e não conseguir. Me sinto morta, vazia, inútil.
  E eu estava adiando pisar no meu coração a muitos meses. Mas a angústia estava se tornando insuportável. Eu sabia que mais dia menos dia tudo isso ia acabar. Mas e o medo de falar? E o medo de dar o último beijo? E o medo de deixar as mãos que me seguravam? Que é que eu fazia com a porra do medo?
  Acho que meu medo maior era de que a dor fosse só minha. Meu medo era de sentir a falta sozinha. O medo era de que eu fosse a única a sofrer com a perda, a única a chorar, mesmo que fosse por dentro. Meu medo era de ter certeza de que só eu sentia algo tão forte e que a separação fosse doer só em mim. Mas eu sempre acabo batendo de cara com meus medos. Eles sempre se tornam realidade. E eu sempre apanho deles.
Anariel
Enviado por Anariel em 15/10/2007
Código do texto: T694539

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Sobre a autora
Anariel
Belo Horizonte - Minas Gerais - Brasil
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Anariel