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Plano Maligno

Vejo quantos venceram, ela não. Vejo que até ele. Paciência e persistência e a cada um seu prêmio. A ela não. Que nunca foi acostumada às derrotas. Contem suas histórias de amor tão belas. Aquelas de primeira vista, aquelas de insistência. Inspirem o mundo. Quem não se conforma não se conforma. Cai uma lágrima porque eles venceram. Orgulho-me por eles. Invejo-os.
Quando foi que me conheceste? Nem apresentaram-nos. Já sabia. Mas não é possivel. É possivel que engane a todos. Já talvez. Quizas. Não há mais cabimento. Mas ouve as histórias daqueles que venceram! Que é o tempo! Todas as palavras são metade de alguma idéia. Justamente por culpa tua e das pessoas. Por culpa da imagem. Pra que a admirem. Pra que a sintam inteira. (Conheço uma pessoa que diria entender-me. Por que tinha que ser assim?! Vês que me tiraste até isto?).
Porque planejei assim? E vocês todos? Planejei minha derrota? Mas não nasci perdedora. Abro mão do que não me toca o fundo. Sou egoísta. E se minha prova é a derrota, vou subverter a ordem divina que me impûs. Se impûs tão cruelmente! E para isto tive que criar aquele. E todo o mundo de perfeição. E à todos os outros, prolongamento meu, em torno de mim. Para tornar mais cruel. (Como um copo d´água negado ao homem no deserto, mas antes colocado ante suas vistas. Deixaram que tocasse o copo, fesco, refresco. Que tocasse a boca à uma gota fresca, refrescante. Então arancaram-no das mãos, viraram a água à areia. Antes deram algumas gotas àqueles outros ao seu lado que também sofriam. Mas nada ao homem.) Que plano cruel que me impus. Mas já falei sobre o desalinho. É peça fora do lugar. Se não sentisse não diria.
É ridiculo plano, história com todos seus artificios dramáticos. Com olhares, com dança e leitmotive. Escreveram as personagens de acordo com. Com toda espécie de provas. Com Deus-ex-machina. E alguns expedientes fantásticos, com direito a sonhos premonitórios. E oráculo! Seria tragédia grega?! Ou simples drama burguês? Com elementos brugueses e suas regalias. Vamos brincar de ser. Ridicula história. Apesar de emocionante. Veja quantos venceram, ela não!
Se são pensamentos sentiu então que apesar de, nunca sentiu-se mais ela. Com toda sua aura. Quantas vezes ja foi dito? Nem um milésimo de quantas pensadas. Como se esperasse uma justificativa. Que plano ridiculo! Como se quisesse reclamar à alguém. Que está mal feito! Que está errado! Ao inferno com as frases prontas. E as frases de auto-ajuda. E as frases amigas que querem bem. E as frases!!! Vou subverter a auto-ajuda. Vou criar minha própria. E se criei este plano maligno, esta prova absurda, vou subverte-la também. A vontade humana tem mais força quando desejada com o espirito. E em algum ponto é latente, forte e carrega sempre consigo. Vou subverter a natureza e o universo! E este plano. Veja quantos venceram. Ela não conhece a derrota.
Elle Henriques
Enviado por Elle Henriques em 24/10/2007
Código do texto: T708245
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Sobre a autora
Elle Henriques
São Paulo - São Paulo - Brasil, 32 anos
48 textos (2711 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 17/10/17 09:56)
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